O impossível aconteceu!

Francisco Antunes
Francisco Antunes

Sobre ordenamento do território, sobre o ordenamento da floresta…tudo calado! Curiosamente o Mestre Jorge Paiva já declarou que o reflorestamento das nossas matas já devia ter começado.

A tragédia bateu-nos à porta. O impossível aconteceu! Sempre temos vivido na ilusão que a desgraça só acontece aos outros, agora a Terra – Mãe deu-nos um sério aviso que tantas vezes tem repetido por este mundo além – gigantescos desmoronamentos de terras, incêndios pavorosos, secas extremas – prenuncio de desertificação – ondas alterosas de incontrolável força destruidora… no fundo a estupidez humana, o efeito de estufa, a poluição dos ares!

Adiante!

Após o desabafo, um solidário abraço aos que perderam familiares, aos mais desprotegidos que tudo perderam, aos pequenos agricultores, aos nossos pastores e queijarias, aos industriais e comerciantes, não esquecendo todos aqueles que bravamente lutaram para que a tragédia não fosse maior.

Todos estamos a carpir um luto que só terminará quando nós próprios terminarmos.

Por mim nunca esquecerei a figura de um índio da Amazónia, de que em tempos vos referi: Idoso, nu, enrugado, esquelético, armado com arco e flecha, clamava contra os madeireiros que lhe destruíam a floresta…” não tirem a pele à Terra, porque nenhum ser vivo pode viver sem pele!!!”

Uma árvore ao longo da sua vida armazena até vinte toneladas da CO2 (tronco, ramo, raízes). Numa floresta, por cada metro quadrado de terreno existem vinte e seis metro quadrados de folhagem. A floresta amazónica consome hoje, menos trinta por cento de CO2 do que há trinta anos atrás!

Estamos a assistir a um infortúnio que não terminou…longe disso, segue-se a erosão descontrolada, com toneladas e toneladas de solos férteis a irem…água-abaixo! A contaminação dos lençóis freáticos, o aumento das secas, etc, etc.

No Norte do concelho deparamos com encostas descarnadas onde somente o (agora) ultrajado pinheiro conseguia sobreviver. Símbolo da nossa Beira e da nossa tristeza, apesar de tudo…ele, o incriminado, deu-nos rezina, água-raz, pez-louro, madeiras eternas, (manso) pinhas, lenhas, estrumes!

O rio Seia – três meses seco como nunca esteve, nem gota de água corria. Rãs, peixes, cágados, cobras…ecossistemas perdidos para sempre. E a polininisação que abelhas e outros insetos trabalhavam?

E este lamento não termina, continua com a descrença total nos organismos do Estado, que tentam ajudar, mas como sempre…atolados numa sempre infernal burocracia que os paralisa.

Sobre ordenamento do território, sobre o ordenamento da floresta…tudo calado! Curiosamente o Mestre Jorge Paiva já declarou que o reflorestamento das nossas matas já devia ter começado.

Resta-nos a esperança, o verde dos nossos prados a alegrar-nos a alma e o renascer de uma nova vida…mas plena de dificuldades.

Sim! O Beirão é tristonho, mas uma vez mais da tristeza e do granito fará a resistência para encarar o futuro!

 

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