Câmara avança com “resgaste financeiro” aos Bombeiros de Lagares da Beira

Folha do Centro - Direção cessante reage às “suspeições” levantadas pelos atuais dirigentes

Executivo camarário aprovou subsídio extraordinário de 25 mil euros para “salvar” associação humanitária da rutura financeira.

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital aprovou um subsídio extraordinário no valor de 25 mil euros, a acrescer ao subsídio anual de 37 mil euros, com o objetivo de “resgatar” a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Lagares da Beira de uma situação de rutura financeira. Em causa está uma divida a fornecedores que ascende a 65 mil euros, e um déficite nas contas da associação que ronda já os três mil e quinhentos euros mensais.
Os números foram apurados pela atual direção da Associação Humanitária que tomou posse no final de dezembro, deparando-se com um completo “caos” administrativo e financeiro na instituição. O novo presidente, António Maceira Gonçalves, que já passou por esta casa, garante que “dificuldades sempre houve, mas havia rigor”, pelo que não encontra outra justificação para o que veio encontrar, alguns anos depois de ter dirigido esta associação, a não ser alguma “desorganização e desinteresse” por parte dos seus antecessores. “Não encontro outra explicação: ou as pessoas não se dedicaram o suficiente ou não conseguiram controlar bem as coisas, porque a Câmara injetou aqui muito dinheiro e nem sequer houve grandes investimentos. Não se compraram viaturas novas, nem outros investimentos”, constata o presidente da direção, determinado agora em colocar as contas em dia, o que na sua opinião, ainda vai demorar algum tempo até estabilizarem a situação financeira.
Para já, o apoio aprovado pelo executivo de 25 mil euros é uma ajuda “para pagarmos a fornecedores”, pois “esses é que estão a sofrer com a situação”, garante. “A nossa preocupação neste momento é pôr a contabilidade a funcionar porque aquilo que encontrámos foi uma completa desorganização administrativa e financeira”, realça António Maceira, lembrando que assim que a nova direção tomou posse deu conta de que “não havia um único documento de 2012 lançado na contabilidade”.
“Uma instituição destas que não tem um único documento lançado não pode estar organizada, ainda mais quando pagava 300 euros mensais à tesoureira, isto só pode ser desleixo”, refere o novo presidente dos bombeiros lagarenses, não tendo dúvidas que se trata de um caso de gestão “pouco cuidada”, pois “há muito documento ali sem justificação”.
Com o “menino nos braços” desde o final de 2012 a direção de António Maceira lamenta que nenhum dos antigos diretores se tenha disponibilizado a colaborar no esclarecimento de algumas situações, tendo herdado, ao que refere, as contas a “zero” a partir do momento em que foram pagos os salários e subsídios de natal aos funcionários. Aliás, neste momento, a situação financeira “é tão difícil que o próprio presidente da Câmara se mostrou preocupado” e mostrou “boa vontade” em estabilizar a associação, diz o presidente dos Bombeiros, lamentando que a instituição tenha chegado a uma situação de quase rutura financeira, quando as coisas podiam estar em dia, se tivesse existido o cuidado de “ terem a contabilidade a funcionar”. António Maceira entende que o “desinteresse” era de tal forma, que a direção nem sequer cumpria o número mínimo de reuniões previsto nos estatutos. “Os estatutos dizem que a direção deve reunir pelo menos duas vezes por mês, e em 2011 e 2012, fizeram apenas metade das reuniões”, constata o conhecido empresário lagarense, empenhado agora em “endireitar” as contas da associação, contando para já com o apoio da Câmara Municipal, que decidiu também aprovar o pagamento do subsídio anual aos bombeiros em duodécimos, na tentativa de “socorrer” a instituição, até para não colocar em causa, o próprio socorro às populações que é essa a principal função destas associações.
Ainda assim “esperamos que não seja só a Câmara a resolver tudo”, refere o novo presidente da direção, dando conta de vários “incobráveis” de serviços prestados, nomeadamente na área da saúde que, na sua opinião, têm de “acabar” para não penalizarem mais a associação, que luta agora com mais restrições financeiras.

 

 

 

 

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