Marcha lenta “parou” Estrada da Beira

Folha do Centro - Marcha lenta “parou” Estrada da Beira

Protesto em defesa de melhor saúde e estradas mobilizou largas centenas de pessoas e viaturas ao final do dia de ontem

De carro, de bicicleta, moto e até mesmo de cadeira de rodas, largas centenas de pessoas paralisaram, ontem ao final do dia, parte da EN17, entre Oliveira do Hospital e Vendas de Galizes, naquela que foi uma marcha lenta em defesa de melhor saúde e estradas para o concelho, mostrando claramente ao poder central o seu descontentamento e indignação pelo facto deste território estar a ser esquecido nestas duas áreas fundamentais.

Um protesto que há muito vinha sendo “prometido” pelo presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino, que diz ter “esgotado” as vias do diálogo com o Governo, quer no plano da saúde, quer em termos de acessibilidades, nomeadamente depois da tutela não ter dado luz verde a um projeto “revolucionário” apresentado pelo Município na área dos cuidados de saúde primários para colmatar a falta de médicos de família no concelho.

O mesmo se passa com as vias rodoviárias de acesso ao concelho, nomeadamente a conclusão do famigerado IC6 até à A25 e a requalificação da EN17, que se encontra num estado degradante. Inconformado com a falta de respostas do Governo a estas reivindicações, depois de em maio passado ter feito um ultimato à tutela, relativamente ao estado da Estrada da Beira e do prometido concurso que ainda não tinha sido lançado para a realização de obras de melhoria desta via, que nos últimos anos tem visto disparar as taxas de sinistralidade, Alexandrino decidiu agendar uma “grande jornada de luta” que chamasse de uma vez por todas à atenção do “Terreiro do Paço” para a situação que se vive no concelho, onde atualmente mais de 60% da população não tem médico de família e as suas gentes e os seus empresários continuam a circular em estradas do “tempo da monarquia”.

Satisfeito com a mobilização conseguida ontem à tarde, e que a determinada altura “parou” a Estrada da Beira, num sentido, com centenas de viaturas particulares, de empresas e até de instituições a integrarem a marcha, Alexandrino entende que esta é a prova de que se trata de uma “reivindicação justa” e de “uma reivindicação que as pessoas sentem na pele”. “Sinto -me feliz porque a população respondeu, Oliveira do Hospital deu as mãos para lutarmos por aquilo que nós temos direito”, afirmou o edil, não tendo dúvidas que o protesto só não foi maior porque há muitas centenas de idosos que, por questões de mobilidade, não puderam participar, até porque são eles as principais “vítimas” da falta de médicos no concelho.

Desacreditado em relação ao atual governo, mas a deixar já o aviso para o que se seguir depois das legislativas, o autarca oliveirense considera que a jornada de ontem serviu sobretudo para “dignificar o concelho de Oliveira do Hospital”, mostrando a Lisboa que “neste território também vive gente que tem os mesmos direitos”. “É um sério aviso aos responsáveis políticos que “não podem continuar a fazer aquilo que querem”, advertiu o edil, lamentando que o concelho se encontre na situação em que está em termos de assistência médica, com cerca de 13 mil utentes sem médico de família que brevemente poderão chegar aos 15 mil, por “falta de vontade política”, porque “nós arranjávamos os médicos naquele projeto que tínhamos apresentado”.

A marcha lenta na EN17 terminou com uma concentração junto ao centro de saúde da cidade, onde as várias forças políticas que participaram no protesto fizeram uma intervenção, mostrando-se ao lado da “luta” por aqueles dois direitos fundamentais dos oliveirenses. De fora do protesto ficou o PSD local que, em comunicado, enviado aos órgãos de comunicação, justificou a sua ausência, repudiando, sobretudo, o timing escolhido para a manifestação, acusando o PS e o presidente da Câmara de claro “aproveitamento político da situação” e de quererem, a dois meses das eleições legislativas, “colher alguns louros”.

 

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