Deputados querem IC’s incluídos no pacote de investimentos em obras públicas anunciado pelo Governo

Folha do Centro - Deputados querem IC’s incluídos no pacote de investimentos em obras públicas anunciado pelo Governo

Ronda de contactos com presidentes de Câmara teve início com o objetivo de voltar a pôr na agenda conclusão das acessibilidades à região da Serra da Estrela.

Uma delegação de deputados do PS “liderada” pelo ex secretário de Estado das Obras Públicas, Paulo Campos, afirmou esta semana em Oliveira do Hospital ter chegado o “momento” para “voltar a canalizar as energias” para a conclusão dos IC’s de acesso à Serra da Estrela, tendo em conta o pacote de investimentos de mais de 5 mil milhões de euros anunciado pelo Governo.
Os deputados socialistas, incluindo o senense André Figueiredo, eleito pelo círculo do Porto, iniciaram em Oliveira do Hospital, um périplo pelas várias Câmaras da região, precisamente com o objetivo de “relançar” a questão das acessibilidades à região da Serra da Estrela, cuja concessão rodoviária foi suspensa em 2011. Responsável pela concretização da 2ª fase do IC6 entre Catraia dos Poços e o Poço do Gato, o ex secretário de Estado Paulo Campos entende que, depois da suspensão daquelas infra estruturas rodoviárias por parte do atual Governo, voltam a estar reunidas todas as condições para “retomarmos” estes investimentos. “Parece-nos absolutamente inaceitável que estes itinerários de acesso à Serra da Estrela não venham a ter uma parte da dotação destinada a um conjunto de obras públicas a lançar pelo Governo”, afirmou o deputado natural de Oliveira do Hospital que “reage com tranquilidade” às críticas da oposição local de ter deixado o IC6 a escassos quilómetros do seu concelho, alegando que só fez até onde “havia estudos”, já que “na parte onde não havia não foi possível”.
Ainda assim, Paulo Campos garante ter deixado tudo pronto para a obra ser lançada, o que só não aconteceu porque houve uma mudança de governo, que entretanto decidiu suspender estes investimentos. “Entre 2006 e 2010 fez-se tudo o que tinha de ser feito, fizemos em quatro anos o que em condições normais demoraria 10 anos, fizemos todos os estudos de viabilidade económica, todos os estudos de impacte ambiental e licenciamento”, lembrou o deputado do PS, julgando que todo este trabalho representa um forte investimento que não pode ser desperdiçado, sobretudo numa altura em que se volta a falar em investimento em obras públicas. “É absolutamente importante que essa suspensão seja levantada e seja retomado o processo onde se deixou à época”, adiantou Paulo Campos, aproveitando para anunciar a realização um grande debate na região em torno das acessibilidades, que deverá envolver não apenas presidentes de Câmara, como também empresários e forças vivas dos vários concelhos afetados pela falta de acessos rodoviários.
Perante o anúncio do governo de investir 5 mil milhões de euros em obras públicas, o deputado socialista entende acima de tudo que é “uma questão de justiça” que seja dotada uma verba para a conclusão daqueles IC’s, que tanta falta fazem a uma região tem das mais baixas taxas de execução dos planos rodoviários nacionais. “É uma questão de desenvolvimento e de coesão territorial, mas também é uma questão de salvar vidas, porque se trata de uma das regiões com uma taxa mais elevada de sinistralidade”, referiu ainda o antigo titular das obras públicas, julgando que é chegada a altura de pôr novamente os IC’s na agenda, criando aqui uma nova “dinâmica” de reivindicação de uma obra que, segundo os socialistas, só conheceu alguma evolução em governos do PS. Agora que “está aí esta janela de oportunidade”, o presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino, entende que “chegou a hora de exigirmos a conclusão desta obra”, pedindo, como tem repetido vezes sem conta, que se faça justiça a uma região quando se anunciam investimentos de vários milhões de euros.

Região duplamente penalizada

Enquanto os IC’s não chegam, o presidente da Câmara de Oliveira mostrou-se “desagradado” com o presidente das Estradas de Portugal, no que diz respeito às respostas aos ofícios sobre a EN17. Alexandrino lamenta que, além de ter respondido ao pedido de intervenção naquela estrada nacional “com uma carta tipo”, o presidente da EP ande há demasiado tempo para marcar uma reuniãosobre este assunto, quando é uma estrada que se encontra num estado caótico, com o aumento do tráfego a contribuir também para um aumento da sinistralidade.
Uma situação que o deputado Paulo Campos considerou também estar a penalizar bastante esta região, que nem tem uma nova infra -estrutura rodoviária, nem vê fazer a manutenção na atual. “Esta região é duplamente penalizada”, referiu o deputado, preparando-se para questionar os motivos que levam as Estradas de Portugal a ignorar o problema da Estrada da Beira e os sucessivos pedidos de audiência do presidente da Câmara de Oliveira do Hospital.

 

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