Indústria de lacticínios “não pode ser a má da fita”

Folha do Centro - Indústria de lacticínios “não pode ser a má da fita”

Responsável pela maior unidade de produção industrial do concelho, Luís Lagos, diz que falta de competitividade do queijo Serra da Estrela pode por em causa a sua sobrevivência.

É um “conflito” que teima em resistir, entre artesanal e industrial, entre aquele que é o genuíno queijo Serra da Estrela e o queijo de ovelha curado produzido nesta região.

Uma discussão que, Luís Lagos, sócio gerente de uma das maiores unidades de produção industrial de queijo de ovelha do concelho, diz “não fazer qualquer sentido”, desde logo porque “comparar dois queijos que são incomparáveis é uma perfeita ignorância e um mau serviço que os defensores do queijo Serra da Estrela estão a fazer a este marco da nossa cultura gastronómica”. “Esses senhores são os maiores inimigos do queijo Serra da Estrela, porque ao atacarem o queijo de ovelha estão a diminuir aquilo que deveriam verdadeiramente defender”, entende o empresário.
“São produtos diferentes e há espaço para os dois”, garante, lembrando que a indústria não pode continuar a ser a má da fita, só porque produz um queijo com características semelhantes. “Eu também gostaria de produzir só queijo Serra da Estrela, mas para isso era necessário haver leite suficiente para abastecer as fábricas, e não há”, refere, lamentando a postura “lírica” de algumas entidades com responsabilidades no setor que ao invés de se preocuparem com uma estratégia de desenvolvimento da raça bordaleira e de transformação do queijo Serra da Estrela num produto “altamente competitivo no mercado”, passam a vida a “encher a boca” com comparações com o queijo de ovelha produzido pela indústria da região.
“O maior inimigo do setor é não haver leite de ovelha de raça bordaleira, se não tenho leite só tenho uma de duas soluções: ou fecho as portas, visto o fato de pastor e faço dois queijos por dia, ou importo leite e continuo a criar riqueza na região”, refere Luís Lagos, lembrando que na vizinha Espanha esta discussão há muito que não se coloca, uma vez que os mesmos produtores já fazem o queijo DOP e o queijo «corrente»”. “Dizem que o queijo Serra da Estrela vai acabar, se acaba é por manifesta incompetência deles – ANCOSE e outras entidades”, acusa o empresário, que aponta falhas na melhoria da aptidão leiteira da ovelha bordaleira e na criação de estratégias que conduzam a uma maior atratividade do setor, pois “hoje quem trabalha com esta ovelha acaba na miséria”. “Parece-me evidente que a há uma falta de estratégia para terminar com o definhamento do efetivo animal nesta região”, observa ainda o empresário, julgando que mais importante do que debater os problemas da fileira, “é preciso vir para o terreno e com gente qualificada”, até porque “as ovelhas não dão leite com palestras”.

 

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