Alexandrino acusa PSD de ter faltado ao 25 de abril por “vergonha” das políticas do Governo

Folha do Centro - Alexandrino acusa PSD de ter faltado ao 25 de abril por “vergonha” das políticas do Governo

Concelhia de Oliveira do Hospital justificou ausência na habitual sessão solene comemorativa do dia da liberdade, alegando que o concelho vive num clima “antidemocrático”.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital lamentou a ausência dos deputados municipais do PSD e da sua Comissão Política Concelhia, na habitual sessão solene comemorativa do 25 de abril que tem lugar nos Paços do Município, onde cada força partidária com representação no concelho é convidada a fazer uma intervenção política e só encontra uma justificação para o maior partido da oposição no concelho não ter aparecido: foi “por vergonha da forma como este Governo tem tratado o concelho de Oliveira do Hospital”, referiu José Carlos Alexandrino.

O edil não deixou de criticar, tanto mais, a ausência do PSD quando este partido tem sido “sempre tratado por este executivo e pelo seu presidente com consideração e respeito”, sendo aliás “sempre chamado a fazer propostas para a construção dos planos e orçamentos” e para a discussão de “outros assuntos relevantes para o futuro do concelho”.

Alexandrino entende que o facto do PSD não se ter feito representar é um desrespeito e “envergonha” todos os sociais democratas que “lutaram pelo 25 de abril”, e é só a prova de como os dirigentes locais do partido também se recusam a “encarar as pessoas” perante um conjunto de políticas do Governo que tanto têm prejudicado o concelho e contra as quais “não fizeram absolutamente nada”. “Mas também percebo que esta Comissão Política pague por executivos anteriores que não comemoravam o 25 de abril com esta dignidade, dando voz a outras forças políticas”, referiu ainda o edil, para quem o PSD concelhio se limitou a “arranjar desculpas de mau gosto” para não se fazer representar nas cerimónias solene, alegando nomeadamente que o concelho vive atualmente um clima antidemocrático. “Isto é desonesto politicamente”, afirmou Alexandrino, acreditando que “nunca Oliveira do Hospital” viveu “uma democracia tão plena” onde os “oliveirenses se sentem próximos do poder”.

Uma proximidade que não é correspondida pelo poder central, que 41 anos após o 25 de abril, deixa o país e o concelho, nalguns casos, “pior” do que estava anteriormente. Alexandrino apontou três áreas fundamentais onde Oliveira do Hospital perdeu terreno nos últimos anos de governação PSD/CDS: saúde, educação e justiça, lembrando que as reformas “impostas” pela direita têm deixado os oliveirenses pior do que estavam há uns anos. “Vejamos o que tem acontecido na saúde onde mais de metade da população está sem médico de família e tem o acesso cada vez mais dificultado aos cuidados médicos”, aludiu o autarca, que apontou também o caso da justiça, em que os oliveirenses viram o seu tribunal ser “desclassificado”, obrigando-os a deslocarem-se a Coimbra, Soure ou mesmo Montemor, para muitos dos julgamentos que até aqui eram realizados no concelho.

Também na área da educação, Alexandrino não deixou de concluir que “Oliveira ficou pior do que estava” com a concentração dos agrupamentos escolares num só, fazendo com que a escola pública seja cada vez mais um espaço de problemas. Acreditando que ainda há muito para fazer para “endireitar” o que muitos “desvirtuaram” do 25 abril, o presidente da Câmara foi ainda uma voz critica relativamente ao “discurso” dos cofres cheios, quando “eu todas as semanas luto com o desespero de muitos munícipes” que deixaram de ter emprego ou simplesmente condições de poder sequer pagar as suas obrigações mensais. “Isto choca-me a mim e a qualquer pessoa decente”, afirmou, lamentando ainda a carga fiscal imposta aos empresários, sobretudo aos oliveirenses, que lutam em desigualdade de circunstâncias com os demais, continuando com estradas do tempo da monarquia, com mais de 200 anos, constituindo “um grande obstáculo ao nosso desenvolvimento”.

Inconformado com o estado a que chegou o país, 41 anos depois do 25 de abril, mostrou-se ainda o representante da CDU nesta sessão solene, João Dinis, que apelidou esta “gente” que governa o país de “perigosa”, “não por andar de pistola à cinta” mas porque “teimam em safar-se à custa da desgraça dos outros”.

Visão oposta trouxe o jovem líder da Juventude Popular, Rafael Dias, que se congratulou por hoje Portugal ser um país mais “livre e plural”, dizendo ainda acreditar em si e na sua geração para construir um país mais solidário que não se “confunda com casos como o BPN, Freeport, com o caso BES ou Casa Pia”.

 

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