Alexandrino garante que “reerguer o concelho” é a sua principal “responsabilidade” no novo mandato

Alexandrino tomada de posse

novo executivo em permanência

Tomada de posse dos novos órgãos autárquicos, eleitos no passado dia 1 de outubro, marcada pelo trágico incêndio que devastou Oliveira do Hospital.

A memória do fatídico do dia 15 marcou, no passado dia 27, a cerimónia de tomada de posse dos novos órgãos autárquicos em Oliveira do Hospital.

Com o concelho de luto, o que era visível nos rostos contidos dos novos autarcas, Alexandrino fez o discurso que “não queria nunca ter feito” apontando a recuperação do concelho como a sua principal “responsabilidade” para aquele que é o terceiro e último mandato como presidente de “todos os oliveirenses”.

Uma responsabilidade que, fez notar, “começou logo no dia seguinte” ao dia “mais trágico da vida de Oliveira do Hospital”, quando a Câmara Municipal deitou mão aos mais de 100 desalojados do fogo e restabeleceu, em tempo recorde, alguns serviços básicos, como o abastecimento da água da rede pública à população em todo o território do concelho. “No dia seguinte arregaçámos todos as mangas e começámos a reerguer o concelho” referiu o edil, que perante uma “catástrofe violenta” como aquela que se abateu no passado dia 15 nas 84 localidades do concelho, tem dirigido a sua ação política para o “regresso à normalidade”.

Na retina de todos estão, todavia, as imagens de “uma tragédia que chocou Portugal e o mundo”, transformando Oliveira do Hospital num mar de cinzas. “94% da área florestal do nosso concelho, segundo dados do ICNF, foi consumida pelas chamas, dezenas e dezenas de pessoas perderam os seus pertences, muitas das nossas empresas, pelo menos 95, ficaram calcinadas, é o maior desastre da história de Oliveira do Hospital”, referiu o autarca, lembrando que a calamidade vivida no passado dia 15 destruiu ainda 242 habitações no concelho, sendo que 128 são de primeira habitação, e afetou mais de 480 postos de trabalho “obrigando a que muitos empresários tenham agora de começar do zero”.

Alexandrino não tem dúvidas que o cenário vivido no domingo, dia 15 de outubro, no concelho – um dos mais afetados, senão mesmo o mais afetado pelo grande incêndio – “é só comparável às grandes catástrofes que atingem a humanidade”. “Nunca ninguém viu um incêndio assim, mais parecia um tufão de fogo”, observou, reconhecendo que perante a “dimensão galopante” que este atingiu em poucas horas, “era humanamente impossível acudir a tantas pessoas que precisavam de ajuda”. “É óbvio que o dispositivo de Proteção Civil falhou completamente”, considerou, ainda assim, o edil, para quem a catástrofe que devastou o concelho é o resultado de sucessivas políticas de desinvestimento no interior do país e de encerramento dos seus serviços públicos. “É bom que este Governo olhe para o interior de outra forma” exortou o presidente empossado, que promete não deixar cair uma das grandes reivindicações dos oliveirenses que é a conclusão do IC6.

Com um concelho a tentar levantar-se da maior tragédia de sempre, Alexandrino aproveitou para realçar o trabalho que tem vindo a ser feito nos últimos dias, nomeadamente na reconstrução das habitações que arderam, mas também o esforço no sentido de agilizar os mecanismos de apoio ao tecido empresarial que saiu fortemente abalado deste incêndio. “A nossa principal responsabilidade é reerguer Oliveira do Hospital e fazer com que os oliveirenses voltem a ser um povo feliz”, afirmou o autarca, agradecendo ainda o gigantesco “cordão de solidariedade” que tem chegado de todos os lados a Oliveira do Hospital, contribuindo assim para o restabelecer da normalidade.

Com o concelho em estado de sítio, Alexandrino admitiu ter que “reequacionar” algumas das medidas vertidas no seu programa eleitoral, considerando que na primeira linha da ajuda “terão de estar sempre as pessoas”.

Também a nova presidente da Assembleia Municipal, Dulce Pássaro, falou nos desafios que se colocam ao concelho no quadro da sua reconstrução e deixou a promessa de “tudo fazer” para que o órgão vai agora liderar saia “prestigiado e respeitado”. “Temos de estar especialmente atentos ao que pode vir a correr menos bem”, pois “há sempre os velhos do Restelo que aparecem nestas alturas para destabilizar”, advertiu a presidente da Assembleia Municipal, acreditando na “capacidade de luta das nossas gentes” e na “resiliência dos empresários”, para “nos reerguermos”.

Depois de um minuto de silêncio em homenagem às vítimas, o presidente cessante da Assembleia Municipal, Rodrigues Gonçalves, lamentou “profundamente” a “maior catástrofe que há memória no concelho” e afirmou estar disponível, passada esta fase de emergência, para, no plano da cultura, colaborar com a Câmara Municipal.

 

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