Fisco penhora senhas de presença de ex presidente da Assembleia Municipal

Folha do Centro - Fisco penhora senhas de presença de ex presidente da Assembleia Municipal

Poucos dias antes da destituição, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital foi notificada pelo Serviço de Finanças da Covilhã com uma ordem de penhora da “importância mensal líquida de 1/6 do vencimento” que António Lopes recebe como membro eleito da Assembleia Municipal, como vista a garantir o pagamento de uma divida de 1903, 35 euros relativa a um processo de execução fiscal que corre naquela repartição.

O Serviço de Finanças da Covilhã acaba de avançar com a penhora do valor mensal de 1/6 do vencimento do destituído presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, o que na prática, significa a execução do valor das senhas de presença que António Lopes auferiu pela representação deste órgão autárquico, como forma de garantir o pagamento de uma divida do “executado” no montante de pouco mais de 1900 euros.

A notificação de penhora de “vencimentos e abonos” a que o Folha do Centro teve acesso tem data de 12 de abril, ou seja, foi recepcionada pela Câmara de Oliveira do Hospital quinze dias antes da expulsão do presidente da Assembleia Municipal, na “célebre” reunião do passado dia 26 de abril, em que Lopes voltou a desferir graves acusações ao executivo liderado por José Carlos Alexandrino e à falta de rigor na gestão dos dinheiros do Município.

Críticas e insinuações que atingem agora aquele que até há bem poucos dias era o representante do mais alto órgão concelhio e se arrogava a “rainha de Inglaterra” da política local, sobretudo quando este sempre fez “gala” dos “milhões” distribuídos pelos negócios que detém e algumas instituições por onde passou e onde foi distinguido como benemérito. Fontes próximas do então presidente da Assembleia não deixam de estranhar o “comportamento” do conhecido empresário da Covilhã que nos últimos meses se “atirou” à governação autárquica, quando este, enquanto titular de um cargo público, com responsabilidades políticas no concelho, não dá o “exemplo”, ao ponto de deixar penhorar o seu vencimento de deputado municipal por uma dívida supostamente “irrisória” face aos montantes com que sempre “encheu a boca” quando falava da sua vida privada. Situação menos “abonatória” para o presidente da Assembleia Municipal destituído é ainda aquela que é vivida numa das suas empresas – a fábrica de fiação Fiper, na Covilhã, em que foram os próprios ex camaradas do PCP a denunciar a situação em que se encontram os trabalhadores, com os três meses de salários em atraso, mais dois subsídios.

Face ao agravar da precariedade de muitos dos trabalhadores da empresa, sendo que alguns se encontram mesmo em condições descritas como “verdadeiramente dramáticas”, o grupo parlamentar do PCP na Assembleia da República decidiu questionar o Governo, através do Ministério da Solidariedade Social, Emprego e Segurança Social sobre “o acompanhamento que tem sido feito à situação desta empresa” e que “medidas pretende tomar para assegurar o cumprimento e respeito dos direitos dos trabalhadores”, já que “a cada dia que passa sem os trabalhadores receberem o salário a que têm direito, agravam-se as suas condições de vida”, fazem notar num requerimento apresentado à tutela, e que acaba por pôr em causa aquilo que o ex militante comunista sempre defendeu.

Contrariamente ao que alguns classificam como sendo um “comportamento insólito” – a “traição” e a “insistente intriga” em relação a Alexandrino- António Lopes já tinha dado provas, noutras instituições por onde passou, de que gosta do “poder à sua medida” e não apenas do “cabide para o fato”, conforme expressou na reunião de saída. Exemplo disso foi a forma como saiu da Assembleia Geral do Sporting da Covilhã, onde para surpresa da massa associativa, “bateu com a porta” incompatibilizado com o presidente da direcção, José Mendes, por este alegadamente não lhe passar “cartão” dos assuntos do clube, vindo a encabeçar mais tarde uma lista adversária à liderada pelo presidente, que saiu derrotada, o que ditou até hoje o seu afastamento daquela coletividade.

Apesar de ter recebido a distinção de sócio “benemérito” do clube, onde durante anos funcionou como uma das principais “fontes de receita”, o Sporting da Covilhã não hesitou em lhe mover uma acção pelo não pagamento de umas obras que terá mandado executar na sede do clube, no montante de cerca de 70 mil euros, quando se tinha comprometido com o seu financiamento. Contas de outros “rosários” mas que deixam agora a cabeça de António Lopes a prémio, sobretudo por representarem o “contrário” do que o destituído presidente da Assembleia Municipal vinha apregoando e exigindo aos eleitos locais: “mais sentido de responsabilidade pelo que andam aqui a fazer”.

 

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