Câmara investiga descargas ilegais na ETAR da cidade

Folha do Centro - Oliveira do Hospital em vias de ser um dos primeiros municípios do país sem fossas séticas coletivas

Autarquia promete ter mão pesada com os responsáveis.

A Câmara de Oliveira do Hospital está a investigar um conjunto de descargas ilegais na ETAR da cidade, e promete aplicar “coimas elevadas” aos infratores.

O aviso é “sério” e vem do presidente do Município, José Carlos Alexandrino, que na última reunião pública do executivo, denunciou a situação, dizendo estarem a ser desenvolvidas diligências no sentido de averiguar os responsáveis por estas descargas que fazem com que a ETAR oliveirense deixe, pura e simplesmente, de funcionar.

“A ETAR da cidade já tem problemas de dimensionamento em relação à cidade, porque não tem capacidade para o efluente que lhe chega, e agora essas descargas ilegais fazem com que ela deixe de trabalhar”, verifica o autarca, segundo o qual, as suspeitas recaíram já nalgumas empresas, que se provou “não terem nada a ver com o problema”. “Estou convencido que estas descargas são retiradas de fossas sépticas de indústrias com a ajuda de tratores e descarregues nalguns pontos durante a noite”, referiu Alexandrino, aproveitando para deixar um “aviso sério” aos infratores, dizendo que apesar de “não ser a favor da aplicação de coimas” e de ter “o maior respeito pelas empresas e pelo seu trabalho e dinamismo”, a Câmara Municipal não pode deixar de aplicar coimas pesadas nestas situações.

“Todos temos de ter consciência que não podemos prejudicar o colectivo por causa de uma empresa que pratica irregularidades”, considera o edil, lamentando que os autores das descargas não estejam preocupados com os impactos negativos que provocam no ambiente, nomeadamente na linha de água para onde são enviados os efluentes da ETAR da cidade depois de tratados. “A Câmara Municipal terá de aplicar coimas elevadas por uma questão de prevenção e para que as pessoas percebam que não podem brincar com o ambiente”, fez notar o presidente, lembrando que a ribeira junto à ETAR apresenta regularmente um “conjunto de espumas que é uma vergonha”. E por isso, afirmou, “tem de haver consciência”.

O edil aproveitava ainda para dar conta dos investimentos que vão ser realizados nesta área, nomeadamente na ETAR de Oliveira do Hospital que vai ser intervencionada de modo a ficar com capacidade para tratar a quantidade de efluentes urbanos produzidos pela cidade. O investimento, estimado em 1,5 milhões de euros, deverá fazer parte de um pacote de outros investimentos na área do saneamento e abastecimento de água no concelho, cuja assinatura dos contratos está prevista para o próximo mês, em Oliveira do Hospital, contando com a presença do secretário de Estado do Ambiente e presidente das Águas de Portugal.

Além da requalificação da ETAR da cidade, que desde que foi inaugurada nunca funcionou a 100%, o Município prepara-se para lançar a ETAR de Galizes e respetivas ligações técnicas, num investimento de 450 mil euros. “Com certeza que o ambiente agradece”, afirmou Alexandrino, que tem em carteira um conjunto de obras na área do saneamento, no valor de mais de 3 milhões de euros, que inclui as ligações técnicas a ETAR´s que nunca chegaram a ser contempladas aquando da construção das estações de tratamento e a eliminação das fossas sépticas no concelho.

 

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