Não se vê a luz…

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Vitor Neves – Gestor

Uma “coisa” chamada coronavírus, uma “coisa” também chamada Covid 19, num ápice senta o ser humano na sua imensa fragilidade, na sua indizível impotência.

- Tenho medo!

Tenho medo que o vírus se encontre com os meus filhos.

Tenho medo que daqui a um instante não consiga pagar salários.

Tenho medo que daqui a uns dias chegue a desgraça de faltar tudo.

Tenho medo de acordar e sentir que viver é…sobreviver!

Tenho medo pelo tudo que está a acontecer, mas não tenho medo de ter medo.

Também não tenho medo de o dizer em público. Tenho até medo que o meu “tenho medo” seja universal.

Tenho medo, mas quero seguir. Vou respeitar, cuidar, mas não vou parar. Não quero, não quero parar. Tão pouco vou parar de acreditar que isto vai passar.

Confesso, no entanto, que me custa escrever…

Uma “coisa” chamada coronavírus, uma “coisa” também chamada Covid 19, num ápice senta o ser humano na sua imensa fragilidade, na sua indizível impotência.

Logo por estes dias, em que parecia que tanta tecnologia, tanta ciência, tanta cura impossível, tanta longevidade, tanta ilusão de eternidade, tinham transformado o nosso ser humano num ser invencível e inexpugnável.

Afinal…

Afinal, de repente, tudo isto é frágil, demasiado frágil e parece que tudo se vai desmoronar, tal a velocidade com que se alterou o modo como vivíamos, se limitou a liberdade que tínhamos, se instalou o limite em tudo o que fazemos, queremos ou imaginamos.

Afinal, quase sem darmos conta, damos conta que não há esconderijo, não há fuga possível, estamos encostados á parede! E um sentir incrédulo, que não se consegue desenhar, magoa-nos até ao osso quando olhamos todas as nossas prioridades e tudo parece ter deixado de fazer sentido. Sim, o vírus roubou o sentido ao que nos fazia sentido…

O ser humano tem uma capacidade ilimitada de se socorrer do irracional, do despropositado, do inconsciente, do sonho para se manter á tona e continuar, e continuar agarrado a tudo, até ao ditado que um dia sentenciou que não há mal que sempre dure.

…no filme “Western Stars”, a voz de Bruce Springsteen diz-nos: temos que continuar a caminhar, no escuro, sabendo que é lá que está a manhã seguinte.

 

ps.: Fez bem o Município de Oliveira do Hospital em cancelar a Festa do Queijo Serra da Estrela. A coragem do bom senso em uma decisão acertada.

 

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