“Ipsis Verbis” evoca “galeria de personalidades” da região

Folha do Centro - “Ipsis Verbis” evoca “galeria de personalidades” da região

Revista da Escola Secundária de Oliveira do Hospital chega ao número seis.

Uma “galeria” de personalidades notáveis da região da Beira Serra podem agora ser recordadas e “revisitadas” no último número da revista “Ipsis Verbis”, lançado recentemente, numa sessão que contou com a presença de outros tantos “notáveis” que ajudaram a que esta publicação, da responsabilidade da Escola secundária de Oliveira do Hospital, voltasse a ser uma realidade.
Lançada pela primeira vez em 2003 pelo núcleo de história da ESOH, a revista tem vindo, ao longo dos anos, e ainda que com algumas interrupções, a retratar temas iminentemente relacionados com o concelho e com a região envolvente, apresentando-se, este ano, com um das maiores edições de sempre: 293 páginas, 96 artigos escritos por 87 autores.
“Atingiu um tamanho porventura excessivo, é a maior de todas até hoje”, afirmou, durante a apresentação, um dos mentores do projeto editorial, Luís Filipe Torgal. O docente de história que, não esconde o caráter interventivo da publicação, explicou a opção pelo tema de capa desta sexta edição – “Personalidades”, que, como referiu, visou essencialmente evocar uma “elite” que nasceu e viveu no concelho e nos concelhos limítrofes, e que “deu um contributo importante para transformar o concelho e o país”, algumas delas “atingindo uma dimensão nacional e internacional”. “O nosso desejo foi penetrar nos territórios das biografias histórica ou jornalística, para dar a conhecer sobretudo às gerações mais jovens, algumas das personalidades já falecidas que ajudaram a dinamizar o concelho de Oliveira do Hospital ou outros concelhos do interior beirão e, em alguns casos, contribuíram para edificar um país novo. Mais progressista ou mais conservador. Mais democrático ou mais autoritário”, pode ler-se no editorial, assinado pelos professores da ESOH e coordenadores de mais uma edição da Ipsis Verbis, Luís Torgal, Célia Lourenço e Francisco Henriques.
Escritores, políticos, médicos, industriais e comerciantes, foram várias as personalidades “selecionadas” para integrarem as páginas da prestigiada revista da ESOH, que ainda assim terá deixado de fora “a vida e obra de muitos beirões notáveis”, como admitiu o próprio Luís Torgal, para quem isto acontece por razões diversas. “Ou porque já foram evocados em números anteriores, ou porque as personalidades possíveis de serem biografadas excediam o espaço exíguo desta publicação, ou porque não foi possível em tempo oportuno obter documentação que permitisse a publicação de artigos fiáveis”, justificou. Feita a “clarificação”, e independentemente dos críticos, o docente está convicto de que “as personalidades que elegemos foi a mais abrangente possível para o tempo e para o espaço que tínhamos disponível”.
Um espaço que é já um “ícone” da Escola Secundária de Oliveira, que, segundo o professor, será das poucas escolas, senão mesmo a única no país a ter “um projeto editorial com esta qualidade literária e diversidade temática”. “Bandeira de uma escola com grandes tradições no concelho”, o número seis da revista “Ipsis Verbis” foi lançado no dia 23 de maio, dia em que a escola comemorava mais um aniversário, por ironia do destino, o mesmo dia em que esta foi “enterrada” pelas novas reformas educativas que ditaram a criação de um mega agrupamento no concelho, onde a secundária também foi fundida.
Não sendo “tema” da revista, Luís Torgal não deixou partilhar a “inquietação” com a nova agregação e com aquilo que designou de escola “babilónica”, que os novos diretores querem transformar numa “unidade produtiva de excelência”, esquecendo o “humanismo”, o “conhecimento”, e a “consciência crítica”.
Também o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, espera que o “fim da escola secundária enquanto entidade autónoma não inviabilize esta revista” e signifique “o fim deste projeto”, que pela parte do Município irá continuar a ser apoiado. Até porque, para o edil, esta publicação “presta um serviço público ao concelho”, ajudando a conhecer melhor o seu passado e a preservar a memória de “um povo”.

 

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