Centro de Interpretação do Queijo Serra da Estrela vai nascer em Tábua

Folha do Centro - Centro Interpretação Queijo

Mário Loureiro garante que a obra vai ser concluída ainda este ano.

Apesar de já ter sido anunciado há dois anos, é este ano que a Câmara Municipal de Tábua vai mesmo avançar com a obra do Centro de Interpretação do Queijo Serra da Estrela.

Um investimento de cerca de 35 mil euros que será realizado a partir da requalificação de uma antiga escola primária, em Vila Chã, antiga freguesia de Covas, uma das três localidades do concelho tabuense que integram a Região Demarcada do Queijo Serra da Estrela.

O futuro centro interpretativo contempla vários espaços expositivos ligados ao tema do queijo e da pastorícia e estará aberto diariamente ao público. “Queremos que este seja um espaço vivo e interativo, dirigido sobretudo ao público escolar”, afirma o presidente da autarquia, Mário Loureiro, que realça a importância deste projeto não apenas para a promoção e divulgação daquele que é considerado uma das sete maravilhas da gastronomia portuguesa, mas também para a própria revitalização da aldeia e da sua antiga escola primária. “Achamos que é uma forma de requalificar estes imóveis devolvendo-lhe uma nova vida”, considera o edil, para quem este museu pretende ser um espaço dinâmico, onde os mais novos “possam conhecer e ver como se faz o genuíno queijo Serra da Estrela”.

A obra tem já o financiamento aprovado no âmbito de uma candidatura da Rede de Aldeias do Xisto, e portanto, estão reunidas as condições para arrancar e concluir a obra ainda este ano, garante o presidente da autarquia tabuense. Com apenas três freguesias pertencentes à Região do Queijo Serra da Estrela, Mário Loureiro faz notar, todavia, que Tábua é um concelho com raízes marcadamente “serranas” e com uma tradição muito arreigada na produção do mais famoso queijo português. “Temos ainda cerca de 20 produtores a produzir queijo, não é uma atividade que desapareceu”, refere o edil, esperando com este espaço atrair também novos visitantes a Tábua. “É mais um espaço importante quer em termos turísticos, quer em termos culturais”, diz o autarca, acreditando que o futuro centro interpretativo, além de servir para preservar a memória e as tradições desta região, irá contribuir para aumentar a sua “oferta” turística.

“Vai estar muito virado para as escolas, mas também irá estar aberto à população para que esta possa ver os materiais, os utensílios e todas as técnicas que são utilizadas no fabrico artesanal do queijo Serra da Estrela”, sublinha ainda o presidente da Câmara, que recebe este fim de semana mais uma edição da Feira do Queijo no seu concelho, assumindo este “cartaz” como um dos pontos altos da promoção deste produto de excelência da região. Um certame que tem como especial atrativo, este domingo, a “concentração” de um número recorde de chocalhos que deverá acontecer no decorrer do programa “Portugal em Festa” que vai ser emitido em direto a partir do exterior da feira, no pavilhão multiusos de Tábua.

Há 25 anos a coordenar a organização da feira do queijo de Tábua, a vice presidente da Câmara e vereadora da cultura, Paula Neves, não tem dúvidas que esta é uma aposta ganha em termos de incentivo aos produtores e promoção de uma iguaria única no mundo.

A autarca garante porém que, volvido este tempo, o figurino atual “não tem nada a ver com a primeira”. “Esta feira foi ganhando dimensão, nos primeiros anos era feita alternadamente numa freguesia pertencente à região demarcada e a um dia de semana: à sexta feira”, recorda, dando nota da mudança radical introduzida há cinco anos atrás no sentido desta “extravasar as fronteiras”. “Durante muitos anos foi mais um encontro virado para o concelho, até que sentimos necessidade de a virar para o exterior, para os visitantes, para os produtores de fora”, explica a vereadora para quem o facto de Tábua ter poucas freguesias a produzir queijo serra da Estrela, não é sinónimo de ter menos qualidade. “Pelo contrário, temos queijo com uma qualidade excecional”, considera, justificando assim a razão de ser deste certame e aposta em lhe dar dimensão. “Nunca deixamos cair este cartaz porque entendemos que este é também um produto genuíno e com uma tradição muito arreigada na nossa cultura”, adianta Paula Neves que, apesar de se deparar com o “envelhecimento” desta atividade, garante haver ainda “uma mão cheia de produtores que se mantêm ativos”.

Este ano apesar de perspetivar “uma grande feira”, a vereadora tabuense continua a privilegiar a “qualidade” dos produtores à quantidade. “Nós vamos aí a feiras em que quase não conseguimos passar da porta da entrada, não conseguimos ver o produto, a nós interessa-nos que as pessoas circulem à vontade no espaço e daí também não apostarmos em mais participantes”, relata a autarca, dando nota ainda de toda a programação que foi preparada para assinalar os 25 anos deste certame e que tem também como objetivo atrair mais visitantes. “Fomos introduzindo outros produtos que achámos que podiam dar outro colorido à feira e de há três/quatro anos para cá juntámos a esta feira a vertente gastronómica com o intuito de envolver as freguesias e as associações”, conta a vereadora com o pelouro da cultura, sublinhando a importância destas iniciativas para promover “o que é nosso”.

Paula Neves regista de resto “com agrado” a adesão de outros produtores de fora do concelho a esta mostra, bem como a participação de novos produtos, como é o caso do azeite, que marca pela primeira vez presença neste certame. A vertente gastronómica vai aliás estar em destaque com mais uma edição do Concurso “Tábua de Sabores”, que mais uma vez vai eleger uma iguaria típica do concelho, neste caso um prato à base de carne de ovelha. “Foi feito o apelo aos restaurantes para participarem, espero que adiram, porque nós sabemos mesmo para as televisões que tudo o que mete gastronomia é bastante apelativo” considera a autarca, adiantando também que vai ser feito o convite às diferentes confrarias ligadas à promoção destes produtos para estarem representadas na feira.

A entrelaçar-se com a vertente gastronómica vai estar ainda a componente de exposição de artesanato que, segundo Paula Neves, vai privilegiar os artesãos que de alguma forma “se associem a estas temáticas do frio, da serra e do queijo”. Ao todo deverão participar nesta mostra cerca de 70 produtores, o que sendo um número inferior a muitos certames do género, privilegia, na opinião da autarca, a “mobilidade dos visitantes ” e a exposição dos produtos. Apesar da abrangência do certame, o executivo presidido por Mário Loureiro garante que o orçamento “tentou ser o mais contido possível”, esperando fazer “ um grande evento sem grandes custos”.

 

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