Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital ratifica destituição de António Lopes

Folha do Centro - Assembleia Municipal unânime na aprovação de empréstimo de dois milhões de euros

Proposta foi ontem votada por uma maioria expressiva dos eleitos e teve como objetivo, segundo a Mesa, acabar com a “novela” criada pelo ex presidente.

A Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital aprovou ontem por uma maioria expressiva dos votos a ratificação da destituição do ex presidente António Lopes, aprovada em reunião deste mesmo órgão, no passado mês de abril.

Uma votação que, apesar de não ser obrigatória, teve como “intenção”, segundo o atual presidente da Assembleia Municipal, Rodrigues Gonçalves, “acabar com a novela” em que se transformou o afastamento de António Lopes do lugar, nomeadamente a discussão em torno da legalidade da deliberação tomada pela maioria dos membros da assembleia de destituírem aquele que elegeram para seu representante.

Aprovada por 25 votos a favor, 5 contra, 3 brancos e 3 abstenções, a proposta suscitou um dos mais acalorados momentos do debate politico, com o atual presidente da assembleia a ser acusado pelo deputado do CDS, Luís Lagos, de ter sido o “gestor da destituição” do seu antecessor e de ter começado o mandato “mal”, já que se a questão passou para o plano jurídico “devem-se respeitar as decisões dos tribunais até ao fim”. “Votarei contra esta ratificação, porque não posso caucionar uma trapalhada como foi a destituição do senhor António Lopes” defendeu o eleito do CDS, julgando que o afastamento do ex presidente da Assembleia devia ter sido feito com a “dignidade” que o cargo merece. “O senhor António Lopes foi corrido à pressa”, o que “não dignifica esta Assembleia e a confiança que os oliveirenses depositaram em nós”, considerou ainda Luís Lagos.

Apesar das decisões dos tribunais não lhe serem favoráveis até agora, na medida em que quer a providência cautelar, quer a queixa apresentada à Procuradoria da República no sentido de tentar anular a deliberação tomada pela Assembleia Municipal em abril, são conclusivas quanto á inexistência de fundamento para a sua impugnação, António Lopes mantém as mesmas dúvidas quanto à legalidade dos atos praticados pela Assembleia, embora saiba que “está demitido politicamente desde o dia 28 de dezembro”. “Desde que eu disse no dia 28 de dezembro que estava fora deste projeto, eu sabia que estava na rua, politicamente estou demitido desde essa altura, juridicamente não sei se estou”, afirmou, todavia, o ex presidente da Assembleia, que além de já ter anunciado que não irá desistir do processo em tribunal, disse agora estar também a “ser escrito um livro sobre as asneiras que se estão aqui a fazer”. “Eu não quero prejudicar o concelho, mas façam o favor de dignificar esta Assembleia”, exortou ainda Lopes que fez questão de dizer que iria “boicotar” a votação, apesar de pretender intervir em todos os pontos da ordem de trabalhos.

Justificando as divergências com o executivo camarário, ao dizer que não foi eleito para estar “caladinho”, Lopes acrescentou que irá “pugnar pela democracia neste concelho” que, segundo ele, “nunca esteve tão comprometida”. “Agora até censuram quem almoça e quem toma café comigo”, denunciou, garantindo que não foi por esta democracia que andou a lutar no passado.

 

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