Ciclo do Pão em Meruge recria: “Descasca, Malha e Rota dos Milheirais”

Cartaz - Ciclo do Pão 191

Cartaz - Ciclo do Pão 191À semelhança do ano passado, e tendo sido um sucesso, este ano irá realizar-se a 10ª edição desta popular e marcante iniciativa, em horário noturno, estabelecendo o dia 21 de setembro, para o efeito.

Este encontro com a tradição e a etnografia inicia-se na Lage Grande em Meruge, pelas 20 horas, com a partida para a caminhada noturna, designada: “A Rota dos Milheirais”.

Aproveitando as noites aprazíveis do mês de setembro, pretende-se serpentear por caminhos onde outrora existiram prados de milho, cevada, centeio e trigo, sem fim á vista, nas margens do rio cobral. Estes cereais ancestrais, davam vida aos moinhos de água da freguesia, moendo a farinha, matéria prima essencial ao fabrico artesanal do pão de trigo, de cevada, broa, centeio, bem como dos bolos na telha de aveia. Nos tempos que correm, ainda se vêm alguns campos semeados de milho e de zaburro para alimento dos animais.

Terminado o percurso da “Rota dos Milheirais” e reunidos os passeantes aos sedentários que se quedaram pela Lage Grande, dispõem-se as caneiras de milho pela eira e convocam-se os presentes a iniciar a “descasca”, também conhecida por “desfolhada”.

À força de dedos ou com a ajuda do espeto, a azáfama é grande, no afã de encontrar o “milho rei”, sortilégio de que apenas alguns vão usufruir. Quando a última espiga for descascada, dispõe-se a totalidade em cumprimento, para dar espaço aos malhadores, não sem antes ter lugar uma “acção de formação” elementar em malha, para os curiosos.

À voz de comando de um malhador experiente, o grupo vai descarregando a força dos manguais nas eiras dos cereias, passo à direita, passo atrás, sobre o cereal indefeso, até que o alarido das mulheres reclama uma paragem para varrer os grãos dispersos. É então que a cântara de vinho roda pelos malhadores, num ritual de partilha que se estende ao adjunto.

Terminada a malha, “ergue-se” o milho e recolhe-se limpo em sacas de sarapilheira com destino às tulhas, de onde há-de sair para o moinho e posteriormente em farinha para as masseiras onde mãos artífices o vão tender e no final do Ciclo o calor do forno comunitário o transformará em broa.

Pelas 21:30h, o Rancho Folclórico Cultural de Lagares da Beira, animará a festa, tocando e cantando modas alusivas à labuta da terra, enquanto é servida a merenda tradicional a todos os participantes, que não dispensa a sardinha frita em molho de escabeche, os bolos de farinha triga com canela, o queijo curado e os enchidos que dão fama à Freguesia de Meruge.

No recinto da Lage Grande, funcionará uma barraquinha de venda de produtos de fabrico artesanal (triga milhos, broa, bôlas, bolos, enchido, licores, compotas, mel…).

Preservar a cultura popular, as nossas tradições e vivências e proporcionar o conhecimento de actividades que foram dominantes na vida do nosso povo, são os objectivos principais da recriação do “Ciclo do Pão”.

 

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