População fica sem acesso ao poço termal

Folha do Centro - População fica sem acesso ao poço termal

Operador turístico avança com demolição de caminho que “impedia” construção de Hotel 5 estrelas nas Caldas de S. Paulo.

A população das Caldas de S. Paulo acaba de ficar sem acesso ao poço termal, atualmente propriedade de um empresário oliveirense, que tem projetado para o local, situado à beira do rio Alva, a construção de um empreendimento turístico de 5 estrelas.
O atual proprietário Francisco Cruz decidiu fazer “justiça” pelos próprios meios e acabar com a polémica que se arrasta há vários meses sobre o acesso às águas termais situadas na quinta, demolindo o caminho que tinha sido calcetado há oito anos pela Junta de Freguesia. No final da semana passada, o proprietário deu ordens para que as máquinas entrassem pela propriedade e destruíssem aquela passagem, que a população por seu lado diz utilizar desde tempos “imemoriais”.
Francisco Cruz justifica esta posição com o facto de não existir qualquer documento público que prove que aquele caminho era público. “Esperei pela resposta da Câmara Municipal ao requerimento que tinha feito, e na quinta feira obtive a resposta: não houve qualquer doação, venda ou expropriação daquele espaço por parte dos antigos proprietários, ora se não existe, é propriedade privada”, considera o operador turístico, garantindo que “só foi reaver aquilo que foi ilegalmente ocupado por alguém”. “Isto ultrapassou tudo o que era razoável”, desabafa, lamentando que o projeto esteja parado há oito meses por causa desta situação. “Tenho financiamento aprovado desde agosto (via QREN) e desde novembro que tenho também assegurada a componente privada do investimento, portanto quem se sentir mal que avance para os tribunais”, afirma.
Um “caminho” que de resto já tinha ficado claro na reunião do executivo, quando José Carlos Alexandrino informou o empresário de que a Câmara Municipal não iria tomar qualquer posição sobre “tais direitos”, remetendo o assunto para os tribunais. O que não impede, todavia, o licenciamento do projeto, que para o edil “é um grande projeto para o concelho, que alavancaria todo o Vale do Alva”. “Lamento que não tenha sido possível um acordo entre o empresário e a população, mas nós não queremos perder este projeto e achamos que o Município tem obrigação até de ajudar o promotor na parte pública de acesso ao empreendimento”, garantiu o autarca, que garante ter feito tudo o que estava ao seu alcance para o projeto não sair beliscado, mas também “não podemos ser indiferentes às questões legais”, já que “há um conjunto de pessoas que testemunham que o caminho era público, desde tempos imemoriais”.
O proprietário é que não esteve com “meias medidas” e avançou com a destruição do caminho, ficando agora à espera que alguém dê o primeiro passo para provar que aquele espaço é do “domínio público”. O que é facto é que num abaixo assinado subscrito pela população das Caldas, e, de acordo com alguns relatos de populares, aquele caminho sempre foi usado como acesso ao poço termal, tendo sido, inclusivamente melhorado pelos anteriores executivos da Junta de Freguesia, que calcetaram e eletrificaram aquela passagem, sem quem fosse conhecida alguma oposição por parte dos antigos proprietários.
Sendo natural das Caldas, Francisco Cruz não nega a existência de um carreiro por onde as pessoas passavam para transportar a água para suas casas, até porque “era a única forma do antigo concessionário das águas rentabilizar o poço”, mas não de um caminho público tal qual se encontrava lá até à semana passada. Uma polémica que promete não ficar por aqui, e que é tudo menos pacifica para a população das Caldas, que continua a reclamar aquele acesso como sendo público.

 

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