“Desde sempre que faço parte da sociedade civil Oliveirense, sou um deles”

José Vasco1

É um candidato da terra e por cá vai continuar após 29 de setembro. Independentemente dos resultados eleitorais, Vasco Campos, cabeça de lista do CDS/PP, garante que quer fazer mais por Oliveira, propondo designadamente o apoio à iniciativa privada e ao crescimento económico do concelho.

Nas últimas semanas de campanha a sua candidatura tem vindo a pedir uma “oportunidade” aos oliveirenses, assumindo como objetivo integrar o próximo executivo camarário. Acha que estão reunidas as condições para que isso aconteça, mesmo sabendo que existe pouca tradição de voto no CDS/PP no concelho?
Tenho a certeza que o eleitorado nos vai dar uma oportunidade e também tenha a certeza que não os vamos desiludir. Fomos a candidatura com mais e melhores ideias e propostas. Que se apresentou pela positiva e que manteve o debate político num tom elevado. Onde outros insultaram, nós propusemos. Onde outros fizeram demagogia, nós deixámos argumentos para um concelho mais moderno, mais empreendedor e com mais futuro.
Pensa beneficiar da divisão que se continua a verificar-se no PSD para conseguir a sua eleição?
Claro que sim!
Somos a candidatura que está em melhores condições para representar o eleitorado de centro-direita e social-democrata no nosso concelho. Não tenho dúvida que existe mais espírito Sá Carneirista nesta candidatura do que na do PDS. Somos nós que no debate político temos revelado maior preocupação com o pequeno comerciante, como os empresários, com a iniciativa privada, com o crescimento económico do concelho alicerçado numa visão não socialista da sociedade.
Acho mesmo que merecemos o voto do eleitorado do centro-direita no nosso concelho. Nunca nos preocupámos em falar para dentro do partido, nunca colocámos o partido à frente do concelho e dos interesses da nossa terra. Nunca centrámos o debate político nas nossas divisões. O que sempre nos preocupou e preocupa é a nossa terra e as suas gentes. Esta eleição é sobre a nossa terra e as suas gentes e não sobre qualquer partido político.
O PSD tem vindo a acusá-lo de não se demarcar da atual gestão socialista da Câmara Municipal, tendo aparecido mais para dividir o eleitorado tradicionalmente de direita, do que propriamente para fazer oposição ao PS. Como comenta esta crítica?
Nunca consegui perceber essa crítica! Se alguém dividiu o eleitorado do centro-direita no nosso concelho foram os responsáveis atuais do PSD. São públicas e bem conhecidas de todos as guerras fratricidas que acontecerem no seio do partido e que acabaram por conduzir o Partido Socialista ao poder de novo na nossa terra. Há 4 anos não foi o PS que ganhou, foi o PSD e as suas divisões que lhe ofereceram a vitória. Agora, é de uma hipocrisia atroz acusar o CDS seja do que for nessa matéria. A única acusação que os atuais responsáveis do PSD nos podem fazer é a de sermos, neste momento, a única alternativa credível, capaz e eficaz ao atual poder socialista no nosso concelho.
A nossa candidatura pela positiva. Não nos candidatamos para fazer a crítica pela crítica. Quem tem acompanhado as nossas posições públicas e o nosso percurso percebe que o modelo de desenvolvimento que defendemos é diferente do Partido Socialista, aliás é intrínseco à nossa postura enquanto cidadãos deste concelho.
Julga que o facto de ser natural do concelho e aqui desenvolver a sua atividade profissional, como tem feito questão de frisar nas suas intervenções, pode beneficiar a sua candidatura?
Não tenho dúvidas disso! As pessoas do nosso concelho já perceberam que a única candidatura que tem um candidato à Câmara Municipal e um candidato à Assembleia Municipal que votam no nosso concelho é a nossa. Todos já sabem que quer o Sr. António Lopes, quer a Drª Cristina Oliveira e o Profº Luís Correia não votam nas nossas freguesias, votam noutros concelhos. E isso quer dizer o quê? Quer dizer que não fazem cá as suas vidas, não tem cá as suas atividades profissionais e não sofrem diariamente as consequências de um conjunto de políticas erradas que têm sido impostas neste concelho há vários anos. Eles ao outro dia de perderem as eleições seguem a sua vida bem longe daqui!
Não posso mesmo deixar de dizer que fico muito triste quando um partido como o PSD não consegue ter pelo menos um dos candidatos aos órgãos autárquicos primeiros que resida no concelho e que aqui desempenha diariamente a sua atividade profissional, confrontando-se todos os dias com os nossos problemas e vivendo também diariamente os nossos sonhos e anseios. É também por isso que acho que merecemos uma oportunidade do eleitorado de centro-direita.
Afirmou no jantar comício da passada sexta -feira que ganhe ou perca as eleições do próximo dia 29, vai continuar por cá a trabalhar por Oliveira. O que é que quis dizer com isto?
