Casa do Povo e Rancho Folclórico de Tábua juntaram-se em noite de festa

Folha do Centro - Casa do Povo e Rancho Folclórico de Tábua juntaram-se em noite de festa

Assinalaram este fim de semana os respetivos aniversários.

A Casa do Povo de Tábua e o Rancho Folclórico juntaram, este sábado, as respetivas festas de aniversário, num jantar que reuniu quase duas centenas de tabuenses. Um momento aproveitado pelos órgãos diretivos das duas associações para recordar o percurso de ambas e os seus projetos para o futuro. Criada, tal como as suas congéneres, com o objetivo de promover o desenvolvimento e o bem estar das comunidades, especialmente as do meio rural, a Casa do Povo de Tábua, é das poucas que, volvidos 40 anos de existência, se mantém fora da alçada da segurança social. “Em muitos lados, as Casas do Povo foram parar às mãos da Segurança Social, basta olhar para o lado e ver o que aconteceu à de Oliveira do Hospital”, fez constar, António Nunes, presidente da Assembleia Geral de uma instituição que durante muitos anos se destinou quase exclusivamente a assegurar os serviços da providência social e os direitos dos trabalhadores rurais.

Também os 34 anos do Rancho Folclórico de Tábua mereceram honras de festa, tendo sido lembradas as suas fundadoras “sem as quais o rancho pode hoje não existir” e ainda a sua primeira atuação pública no salão dos Bombeiros Voluntários de Tábua. Uma data onde foram ainda focados os “os altos e baixos” deste grupo, que apesar de já ter passado por momento menos bons “sempre tem conseguido levar a bom porto os seus intentos”. “O rancho folclórico da Casa do Povo de Tábua andou 23 anos a fazer uma apresentação errada dos usos e costumes e das tradições dos nossos antepassados”, relatou a título de exemplo o presidente da Assembleia Geral da Casa do Povo, segundo o qual, em 2002 o problema ficou resolvido depois do conselho técnico da região da Beira Alta Serrana ter indicado o que devia ser alterado, para posterior aprovação pela Federação do Folclore Português, podendo, desde essa altura, ser “um digno representante das tradições da Beira Alta”. António Nunes não deixou de lamentar a forma “depreciativa” como o folclore tem sido tratado nos últimos anos, podendo mesmo estar ameaçado por “falta de pessoas para integrarem o seu movimento”.

“Será que o movimento folclórico que integra a Federação, que faz a recolha das tradições rurais, merece que continuem a usar a palavra folclore de maneira depreciativa. Será que algumas pessoas ditas intelectuais se esqueceram das suas origens? Os pais, os avós, bisavós, da maior parte deles não pertenceram ao povo rural?”, interrogou-se aquele dirigente associativo, criticando todos aqueles que renegam as suas origens, seja no folclore, seja noutros aspetos da vida. Também a presidente da direção, Olga Nunes, aproveitou para agradecer aos elementos do rancho e a “todas aquelas pessoas que sempre estiveram disponíveis para ajudar em todas as nossas iniciativas, como o festival de folclore”. “Foi um trabalho árduo, mas que ao fim destes anos nos deixa a todos cheios de orgulho e satisfação. Contudo, este trabalho não termina por aqui ainda há muito mais a fazer e para isso contamos com todos vós”, advertiu a dirigente, lembrando que a Casa do Povo de Tábua não se esgota no folclore, tendo também um Centro de Atividades de Tempos Livres, que “apesar das dificuldades tem sobrevivido”.

 

Acerca do Autor:

. Siga nas redes sociais Twitter / Facebook.