Futura Crónica de um Destino Anunciado

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Vitor Neves – Gestor

É impressionante como o Interior se indigna facilmente e muito com qualquer “Flop do borel” e é resignadamente indiferente ao “Nego” Futuro.

A morte de Santiago Nasar foi muito anunciada.

Os assassinos anunciaram, a quem os quis ouvir, que iam matar Santiago. Assim a reza a célebre Crónica de Uma Morte Anunciada de Gabriel Garcia Márquez, que relata o acontecimento 30 anos depois.

Se toda a gente sabia que a tragédia ia acontecer, como é que foi possível ter acontecido?

Resposta simples: ninguém quis saber; ninguém acreditou; ninguém fez caso; ninguém se incomodou.

O destino do Interior, do Interior Norte, Centro e Sul é todos os dias anunciado.

O tempo passa a todo o instante e quando paramos para contar os efeitos do tempo que passou, o Interior tem menos gente, muito menos gente. O exemplo da perda de gente nos distritos da Guarda, Viseu e Coimbra é, também, o exemplo da perda de eleitores.

Sim, é assim: se há menos pessoas a eleger, menos pessoas serão eleitas. Sem eleitores não há eleitos. O Interior perde gente na terra natal e na “terra da representatividade”: o parlamento. Menos gente, menos voz.

Quando falta gente também falta energia. A rede de distribuição de gás natural foi instalada, há uns anos, no litoral.

O gás natural pode chegar ao Interior, mas não chega naturalmente. Nem ao mesmo (bom) preço…do litoral!

O Interior não anda realmente sobre rodas.

Os transportes públicos de Lisboa e Porto são altamente subsidiados, por todos os Portugueses. Os do Interior só vão a Lisboa ou ao Porto de vez em quando, muitos do Interior passam anos sem lá ir, mas pagam todos os dias as deslocações que não fazem e o benefício do qual não usufruem.

Se todo o Interior vê estes e outros sinais que lhe anunciam um trágico destino, como é que é possível que tudo isto esteja a acontecer?

A resposta é simples: ninguém quer saber; ninguém acredita; ninguém faz caso; ninguém se incomoda.

É impressionante como o Interior se indigna facilmente e muito com qualquer “Flop do borel” e é resignadamente indiferente ao “Nego” Futuro.

 

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