Autarca acusa Governo de falta de vontade política para resolver problema dos IC’s

Folha do Centro - Governo investe 38 milhões de euros no IC6 entre Tábua e Oliveira do Hospital, projeto até julho

Presidente da Câmara de Oliveira do Hospital queixa-se ainda de dificuldades de “diálogo” com as Estradas de Portugal sobre o estado da Nacional 17 e Nacional 230.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, acusa o governo de falta de vontade política para resolver o problema das acessibilidades a esta região, nomeadamente o IC6, cujo último troço termina num pinhal no limite do concelho de Tábua com Oliveira do Hospital, mas também o IC7 de ligação à A25.

O autarca falava esta semana a propósito do estado degradante em que se encontram alguns troços da Nacional 17 e ainda da falta de acessos ao maciço central da Serra da Estrela, reclamados pelo autarca de Seia. “Se houvesse alguém com visão em termos de futuro desta região esta estrada (IC6) já teria de estar feita”, referiu o edil, aplaudindo a posição do presidente da entidade Turismo do Centro, Pedro Machado, que defendeu a conclusão deste itinerário, tendo em conta que o eixo Oliveira, Seia e Gouveia, constituem uma das principais portas de entrada na Serra da Estrela, e naquele que é um dos principais destinos turísticos de inverno em Portugal.

“Fala-se muito em turismo e depois assiste-se a esta vergonha que é a falta de acessos dignos à Serra”, constata o autarca, que aponta essencialmente “falta de vontade política a este governo do PSD para resolver este problema do IC6 e do IC7 que nos envergonha a todos”. “O Ministro Poiares Maduro fez uma declaração política sem substância (aquando da deslocação recente a Tábua) porque aquilo que ele diz é que é o quadro comunitário é que tem de apoiar estas obras, ora isto não faz sentido nenhum porque as outras estradas nunca foram do quadro comunitário”, sustentou Alexandrino, acusando a Tutela de querer atirar responsabilidades para cima de Bruxelas e da CCDRC, que é quem gere o quadro comunitário na região centro.

“Estamos a fazer um grande esforço juntamente com a senhora presidente da CCDRC, já entregamos na Comissão de Mobilidade em Bruxelas o diagnóstico da situação e um caderno de encargos e por isso aguardamos que seja encontrada uma solução”, adiantou, lamentando que o Governo se escude num “chavão” de que “não vai haver mais dinheiro para estradas” para não concretizar estes eixos rodoviários reclamados há várias décadas por autarcas e forças vivas de uma região. “Eu concordo que não haja mais dinheiro para estradas mas é onde elas já existem, eu não tenho nada contra quem tem boas estradas, eu só reivindico aquilo que nós não temos que é uma estrada digna desse nome”, defende o autarca do PS, que espera que o próximo primeiro ministro seja do Partido Socialista, uma vez que têm sido os governos do PS que ainda têm lançado as poucas vias rodoviárias que servem o concelho.

Vias que no caso da Nacional 17 e da 230 se encontram bastante degradadas e cuja beneficiação, apesar de sucessivamente reclamada, tem vindo, segundo Alexandrino, a ser protelada. “Mais uma vez pedi uma reunião às Estradas de Portugal e essa reunião não foi marcada, nota-se muita dificuldade em dialogarem com os autarcas, é mais fácil falar-se por carta e responder-se por carta”, faz notar o edil que critica a postura das Estradas de Portugal, que já por diversas vezes terá prometido intervenções de fundo na EN17, no troço que atravessa o concelho, e “até agora nada foi feito”. O mesmo se passa com a EN230, entre Vila Pouca da Beira – Ponte das Três Entradas – Alvoco das Várzeas, cujo piso se encontra em muito mau estado, não tendo qualquer previsão de arranjo ou beneficiação, apesar de ultimamente registar um aumento do tráfego essencialmente de turistas, sendo utilizada como alternativa de acesso à Serra da Estrela.

 

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