Moradores queixam-se de “atentado” contra Ponte das Três Entradas

Folha do Centro - Moradores queixam-se de “atentado” contra Ponte das Três Entradas

Colocação da tubagem do saneamento está a causar polémica.

Moradores da Ponte das Três Entradas dizem-se “chocados” com a recente colocação da tubagem do saneamento de ligação à ETAR, por cima da ponte que atravessa aquela localidade, e que como o próprio nome indica, trata-se de uma ponte com características únicas no país (com três tabuleiros).

O caso foi já denunciado às Estradas de Portugal, uma vez que a canalização foi colocada numa parte lateral da ponte que é atravessada pela Nacional 230.

Luís Álvaro de Campos, membro da direção da Associação Recreativa e Cultural da Ponte das Três Entradas e morador na localidade considera o que foi feito na zona lateral desta ponte “única na Península Ibérica” um “atentado ao património”. “Estamos a falar de uma ponte rara, que é um dos ex libris do vale do Alva”, recorda o morador e empresário na área do turismo, acusando os responsáveis da obra de “estragarem a ponte” ao terem optado por deixar à vista a canalização, quando a alternativa era “simples” se “escondessem a tubagem debaixo da ponte”. “Não se percebe, na altura do projeto pediram-se tantos pareceres por causa do impacto visual que as ligações podiam causar à ponte, e agora põem-se os tubos à vista, isto que estão a fazer é que provoca um choque paisagístico”, sustenta o empresário e dirigente associativo, empenhado em defender esta ponte, enquanto monumento de interesse público.

“Vamos avançar com a classificação desta ponte, mas com estes tubos não será a mesma coisa”, diz, recordando que o interesse da ponte é reconhecido pela própria Câmara Municipal que utiliza este “spot” nas suas ações de promoção turística do concelho. “Ainda agora aparece no vídeo promocional do Município”, constata, lamentando mais um “foco de polémica” a envolver a empreitada do saneamento básico à Ponte das Três Entradas. “Esta obra no geral tem sido um desastre, temos uma estrada esburacada há mais de um ano e meio, vamos ter saneamento que não serve toda a população, temos um hotel que não abre porque a ETAR ainda não está pronta, e esta é mais uma situação que vem prejudicar a terra” entende Luís Campos, não tendo dúvidas que a colocação dos tubos do saneamento à vista e sem qualquer preocupação com a imagem da ponte “foi mesmo a lei do menor esforço”, já que a alternativa, se optassem por desviar a tubagem para debaixo da ponte, “não chocaria” a paisagem.

“Temos pontes aqui próximas e não com este valor arquitectónico em que obrigaram a que os tubos relacionados com os esgotos ficassem escondidos, e aqui não se vê isso”, lamenta, dizendo -se a aguardar uma resposta da Câmara Municipal, que adjudicou a obra já no verão passado, depois de terem vindo a público alguns protestos da população, nomeadamente dos promotores turísticos de uma nova unidade hoteleira no local.

Confrontado com estas críticas dos moradores, o presidente da Câmara Municipal, José Carlos Alexandrino, esclareceu na última reunião pública do executivo que as intervenções na ponte foram sempre concertadas com as Estradas de Portugal, uma vez que um dos tabuleiros pertence à Nacional 230, pelo que a “solução” encontrada foi de acordo com os serviços técnicos daquele organismo. Seja como for, o autarca diz que já passou no local e “não lhe choca absolutamente nada” que os técnicos tenham optado por colocar a tubagem no sítio onde está colocada.

 

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