Quero dizer que vivo em Oliveira, porque foi sempre isso que quis na vida, aqui tenho a minha família e aqui desenvolvo a minha atividade profissional e cívica. Como tal, seja qual for o resultado, no dia seguinte ao das eleições continuarei a minha vida da mesma forma, a desenvolver os meus projetos, a defender aquilo em que acredito, a lutar por Oliveira e pelas suas gentes. Como nem todos os candidatos se podem gabar disto, não pude deixar de o realçar, para que as pessoas percebam que eu faço, desde sempre, parte da sociedade civil Oliveirense, sou um deles.
Não deixa de ser uma critica implícita ao Movimento independente que o elegeu há quatro anos, liderado pelo professor José Carlos Mendes…
O Prof. José Carlos Mendes também é de cá e cá desenvolve a sua vida profissional e familiar. E eu por princípio defendo candidatos a Presidente da Câmara, que residam e façam as suas vidas nos concelhos respetivos. Mas há 4 anos o Prof. José Carlos criou um movimento independente, do qual fiz parte, que galvanizou uma parte da sociedade oliveirense e que depois deixou cair, contra todas as expectativas criadas. Aquilo que eu quero dizer, é que isso não vai acontecer comigo. O meu projeto vai ter continuidade. E essa continuidade não tem que estar obrigatoriamente agarrada a um partido.
Ao longo da campanha tem vindo a insistir na mensagem de que é preciso um outro modelo de desenvolvimento para o concelho, assente fundamentalmente no crescimento do setor privado. O que é que propõe de concreto nesta área?
Propomos a criação de uma nova zona industrial, devidamente infraestruturada e com um centro de apoio às empresas, que as auxilie nos seus processos de crescimento e internacionalização. Devem ser as empresas a criar emprego e não a Câmara Municipal. Propomos que se organizem grupos de empresas que se possam levar a feiras internacionais dos seus setores, para aí buscarem mercado e obterem crescimento que se reflita na empregabilidade concelhia. Propomos a criação de um programa de apoio à contratação mediante a comparticipação de uma parte da TSU dos trabalhadores. Propomos um programa integrado de desenvolvimento do comércio concelhio. Não podemos ter tantas lojas encerradas e a encerrar no nosso concelho.
Propomos toda uma visão que aposte na economia privada e a dinamize. Não deitaremos à boa moda socialista dinheiro para cima dos problemas. Seremos inovadores e recuperaremos a alma da iniciativa privada a quem tanto este concelho tanto deve.
Tem também falado muito no turismo e na necessidade de promover esta atividade com incentivos à iniciativa privada. Que modelo defende nesta área?
As outras candidaturas só falam em investimento público no turismo e esquecem-se que embora o investimento público seja importante, este tem que andar associado ao investimento privado. O que interessa trazer gente para as praias fluviais, se as pessoas não têm onde comer e onde dormir com qualidade? O que interessa promover os monumentos, se os turistas não têm onde comprar uma recordação, como um íman, uma t-shirt, ou um queijo? A grande maioria dos investimentos públicos realizados na área do turismo que se fizeram nos últimos anos, não foram acompanhados de políticas de apoio à promoção do investimento privado. E, embora haja mais exemplos, um dos casos mais gritantes é o de Avô. Foram gastos na Ilha do Picoto cerca de um milhão de euros e isso pouco ou nada trouxe de desenvolvimento. Avô está a definhar, não tem um snack-bar, um restaurante, um turismo rural ou uma loja de produtos regionais. Ou seja todo este investimento público não criou postos de trabalho, nem desenvolvimento efetivo. Por isso também defendo que a Câmara seja o catalizador dum investimento âncora para Oliveira do Hospital. E a minha proposta é a criação do Grande Centro de Interpretação do Queijo Serra da Estrela, em parceria com a ANCOSE e com a Confraria do Queijo Serra da Estrela. Este seria interativo, com um espaço museológico, restaurante, bar, loja regional, salas de reuniões e congressos, etc. Um projeto em grande que traria muita gente a Oliveira do Hospital durante todo o ano, nomeadamente aos fins de semana, o que ajudaria muito o nosso comércio e restauração local e criaria muitos postos de trabalho.
O que distingue essencialmente a sua candidatura da candidatura do PSD e do PS?
Somos mais jovens, mais dinâmicos, vivemos cá, temos a nossa vida alicerçada no setor privado onde temos dado cartas no empreendedorismo e na criação de emprego, exatamente aquilo de que o nosso concelho mais precisa.
Se for eleito no próximo dia 29 qual vai ser a sua primeira proposta no executivo?
Criação de uma nova zona industrial e apresentação de um programa de apoio ao emprego e à constituição e fixação de empresas.
O emprego é a nossa maior preocupação!!

 

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