Ana Abrunhosa voltou a Oliveira do Hospital na reta final da entrega das casas

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Presidente da CCDRC entregou mais 17 casas a vítimas dos incêndios de 15 de outubro 2017. Faltam concluir apenas quatro habitações do Programa de Apoio à Reconstrução de Habitação Permanente.

Menos de dois anos depois do grande incêndio de 15 de outubro de 2017, e apesar dos problemas que marcaram o processo de reconstrução das casas de primeira habitação, a presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa, voltou, esta quarta-feira, dia 3, a Oliveira do Hospital para entregar aquele que é já praticamente o último “lote” de casas que faltava concluir.

Foram entregues as chaves a 17 famílias oliveirenses vítimas dos incêndios, encontrando-se por concluir apenas quatro habitações da responsabilidade da CCDRC, num total de 121 aprovadas pelo Programa de Apoio à Reconstrução de Habitação Permanente. A cerimónia da entrega das chaves teve lugar na Câmara Municipal, onde estiveram presentes as várias entidades intervenientes no processo, desde empreiteiros, aos técnicos que acompanharam os trabalhos e as vítimas, que depois de todo o sofrimento por que passaram podem finalmente regressar às suas casas. “Hoje é um dia feliz”, confessou, emocionada, a presidente da CCDRC, que agradeceu a paciência de quem perdeu tudo o que de mais sagrado tinha, por ter esperado este tempo todo para voltar a ter uma casa com “dignidade”.

“Todos desejaríamos que fosse mais rápido, mas o que vos digo é que da parte da equipa técnica trataram de tudo como se da casa deles se tratasse”, assegurou, fazendo notar que a demora teve também a ver com o facto de terem sido “cuidadosos” na atribuição dos apoios, pois “chegámos a um ponto em que se desconfia de tudo e de todos”. “A nossa maior preocupação foi que as pessoas voltassem a ter um teto com a maior dignidade, e a lei previa que melhorássemos as condições das casas, porque havia casas que nem casa de banho tinham, que o quarto dificilmente se cabia lá, porque as pessoas não são ricas, são pobres”, mas “há pessoas em Lisboa que não sabem disso”, lamentou Ana Abrunhosa, pedindo às vitimas para não se queixarem a quem nunca “pôs um tijolo nas suas casas”, porque isso vai voltar a fazer com que sejam “vitimas outra vez”.

Apelidando o presidente da Câmara de “presidente coragem” por ter sido “o único que reuniu com todas as famílias” e falou com todos os empresários, não desistindo de lutar pelos apoios às empresas oliveirenses, Abrunhosa fez notar a “fibra” de que são feitos os empresários de Oliveira do Hospital que apesar de terem sido os mais afetados, não fecharam portas, nem postos de trabalho e continuaram a laborar. “Em Oliveira foram afetadas 98 empresas, isto é uma brutalidade, nem tenho adjetivos”, afirmou, lembrando que só para o tecido empresarial foram aprovados apoios de 17 milhões de euros, estando executados neste momento mais de 50%.

A passos largos de ver terminado aquele que foi o pior processo da sua vida enquanto autarca, com a reconstrução de 121 casas de primeira habitação e perto de 100 empresas, o presidente da Câmara Municipal, José Carlos Alexandrino, agradeceu o empenho da presidente da CCDRC, que “viveu” intensamente este processo. “Foi um processo cheio de problemas, de dificuldades, mas não foi uma questão de boas vontades, se fosse possível fazer um click e ter as casas todas fazíamo-lo, mas também não quisemos ter problemas como outros tiveram”, fez notar Alexandrino, lembrando que Oliveira do Hospital foi o concelho com maior número de casas de primeira habitação ardidas. “Peço desculpa por não termos sido mais rápidos, mas o nosso concelho foi o mais afetado, tivemos um problema gigantesco”, referiu o edil, lamentando que “haja gente que se aproveite da desgraça dos outros” para aparecer nos jornais e nas televisões.

 

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