Em Portugal, nem o próprio Estado é responsável

Francisco Antunes
Francisco Antunes

Desde a chegada da Liberdade, esta, foi imediatamente confundida com a irresponsabilidade, com a complacente anuência dos Homens Públicos.

Antes de mais, uma palavra solidária e respeitosa pelo luto e intenso sofrimento de toda a população atingida pela catástrofe dos incêndios. Como todos nós também temos sido fustigados pelos fogos, sentimos bem a angustia e desolação daquelas gentes.

Muito se diz, muito se escreve sobre as causas dos incêndios até eu, que sou razoavelmente estupido, emito a minha modesta opinião. Curiosamente, antes desta fatalidade, o Senhor Presidente da República, numa atitude preditiva disse aos Portugueses: Vale mais uma má democracia que uma boa ditadura!!!

Causas essencialmente políticas.

Desde a chegada da Liberdade, esta, foi imediatamente confundida com a irresponsabilidade, com a complacente anuência dos Homens Públicos. Repare-se que a actual classe política …eram os jovens que naquele tempo frequentavam as Escolas e onde lhes foram “injectadas” doses maciças de “direitos” sem uma palavra sobre os inerentes “deveres”, o civismo, a lealdade, a responsabilidade.

Doses maciças de “marxismo”…em que o Estado dá tudo: saudade, educação, habitação, emprego…e se o Estado tudo dá, para quê trabalhar? Pelo menos temos reforma, salário, subsídios vários…”a terra a quem a trabalha”…!!! Mas trabalhar a terra provoca calos nas mãos, suores no rosto, dores nas costas, sujeitos a chuvas e trovoadas…! Fuga maciça para o litoral, fuga maciça para as cidades, fuga maciça (dos melhores) para o estrangeiro.

Os campos foram abandonados, os matos cresceram, o fogo tudo levou, a erosão descarnou as terras, a dívida externa ronda os cento e cinquenta milhões de euros…até o grão de bico vem da Argentina!

Em Portugal, nem o próprio Estado é responsável. O impossível acontece dia a dia…o Senhor Presidente da República tem razão: uma desilusão para ele e para todos nós!

 

Na continuação de uma breve visita à Beira Serra queria acrescentar que após conquista definitiva de Coimbra por D. Afonso Henriques houve paz a norte do Mondego e foi premente a necessidade de  reconstruir a linha de defesa militar da Beira Serra, Trancoso, Celorico, Linhares, Seia, Avô…as serranias da Estrela, Açor, Lousã eram barreiras naturais contra os Serracenos que em Castela e Leão continuavam a luta e é desta época que herdamos um património, que embora modesto satisfaz plenamente o visitante culto, amante da História da Região. E sem nos determos na espectacular história de Trancoso que por si só ocuparia uma bela manhã de visita, entremos no casco histórico de Celorico encimado pelo castelo e recheado de moradias quinhentistas. Belos solares e a memória de Sacadura Cabral honram aquela vila.

Depois Linhares, o castelo e a judiaria, adiante Folgosinho, as suas lendas e a sua gastronomia e de onde, hoje, se poderá iniciar um belo passeio em boa estrada em direcção a Manteigas: floresta, pastorícia, e já muito poucas habitações de pastores recobertas de giestas. Em Meio, recordar é viver…a memória do escritor Virgílio Ferreira. Gouveia e os seus solares, o museu Abel Manta. Moimenta e o seu notável museu, Santa Marinha e as suas bem conservadas casas quinhentistas. Seia, recordemos o seu primeiro Governador — D. Afonso, filho bastardo de D. Afonso Henriques o que significa a importância do seu burgo e do seu termo, na defesa do território recentemente libertado do jugo mourisco. Nesta cidade será obrigatório uma visita ao Centro de Interpretação da Serra da Estrela (C.I.S.E.), uma visita Capela de S. Pedro — monumento nacional, museu do Pão e museu da Electricidade na Senhora do Desterro a nascente de S. Romão.

Em Oliveira do Hospital: Capela dos Ferreiros — monumento Nacional, a igreja matriz e a sua relação com a Ordem de Malta, a Casa Museu de D. Maria Emília de Vasconcelos, as ruínas romanas da Bobadela e a Igreja Moçárabe de S. Pedro de Lourosa.

A não perder Vila Cova do Alva e o seu antigo bairro; estamos no fim, ou princípio da jornada, Arganil tem a mostrar, e bem, a Igreja de S. Pedro e o mosteiro de Folques.

De modo algum esquecer o Piódão e os seus acessos pela inesquecível Aldeia das Dez e santuário de Nossa Senhora das Preces.

Foram breves notas para uma visita, acepipe de delícias para uma mais abundante refeição.

Se gostaram.. .voltem!!!

 

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