Alexandrino acusou o líder do PSD de “querer ganhar eleições com a desgraça alheia”

Assembleia Municipal

João Brito disse na Assembleia Municipal que há pessoas a “passar fome” no concelho.

O presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital acusou o deputado do PSD, João Brito, de “querer ganhar eleições com a desgraça alheia”. Em reunião da Assembleia Municipal, o social-democrata criticou o executivo por dar inicio à “época de festas” e estar a “atribuir verbas” para a sua realização quando, na sequência do grande incêndio, “as suas populações passam fome”.

Naquela que foi a sua principal intervenção na Assembleia Municipal, de 29 de junho, João Brito centrou atenções na recuperação do concelho após o grande incêndio de 15 de outubro, para questionar o executivo de José Carlos Alexandrino acerca da limpeza das bermas, recuperação de habitações e respetiva entrega aos lesados, acompanhamento mental e ajuda na elaboração de projetos.

A considerar que o executivo não terá moral para aplicar coimas aos proprietários que não procedam à limpeza de terrenos, porque nas bermas, o mato chega a “dois metros de altura”, João Brito lembrou o facto de noutros concelhos, alguns autarcas terem sido constituídos “arguidos” pela ocorrência de incêndios. Também verificou que a própria Federação Portuguesa de Futebol foi mais rápida que o município, tendo já procedido à entrega de uma casa recuperada no concelho. João Brito foi, depois, mais longe ao criticar o executivo por iniciar a época de festas e “atribuir verbas para festas” quando “as suas populações passam fome e vivem em desespero”.

Para o presidente da Câmara Municipal, a intervenção de João Brito reflete preocupações eleitoralistas. José Carlos Alexandrino não hesitou por isso em acusar o líder do PSD de querer “ganhar eleições à custa da desgraça alheia, dos incêndios e das festas”. Esclareceu, porém, que “as festas deram 6-1 ao PSD “ e o partido “já deveria ter aprendido com estes resultados”.

“Estas pessoas esquecem-se da maior tragédia vivida no concelho e estavam à espera que, ao fim de oito meses, os problemas estivessem todos resolvidos, como se eu tivesse capacidade de fazer o milagre da Fátima. Mas não tenho”, reagiu ainda o autarca, verificando que até agora “nem tudo foi feito, mas muito foi feito”. José Carlos Alexandrino desafiou ainda os presidentes de Junta a identificarem as pessoas que “passam fome no concelho”.

As críticas ao executivo municipal surgiram também do lado do CDS-PP, com o jovem Rafael Dias a questionar a distribuição dos bens que chegaram ao concelho, no âmbito da grande onda de solidariedade. O jovem centrista pediu a José Carlos Alexandrino a lista do que “foi doado, a quem e o que falta ser dado”, na expectativa de que “o executivo não tenha tido a desfaçatez de fazer política com os bens doados”.

Para Carlos Maia (PS) “é muito triste e lamentável que um jovem venha aqui acenar com desgraças que se passaram no concelho e a dizer que se andaram a dar bens para se fazer política”. “O menino tem muito crescer e pensar nessa cabeça. Cresça”, sustentou o socialista que também criticou a intervenção de João Brito (PSD).

 

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