Meruge denuncia “crime ambiental” em parque emblemático da freguesia

Folha do Centro - Meruge denuncia “crime ambiental” em parque emblemático da freguesia

População acusa paróquia de abate “bárbaro” de dezenas de árvores centenárias.

A população de Meruge está revoltada com o corte de dezenas de pinheiros mansos centenares, levado a cabo, recentemente, pelos responsáveis pela gestão dos bens da igreja na paróquia, no emblemático parque de S. Bartolomeu.

Num abaixo assinado dirigido ao bispo da diocese, os populares já fizeram sentir a sua mais profunda “condenação” pelo que classificam de “grave e inexplicável crime ambiental”, consumado naquele que é um dos principais ex-libris da Freguesia, sendo por todos reconhecido como “uma preciosidade natural e arqueológica”. “Sem consulta, sem consideração, com absoluta insensibilidade e arrogância, motivados por mesquinhas razões de angariação de fundos para obras na Casa do Passal, os responsáveis pela gestão dos bens da Igreja na Paróquia de Meruge, cometeram um brutal crime ambiental e uma gratuita afronta contra a população local e a sociedade, que não podem ficar impunes”, denunciam os subscritores do abaixo assinado que circula na freguesia, lembrando “as singulares condições naturais e paisagísticas” do Parque de S. Bartolomeu, onde se destacava a sua mata centenar de pinheiros mansos agora parcialmente destruída.

“Desde tempos imemoriais que a população preserva e usufrui este espaço, razão do afeto e orgulho que cada um de nós sente por ele e pelas memórias que nos evoca”, referem os merugenses no mesmo abaixo assinado, onde dão nota dos equipamentos de lazer de que este dispõe, “o que faz com que este lugar seja permanentemente procurado por residentes e forasteiros, para praticar desporto ou viver tempos em família ao ar livre”.

Além do património natural, o parque de S. Bartolomeu é ainda conhecido pelos “inúmeros vestígios de civilizações antigas: tégulas, lagaretas e sepulturas antropomórficas”, sendo ainda nos seus terrenos que se situa o Campo de Futebol da freguesia, um dos mais antigos da região, “construído com o trabalho voluntário da população, na década de quarenta, do século passado”.

Por tudo isto, os populares, na sua maioria assumidamente cidadãos católicos e devotos, vêm agora mostrar o seu mais veemente repúdio sobre “os que decidiram, autorizaram e consumaram este ato bárbaro”, pedindo ao responsável máximo da Diocese de Coimbra que reponha, de alguma forma, a situação.

“Não nos movem quaisquer sentimentos de vingança ou retaliação”, esclarecem, pretendendo apenas denunciar estes “factos hediondos” e “esperar de Sua Reverendíssima um gesto de reparação pública a esta população ofendida no seu bem estar, na sua memória, na sua cultura e na sua dignidade”.

Confrontado com a polémica em que se transformou este derrube de pinheiros mansos no parque de S. Bartolomeu, o pároco da freguesia terá confessado na missa do último domingo algum desconhecimento da importância deste espaço para a freguesia, deixando a promessa de tentar repor a situação com a plantação de árvores no local numa ação que envolva também as crianças da freguesia.

Em causa está o abate de árvores com 150 e mais de 200 anos pelo valor de cerca de mil euros, que irá reverter para a realização de algumas obras de conservação de uma casa propriedade da paróquia, em Nogueirinha.

 

Acerca do Autor:

. Siga nas redes sociais Twitter / Facebook.