Ele “&” Ele

Cash Resto Zero2

Vitor Neves – Gestor

O futuro passará pelo Poder Local. Este modelo de poder autárquico passará, por não ter futuro. Um destes dias, nem a naftalina o salvará. É pouco dado ao mérito, é demasiado caro, é demasiado populoso, é demasiado burocrático, é demasiado fora de tempo.

A campanha eleitoral para as eleições das autarquias é um desfilar de taras e manias, gastas, envelhecidas e consumidas.

Salvo honrosas exceções, os debates deviam ser transmitidos na RTP Memória, os cartazes exibidos nos Tesourinhos Deprimentes e os tempos de antena da rádio deviam ser um exclusivo da M80.

Salvo honrosas exceções, as promessas deviam ser objeto de registo notarial bem pago. E sem exceções, devia ser proibido fazer obras e obrinhas, ou melhor dito, arranjos e arranjinhos no semestre anterior ao dia dos votos.

Salvo honrosas exceções, os movimentos de independentes são treteiros. Não são independentes, são dissidentes, zangados, ultrapassados e despedidos dos Partidos. O grupo alberga também os nostálgicos, que são aqueles que já foram e querem voltar a ser, não conseguem ler a mensagem do tempo e manifestam sinais evidentes de não terem conseguido adaptar-se a viver sem poder.

Salvo honrosas exceções, se é que as há, a disputa autárquica transformou-se em ajustes de contas entre Ele “&” Ele, elevada ao devaneio e ao mau gosto, com ataques pessoais, insultos e outras taras e outras manias, de quem agora se retrata ainda que em outrora tivessem sido companhias.

O futuro passará pelo Poder Local. Este modelo de poder autárquico passará, por não ter futuro. Um destes dias, nem a naftalina o salvará. É pouco dado ao mérito, é demasiado caro, é demasiado populoso, é demasiado burocrático, é demasiado fora de tempo.

No Interior, de um Portugal cada vez menos inteiro e inclinado para o lado do mar, o Poder Local devia ocupar-se com as suas grandes prioridades – (1) Pessoas: fixação, reprodução e atração; (2) Riqueza: investimento, empresas privadas, conhecimento, valor acrescentado.

Se o exemplo da campanha for Oliveira do Hospital, este exercício acaba mal.

Pelo que se vê, ouve ou lê, pouco, muito pouco, se diz de relevo sobre como se vai fixar e atrair pessoas e, drama dos dramas, como é que se vai por esta gente a fazer filhos. Sem pessoas e sem geração de riqueza, assente na iniciativa privada, qualquer dia resta pouco mais do que nada! Por alguma razão é cada vez mais difícil preencher as listas: são cada vez mais os que não querem saber de uma população que é cada vez menos.

E sobre “o regresso de mãos dadas” de Mário Alves e António Lopes nem uma palavra?

Sobre Ele & Ele, com ou sem aspas, nem uma palavra. Talvez depois de cada um de Nós votar.

 

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