Festa do Bodo reavivou tradições em Vila Pouca da Beira

Folha do Centro - Festa do Bodo em Vila Pouca da Beira

Presidente da Junta lamenta que passado histórico da freguesia não tenha sido respeitado pela nova lei de reorganização administrativa.

Vila Pouca da Beira prepara-se para receber, este fim de semana, mais uma festa do Bodo. Lançada há 10 anos pela atual presidente da Junta, a festa é hoje um dos principais cartazes culturais e de animação da freguesia, destacando-se por ser uma das primeiras festas de rua do ano no concelho. Além da habitual animação cultural e etnográfica, manda a tradição que a freguesia ofereça a quem a visita o bodo, isto é, as deliciosas broinhas confecionadas à moda antiga e ainda o pão de broa e chouriço.
Dez anos depois de ter lançado mãos à obra para pôr este evento de pé, Graciosa Fontinha, a presidente da Junta, considera o balanço muito positivo, não tendo dúvidas que esta é uma festa que “dignifica não só a freguesia, como o próprio concelho”, apelando às raízes e às tradições mais ancestrais de Vila Pouca da Beira. Apesar da projeção que a festa do Bodo tem vindo a conquistar, a autarca não deixa de temer pelo futuro deste e de outros eventos, tendo em conta a “ameaça” que paira sobre Vila Pouca da Beira de ser extinta, e agregada à vizinha freguesia de Santa Ovaia, de acordo com a nova lei de reorganização administrativa.

Autarca de Vila Pouca diz que a freguesia foi injustiçada

“Acho que quem fez esta lei não tem o mínimo de noção da realidade local e da sua história, Vila Pouca já em 1528 aparece nas inscrições como sede de município”, recorda a presidente, lamentando que este “passado histórico” tenha sido esquecido por quem fez o novo mapa autárquico. “Eu não tenho nada contra Santa Ovaia, mas Santa Ovaia nunca foi concelho, e mesmo em termos de área não tem muito mais que nós”, afirma a autarca, muito crítica tanto em relação à lei, como a quem desenhou a reorganização das freguesias, pois, entende, que se era para poupar dinheiro ao Orçamento de Estado não se faziam uniões de freguesias “com menos de mil habitantes”. Além disso, “havia freguesias no concelho com menos habitantes e menos património que Vila Pouca e não foram unificadas”, constata a presidente da Junta, julgando que foi feita “alguma injustiça” a Vila Pouca da Beira em relação a outras freguesias. “Não é que eu seja favorável à unificação de nenhuma, porque não sou, sempre achei que esta lei é infeliz, e que não tem razão de ser sobretudo nestas aldeias do Interior”. “Eu acho que os políticos que fazem estas leis não têm o mínimo de sensibilidade, acho que antes de serem secretários de Estado e ministros deviam ser presidentes de Junta para saberem o que custa a vida nestas freguesias rurais”, entende a autarca, inconformada com o cenário de extinção da sua freguesia, e ainda mais, com a possibilidade de a futura sede ser em Santa Ovaia e não em Vila Pouca. “É claro que isto nos pode prejudicar”, diz, sem rodeios, lembrando que a lei não é clara quanto à composição dos futuros executivos, pois “deviam ter obrigatoriamente pessoas das duas freguesias”. Independentemente da agregação, Graciosa Fontinha acredita que Vila Pouca da Beira “nunca será extinta”, nem “perderá a sua identidade”, prometendo neste fim de semana dar mais uma prova de que “ninguém apagará a nossa cultura”.

 

 

Acerca do Autor:

. Siga nas redes sociais Twitter / Facebook.