Empresário diz-se impedido de abrir hotel por falta de água e saneamento

Unidade hoteleira Ponte Três Entradas

Promotores da nova unidade hoteleira da Ponte das Três Entradas responsabilizam Câmara Municipal pelos atrasos na abertura do empreendimento ao público.

Os promotores da nova unidade hoteleira da Ponte das Três Entradas dizem-se impedidos de abrir o empreendimento ao público por falta de água e saneamento no local.

Um dos investidores, António Nunes, garante que o hotel está concluído desde outubro, mas devido à falta daquelas infra estruturas básicas, continua sem poder abrir ao público. O empresário e sócio da nova unidade hoteleira, situada no lugar no antigo Italva, chegou mesmo a afixar na fachada do edifício um “desabafo público” a explicar a razão pela qual o hotel ainda se encontra fechado depois de mais de três anos em obra e dois milhões de euros, ao que garante, ali investidos.
Apesar da placa ter sido retirada poucos dias depois de lá sido colocada, o construtor diz não estar arrependido de ter tomado uma posição mais “dura” para chamar a atenção para uma situação que, no seu entender, não devia acontecer sobretudo quando se trata de novos investimentos e de criar riqueza para o concelho. “Até tínhamos previsto investir ali mais alguma coisa, mas depois disto não temos vontade de gastar nem mais um tostão”, refere o empresário que responsabiliza a Câmara Municipal de não criar as condições para a abertura do novo hotel. “O que está ali é tudo dinheiro nosso, não há ali subsídios, não há ali apoios nenhuns, isso ainda custa mais”, refere António Nunes, fazendo contas aos prejuízos que esta situação tem acarretado, pois “este verão já devíamos estar a receber os primeiros turistas”.
Contactado pelo Folha do Centro, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, lembra que no projeto apresentado pela Construtora Santovaiense em 2008 – data em que, como faz questão de sublinhar, “não tinha qualquer responsabilidade de governação autárquica” – “a informação era de que tanto o abastecimento de água como os esgotos e águas residuais seriam encaminhados para a rede pública”, o que se veio a “constatar que estaria errado no processo, porque aquela zona não estava dotada de rede pública de água e saneamento”.
“Quando em 2013 fui alertado para o problema pelo promotor e pelo Presidente da Junta da União de Freguesias de Santa Ovaia e Vila Pouca da Beira, e por se tratar de um investimento turístico de interesse municipal, foi desencadeado pela Câmara Municipal todo o processo de elaboração do projeto de execução da rede de água e saneamento para aquela zona da Ponte das Três Entradas” refere o edil, lembrando os vários constrangimentos que surgiram na altura, nomeadamente o facto de a EP – Estradas de Portugal não autorizar o atravessamento das infraestruturas necessárias à execução da obra na ponte da EN 230.
Alexandrino garante ter sido igualmente necessário desencadear todo o processo de cedência de terrenos para a instalação de duas estações elevatórias, envolvendo inclusivamente os promotores do referido empreendimento turístico, pelo que só depois de ultrapassados estes constrangimentos, foi lançado o respetivo concurso para a empreitada de “Rede de Saneamento e Abastecimento de Água à Ponte das Três Entradas” em fevereiro de 2014, o qual decorreu com todos os prazos e trâmites legais, tendo sido formalmente consignada a obra em junho passado.
O autarca estranha, por isso, e dado que o prazo de execução para a realização da obra ainda se encontrar dentro do prazo legal, a atitude do promotor, ao colocar no empreendimento uma placa a colocar em causa o desempenho da câmara neste processo, “quando se sabe que a CMOH esteve desde sempre do lado da solução tanto no apoio ao promotor como ao nível da dotação de uma importante zona turística do concelho com aquelas infraestruturas básicas”.

 

 

 

 

 

 

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