Empresários da restauração recetivos a aprender como cozinhar sem glúten

Gluten

Num workshop promovido pela Biblioteca Municipal.

A Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital promoveu a primeira de duas sessões dedicadas ao tema da alimentação sem glúten, dinamizadas por uma jovem nutricionista do concelho. A sessão contou com a presença de vários empresários da restauração que foram sensibilizados para os cuidados a ter com clientes intolerantes ao glúten, cuja proteína se encontra presente em diversos alimentos, nomeadamente farináceos.
Embora se trate de uma minoria da população que é intolerante ao glúten – calcula-se entre 1 a 3% – a nutricionista Rita Morais lembra que a “prevalência desta doença tem vindo a aumentar”, estimando-se ainda que haja entre 70 a 100 mil pessoas que “não estão diagnosticadas”. Números que justificam cada vez mais ações de sensibilização, em que se alerta para os perigos da ingestão de alimentos, nomeadamente nos restaurantes, contendo aquela proteína.
“Convidámos os restaurantes do concelho a participar primeiro porque a única terapêutica para a doença é a alimentação, e depois porque toda a gente gosta de comer fora e socializar à mesa”, explica Rita Morais, lembrando que a intolerância ao glúten, contrariamente aquilo que se possa pensar, pode ser diagnosticada em qualquer idade. “É uma doença que não escolhe idades, há idosos onde só agora lhe foi detetada a intolerância a esta proteína”, relata a nutricionista, dando nota dos diversos“sinais de alerta”, que vão desde o atraso de crescimento à anemia em crianças, a diagnósticos mais complicados de infertilidade e osteoporose na população adulta. “Já têm surgido casos de infertilidade que não se percebem porquê e a origem está na alimentação com glúten”, afirma a nutricionista, que é também portadora da doença celíaca.
Uma patologia que continua ainda no desconhecimento da maioria da população, mas que pode ter consequências irreversíveis ao nível do intestino delgado, caso não seja tratada convenientemente com “uma dieta rigorosa”. Daí o apelo aos restaurantes de Oliveira, no sentido de adaptarem também os seus menus a eventuais clientes com intolerância ao glúten, procurando-os sensibilizar para as necessidades especiais, de uma população especial em termos alimentares. “O facto de estarem presentes muitos empresários do setor demonstra bem a recetividade dos restaurantes do concelho relativamente a esta doença que tem como único tratamento a alimentação”, refere Rita Morais, que esta terça feira volta a dinamizar uma segunda sessão sobre o mesmo tema, mas desta vez dirigida ao público em geral.

 

Acerca do Autor:

. Siga nas redes sociais Twitter / Facebook.