Moradores queixam-se de “poluição” provocada por ETAR da cidade

Folha do Centro - Moradores queixam-se de “poluição” provocada por ETAR da cidade

Vários moradores e proprietários de terrenos de cultivo na envolvente à ETAR da cidade de Oliveira do Hospital queixam-se de cheiros insuportáveis oriundos daquele equipamento. Apesar de dizerem que foi sempre assim e que nunca deixou de haver maus odores desde que Estação de Tratamento de Águas Residuais começou a funcionar, já lá vão pelo menos quatro anos, os populares lamentam que a infra estrutura tenha vindo a “dar cabo” das culturas e dos terrenos, além de exalar diariamente um cheiro “horrível”. “No sábado andámos aqui a fazer as vindimas e estava aqui um cheiro que não se podia a urina, até apanhei umas dores de cabeça”, conta um “vizinho” da ETAR, constatando que é rara a semana que “não estejam motores avariados”. “Sempre foi assim, no início os técnicos diziam que ia melhorar, mas continua tudo na mesma”, observa aquele morador das imediações, criticando o facto de terem prometido “um coisa boa para acabarem com a poluição e afinal ainda polui mais”. “Se for ali à ribeira de cavalos, a água vai negrinha”, diz o caseiro de uma quinta contígua à ETAR, onde passa uma levada que estava transformada numa autêntica banheira de “espuma”. “Ainda os engenheiros diziam que a água que saía daqui dava para beber, que a bebam eles, que eu prefiro morrer à sede”, dizem os habitantes da zona, queixando-se dos maus cheiros constantes, quer seja verão, quer seja inverno.”Há dias que não se pode aqui parar, no verão então era do piorio com os mosquitos”, relata-nos uma mulher que cultiva no local, dizendo que em agosto teve mesmo de recorrer ao centro de saúde por causa das “mordidelas dos mosquitos”. “Como as águas estão todas infetadas, picaram-me toda e aquilo infetou”, adianta, numa tentativa de descrever o cenário que os proprietários e moradores vivem desde que a nova ETAR da cidade foi construída. “Mais valia terem mantido a velha, porque nunca deu estes problemas, agora esta é uma desgraça, até quem vive no centro de Oliveira se queixa do cheiro”, dizem os populares, criticando a ausência de manutenção do equipamento, pois “até pensos higiénicos e papel vêm aqui parar”, quando “as pessoas usam esta água para regar as culturas”. “Querem maior poluição que esta água a correr aqui a céu aberto”, questionam, lamentando o mau funcionamento da ETAR.
Contatada pelo nosso jornal, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital informa ter conhecimento da existência de problemas na ETAR de Oliveira do Hospital, que são também do conhecimento da autoridade responsável pela monitorização da qualidade da água (ARH Centro) e pela empresa proprietária e responsável pela gestão do equipamento – Águas do Zêzere e Coa. De acordo com informação colhida junto do gabinete do presidente da Câmara, em causa está “um problema estrutural com a ETAR e que interfere com o processo de tratamento implementado”, o que tem levado, o executivo municipal a manifestar por várias vezes, o seu desagrado com a situação junto da empresa AdZC, no sentido de que sejam efetuadas as correções necessárias ao bom funcionamento do equipamento.

 

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