Câmara Municipal quer transformar ACIBEIRA num pólo de desenvolvimento da região

Folha do Centro - Câmara Municipal quer transformar ACIBEIRA num pólo de desenvolvimento da região

Município de Oliveira do Hospital e Crédito Agrícola fecharam “negócio” do antigo Centro de Negócios de Lagares da Beira.

Um “elefante branco”, finalmente, com solução à vista. A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital formalizou a compra das instalações do antigo Centro de Negócios de Lagares da Beira (Acibeira) ao Crédito Agrícola, que detinha o direito de superfície do espaço, pelo valor de 150 mil euros. Construído na década de 90, com fundos do primeiro quadro comunitário, o antigo centro de negócios custou já, na altura, perto de um milhão de contos, que nunca chegaram a ser rentabilizados, tendo sido progressivamente deixado ao abandono.
Há mais de duas décadas praticamente inutilizado e cada vez mais degradado, o espaço regressa agora “às mãos” do Município, que assume a responsabilidade de o transformar num grande pólo de desenvolvimento da região. “Tenho consciência que comprámos um conjunto de problemas, até agora a desculpa de que aquilo não era da Câmara soava bem, hoje o Município tem um conjunto de responsabilidades que tem de fazer algo por aquilo”, afirmou o presidente da Câmara de Oliveira, José Carlos Alexandrino, durante a cerimónia de assinatura do contrato de “reversão” da Acibeira.
Considerando que a autarquia acaba por fazer um bom negócio com o CA, o autarca acredita acima de tudo estar em causa “o nosso futuro”, na medida em que quer transformar aquele espaço “num pólo de desenvolvimento da região”. “Agora já não temos desculpas para não fazer nada, e o projeto de desenvolvimento que temos para aquele espaço passa pela BLC3”, afirmou o edil, lamentando que “alguns políticos” tenham “inveja” de Oliveira do Hospital ter hoje “um centro de investigação que pode ser pioneiro em Portugal e no mundo”, ligado às áreas dos bio combustíveis e da biotecnologia.
Deslocar para Lagares da Beira e para o antigo centro de negócios todo este “conhecimento” e todos os projetos ligados à atual incubadora de empresas é o objetivo da Câmara Municipal com esta aquisição que, em tempos de crise, também foi conseguida a preços mais baixos que aqueles que já estiveram em cima da mesa no passado. “Houve aqui também uma sensibilidade do Crédito Agrícola para resolver um problema que tinha ali” e, que segundo o autarca, só representa uma “vitória” se se afirmar como um pólo dinamizador da região. “Hoje é acima de tudo um dia de grande responsabilidade, será um dia feliz no dia em que der emprego aos nossos jovens licenciados”, afirmou.
Se não é dia para “cantar vitórias”, este foi, pelo menos, um dia que fez nascer uma nova esperança a Lagares da Beira e ao seu presidente, Raul Dinis, que há muito tempo vinha reivindicando a aquisição deste espaço por parte da Câmara Municipal. “Sei que a BLC3 tem projetos candidatados para aquele espaço, assim os mesmos se concretizem e poderá ser uma forma de revitalizar a Acibeira e desenvolver Lagares da Beira e o concelho”, referiu o autarca, voltando a acreditar no futuro daquele espaço, e na sua capacidade de gerar emprego para os “nossos jovens que bem precisam”.
È essa pelo menos a expectativa do presidente do Conselho de Administração da Plataforma de Desenvolvimento da Região Interior, João Nunes, que depois do “maior falhanço comunitário” que acabou por ser o antigo centro de negócios, assume a recuperação da Acibeira através do projeto de desenvolvimento que a BLC3 tem para esta região. “O espaço tem cinco núcleos de infra estruturas e existem mais dois pavilhões de grande dimensão. A nossa principal preocupação é desenvolver um centro tecnológico numa das naves e na outra apostamos na ligação ao setor agro alimentar e a sistemas de produção agrícola diferenciadores”. “O projeto de recuperação é para ser faseado. Cada área será recuperada com um projeto”, garantiu o jovem investigador, congratulando-se pelo facto da Câmara Municipal ter aceite o desafio de trazer “a inovação e a tecnologia para o Interior”.

“Um bom negócio para a região”

Também a banca que detinha o direito de superfície do espaço, neste caso o Crédito Agrícola se mostrou satisfeita por este “passo em frente” na resolução de um problema dos “co proprietários”, esperando que o antigo centro de negócios se possa converter finalmente num pólo de desenvolvimento da região. Acima de tudo “é um negócio bom para a região”, afirmou o presidente da Caixa Central, Licínio Prata, que retira deste processo “a ideia de criar postos de trabalho” e de “reter pessoas na região”.
Natural de Seia, onde dirigiu o Crédito Agrícola até bem pouco tempo, o novo “patrão” do CA não tem dúvidas que este projeto pode ser “uma importante âncora” para o interior, onde, na sua opinião, é premente, mais do que nunca, criar emprego e fixar pessoas. “Nós já damos esse duplo emprego, não só nos nossos balcões, a quem trabalha connosco, mas através do apoio que conseguimos dar às empresas, apoio esse que a outra banca não faz”, considerou, confiante no aparecimento de novos projetos empresariais, a partir do momento em que o espaço estiver operacional.

 

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