Autarca de Oliveira do Hospital exorta à “revolta” contra agregação de escolas

Folha do Centro - Autarca de Oliveira do Hospital exorta à “revolta” contra agregação de escolas

Numa conferência sobre o 25 de Abril que contou com a presença de um dos principais protagonistas da revolução dos Cravos.

O presidente da Câmara de Oliveira do Hospital exortou à “revolta de todos” contra o recente processo de fusão de escolas no concelho, que culminou com a criação de apenas um mega agrupamento para todo o território educativo.
José Carlos Alexandrino falava na abertura de uma conferência/debate sobre o 25 de Abril, organizada pelos professores da área de história da Escola Secundária, que contou com o testemunho de um dos principais estrategas da revolução dos Cravos, Otelo Saraiva de Carvalho e ainda o historiador Luís Reis Torgal.
Aproveitando o auditório cheio de professores e alunos para ouvirem, na primeira pessoa, a “história do 25 de abril”, o autarca oliveirense apelou à revolta dos agentes educativos locais contra uma decisão que no seu entender não é mais que “um atentado à educação” no concelho. “Vamos ter que nos revoltar e dizer todos que não”, desafiou o edil, numa referência ao processo de constituição de um só mega agrupamento no concelho, conduzido pela ex diretora regional de educação e sua principal opositora na corrida à Câmara Municipal, nas próximas autárquicas. “Houve alguém que era responsável pela educação que em dezembro disse que vinha acabar com as «capelas em Oliveira do Hospital», mas depois estas pessoas que têm só a sigla politica partidária, não tiveram a coragem de fazer o mesmo no Fundão ou em Cantanhede, onde o número de alunos é o mesmo de Oliveira e onde o marido dessa pessoa até é presidente de uma escola, ou seja, o que era bom para Oliveira do Hospital, não é bom para esses concelhos”, afirmou, em tom de indignação, o presidente do executivo oliveirense, lamentando mais este “um ataque à escola, aos professores, aos funcionários e à qualidade educativa”. “A democracia não é isto, e o 25 de abril também não foi feito para isto”, entende o edil, para quem não é só a educação que está sofrer com uma “democracia musculada” em que as pessoas “pouco contam, contando só os números”, como também em áreas cruciais como a saúde e a justiça em que “estamos a voltar para trás”.
“Este país e este 25 de abril não foi feito para termos uma saúde para ricos e uma saúde para pobres. Não pode haver uma justiça para ricos e uma justiça para pobres”, disse ainda o autarca, inconformado com a desigualdade crescente de oportunidades. “Conheço algumas pessoas de Oliveira do Hospital que por não terem dinheiro para pagar 25 mil euros de impostos às finanças estão presos, mas depois sabemos que há outros que roubaram muitos mil milhões e andam à solta, o 25 de abril não foi feito para isto”, denunciou, pedindo quase uma nova revolta para lutar contra um país cada vez mais desigual.
Uma democracia “possível” nas palavras de Otelo Saraiva de Carvalho, que considera, apesar de tudo pouco prováveloutra revolução como a de 73 no país. “Não haverá condições para um novo 25 de abril” afirmou mesmo durante o debate, dando nota da “desmilitarização” do país, nomeadamente com o fim do serviço militar obrigatório e umas forças armadas praticamente para “acorrer a compromissos internacionais”.
Já o historiador Luís Reis Torgal foi mais cáustico em relação a este período da história recente, lamentando que a democracia esteja entregue a uma lógica de “pragmatismo” quase totalitário em que “se pretende que todos pensem da mesma maneira”, e cada vez menos idealismo. “Algo vai mal quando assim é”, observou o professor universitário, desafiando cada um dos presentes a ganhar “consciência crítica”, num país, que segundo afirmou, está refém de “comentadores”.

 

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