Alexandrino deverá deixar “mensagem de esperança” aos oliveirenses em dia feriado no concelho

Folha do Centro - Autarca denuncia “desespero” provocado por grandes operadoras

Comemorações do Feriado Municipal tiveram início no dia 1 de outubro e têm como ponto alto, esta quarta-feira, a habitual sessão solene no salão nobre dos Paços do Município onde são agraciadas instituições e personalidades concelhias que se distinguiram pela sua ação em prol da comunidade.

Abolidas a nível nacional, as comemorações da implantação da República continuam a ser motivo de feriado, no concelho de Oliveira do Hospital.
Esta quarta-feira, e porque reza a história que a notícia da chegada do novo regime político só terá tido eco no Município dois dias depois, ou seja, no dia 7 de outubro, a Câmara Municipal mantém “intacto” o seu feriado neste dia, aproveitando a efeméride para homenagear filhos e instituições distintas da terra, e para fazer também uma espécie de “estado do concelho” nas habituais intervenções políticas que têm lugar na sessão solene nos Paços do Município. Este ano não vai ser exceção.
Poucos dias depois do país ter ido a votos para escolher um novo governo, José Carlos Alexandrino, o presidente da Câmara Municipal, deverá preparar-se para deixar uma mensagem de “esperança” aos oliveirenses, os mesmos que, “contra ventos e marés” têm sido, segundo o edil, os grandes obreiros do desenvolvimento do concelho. “A história tem demonstrado que os oliveirenses souberam sempre reagir às adversidades e construir o futuro pelas suas próprias mãos”, entende o autarca, que neste dia, irá realçar uma vez mais o esforço dos empresários oliveirenses em manter vivos os seus investimentos e os postos de trabalho neste território.
“Oliveira do Hospital sempre teve e continua a ter uma grande dinâmica empresarial e há que transmitir essa força coletiva”, reforça Alexandrino para quem o combate ao desemprego foi e continua a ser uma das grandes lutas do seu mandato autárquico. “Não há luta maior que essa”, diz, ao mesmo tempo que lembra as medidas e as políticas entretanto implementadas pelos seus executivos nesta área.
“Mexemos com alguns regulamentos que nos permitem ter hoje alguma flexibilidade no apoio aos investidores, antes era um deserto nesta área, nem regulamentos existiam”, recorda o presidente da Câmara, dando como acertada a estratégia de apoio aos empresários, pois, como muitas vezes diz, apesar “competirmos com 305 municípios nesta matéria”, há “trabalho feito nesta área” o que se reflete, segundo adianta, no facto de “não termos qualquer lote disponível na Zona Industrial da cidade” e de “pela primeira vez, em mais de 20 anos, termos conseguido fixar uma empresa na ZI da Cordinha”. “É esse trabalho que temos colocado em primeiro plano, porque acima de tudo precisamos de empresas para poder fixar as pessoas. Sem fixar os nossos jovens, sem criar condições para que eles continuem cá e não emigrem, não conseguimos ter futuro, porque temos uma população já muito envelhecida”, considera Alexandrino, que esta quarta-feira, deverá aproveitar para reconhecer o trabalho de todos quantos diariamente se esforçam por tornar Oliveira do Hospital um concelho melhor, mais desenvolvido, mais moderno e mais criativo.
“Acima de tudo aquilo que eu posso dizer é que nós acreditamos nas pessoas, nas nossas gentes que criam riqueza”, faz notar, lembrando que esta dinâmica tem contado com um grande “obstáculo” como são as acessibilidades, pois, apesar das lutas travadas em várias frentes para ver este problema resolvido – uma das últimas foi uma marcha lenta na Nacional 17 – “sem estradas dignas desse nome, o concelho continua a não ter as mesmas condições de competitividade que têm outros concelhos”. “É uma luta que não deixaremos de travar com o novo governo”, faz antever Alexandrino, dando conta, apesar de tudo de “alguns sinais positivos” das infraestruturas de Portugal relativamente à possibilidade de lançamento de “mais alguns quilómetros” do IC6 pelo menos até ao concelho mais próximo de Seia. “Nós fizemos o nosso trabalho de casa, e penso que estarão reunidas as condições para o lançamento desse lanço, num prazo relativamente curto de tempo” acredita o autarca que, desacreditado com o anterior governo em relação a este e outros dossiês sensíveis para o concelho, espera agora que a renovação do governo PSD/CDS possa “abrir novos canais de diálogo” com a Câmara Municipal. “Não iremos desistir de corrigir essa injustiça”, garante.

Diálogo precisa-se na saúde

Se há setor que preocupa o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital é a saúde, pelo que esta quarta-feira, José Carlos Alexandrino não deixará de partilhar este problema com os oliveirenses.
Desfalcado de médicos e de serviços de saúde de proximidade, o concelho de Oliveira do Hospital vive uma das piores crises de sempre em termos de assistência médica às populações, havendo, nesta altura, várias extensões de saúde encerradas por falta de recursos humanos que, entretanto, foram chamados a assegurar o serviço de atendimento permanente do Centro de Saúde, para este não encerrar no período da noite, como já esteve ameaçado. “As pessoas só não têm sentido esses problemas devido à resposta que a Câmara Municipal tem dado, substituindo-se muitas vezes ao Estado central, nesta matéria”, garante o edil, que lamenta a insensibilidade dos até aqui responsáveis por esta área na região e no país, ao não aprovarem um projeto inovador para a saúde no concelho e que colmataria, na sua opinião, os graves problemas de falta de médicos e de assistências aos mais de 20 mil utentes inscritos no Centro de Saúde local.
“Esperamos que nesta renovação do governo que haja mudança de protagonistas nesta área que possam dar respostas a Oliveira do Hospital que outros não quiseram dar”, remata o edil, criticando o “colapso” dos cuidados primários de saúde em Oliveira, quando a cidade tem instituições e unidades de saúde com capacidade para oferecer outro tipo de respostas, como é o caso da Fundação Aurélio Amaro Diniz, onde há muito se fala na criação de um serviço de urgências com “todos” os meios de diagnóstico que o SAP não disponibiliza. “Também nesta área vamos ter esperança que vamos conseguir novas pontes de diálogo” adianta, lamentando que atualmente cerca de metade da população do concelho esteja sem médico de família, afetando sobretudo idosos e utentes mais carenciados. “Não tem sido por falta de esforço da Câmara Municipal que isto acontece, temos ido à luta, oferecendo alojamento a médicos que se queiram fixar em Oliveira” diz, fazendo notar que também recentemente a Câmara Municipal se disponibilizou a comparticipar consultas no privado às populações mais necessitadas. “Vamos ver se concretizamos estes anseios”, diz, ao mesmo tempo que promete não baixar os braços perante estes e outros “combates” que tem pelo concelho que lidera.

 

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