Associação de Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal recusa-se a aceitar “menos ajudas” que Pedrogão

Associação de Vitimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal recusa-se a aceitar “menos ajudas” que Pedrogão

No dia em que o Governo lançou os primeiros avisos para as empresas atingidas pelo grande incêndio se poderem candidatar aos apoios à sua recuperação, a Associação de Vitimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal, criada em Oliveira do Hospital, já veio manifestar o seu desagrado com o nível das ajudas que, não obstante a demora, chega agora ao terreno.

Num comunicado enviado à imprensa, e “numa primeira análise” às medidas lançadas pelo executivo de António Costa, o líder deste movimento, constituído formalmente na passada sexta feira, Luís Lagos, entende que estas acabam de “qualificar os empresários das regiões afetadas pela destruição dos incêndios nos dias 15 e 16 de outubro como portugueses de terceira”. “Se os empresários do interior já se sentiam portugueses de segunda por desenvolverem a sua actividade em territórios de baixa densidade, com dificuldade de acesso aos centros de decisão, com parcas vias de acesso, agora, percebem que, perante esta tragédia, de que não tiveram culpa e que resulta da incúria do Estado e sucessivos governos, ainda merecem menos apoio do que aquele que foi atribuído às empresas afectadas pelos incêndios de Pedrógão”, afirma a AVMISP, considerando inevitável a comparação com Pedrogão em que “ todas as empresas afectadas mereceram uma ajuda do Estado de 85% a fundo perdido para a sua recuperação” enquanto que, “numa tragédia que ainda foi maior em destruição material, de actividade económica e de emprego” como foi a que aconteceu nesta região, “o mesmo Estado, o mesmo governo, só atribui uma ajuda de 70% quando o dano é superior a 200 mil euros”.
“Não entendemos o abandono a que estávamos sujeitos antes da tragédia. Não percebemos o abandono a que estivemos sujeitos durante o fogo. Não aceitamos ser tratados como portugueses de terceira, quando perante catástrofe, infelizmente, ainda maior que a de Pedrógão, acabamos por obter menos ajuda, menos apoio à reconstrução das empresas, do emprego e da região”, faz notar Luís Lagos, inconformado perante “tamanha injustiça”. “Se fosse para salvar um banco a classe política mobilizar-se-ia a 100%. São esses mesmo 100% de mobilização que exigimos ao governo e a todos os partidos políticos para que possamos repor alguma justiça na presente situação e recuperar a região fortemente marcada pela interioridade” apela o líder daquela associação de vitimas, prometendo, ao final de 22 dias da maior tragédia em destruição material que Portugal conheceu em séculos, não calar a sua voz.

 

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