“Não prometi nada a ninguém, não precisei disso para ter as pessoas comigo”

Folha do Centro - “Não prometi nada a ninguém, não precisei disso para ter as pessoas comigo”

Cristina Oliveira, candidata do PSD à Câmara de Oliveira do Hospital, garante nunca ter estado arredada da vida do concelho, prometendo por cá continuar depois de 29 de setembro independentemente do resultado das eleições.

Há quem diga que só aceitou este desafio para fazer um frete ao partido que representa, o PSD. Como comenta estas afirmações?

Não sou mulher de fazer fretes a ninguém e o PSD não precisa disso. Se calhar os fretes são outros que os andam a fazer!
Apesar de ser uma oliveirense, a Dra. Cristina Oliveira esteve estes últimos anos arredada da vida do concelho.

Reconhece que esta é uma desvantagem em relação aos seus adversários?

Não estive arredada da vida do concelho, até porque continuei a visitar os meus pais na Catraia, e os meus filhos fizeram sempre boa parte das suas férias aqui. Pode dizer que não tive visibilidade política em Oliveira porque efetivamente pertencia às estruturas partidárias do PSD de Coimbra, mas isso não me impediu de acompanhar a vida do concelho. Infelizmente, fui obrigada a sair há muitos anos, como tantos outros jovens da minha idade, que não encontraram neste concelho as oportunidades para aqui fixar residência. Não vejo que seja uma desvantagem. Já outros antes de mim tiveram essa condição, que não os impediu de ganhar. A vantagem, essa, está do lado do meu adversário do PS que está no poder e pode servir-se das atividades e dos recursos do Município, pagos com os nossos impostos, para fazer a sua campanha. Aliás, é por essa razão que sou a favor da limitação de mandatos.

Há quatro anos o PSD estava profundamente dividido em torno de duas candidaturas, o que causou o desaire eleitoral do partido no concelho. Não continua a sentir essa divisão?

Sinto que há pessoas com ideias diferentes, como em qualquer partido ou equipa, que pensam pela sua cabeça e não são subservientes, bem sei que há partidos que são assim. Não é o caso do PSD, mas isso não significa divisão. Esse facto que os meus adversários procuram criar reflete o medo que têm da força do PSD. Todos sabemos em que circunstâncias o poder caiu nas mãos do PS, que aliás já hoje veio admitir que não estava preparado! Todos percebemos isso pelo balanço do mandato deste executivo. Apesar da boa situação financeira deixada pelo executivo liderado pelo Professor Mário Alves, a maior parte da obra feita estava já adjudicada ou em projeto. E mesmo assim, o mandato do PS ficou muito aquém das promessas feitas.

Como explica então que o PSD não apresente lista em algumas freguesias, nomeadamente em Lagares da Beira, a 4ª maior freguesia do concelho e que foi durante anos governada por autarcas do partido social democrata?

O trabalho de constituição das listas às Juntas foi da responsabilidade da Comissão Política Concelhia, embora eu tenha humildemente dado o meu contributo sempre que pude. Percebo a sua pergunta, porque me recordo da voz corrente na rua dizer que o PSD não conseguia fazer listas e elas estão aí, com gente séria que está pelo projeto em si. O perfil dos candidatos foi determinante. Estranho que não me pergunte como se conseguiu fazer listas em Meruge, onde há muitos anos não havia um projeto do PSD! Lagares da Beira não ficará de fora do meu projeto por não ter lista para a Junta e terá, por isso, uma atenção redobrada. Foi com pena minha que não se concretizou o projeto, quando havia um grupo de pessoas disponíveis e com vontade.

A própria constituição das listas à Câmara Municipal e Assembleia Municipal deixa de fora algumas das figuras que marcaram a agenda politica na oposição. Refiro-me ao caso de Rui Abrantes, por exemplo…

Terá que perguntar ao Rui Abrantes a razão pela qual não aceitou integrar a lista à Assembleia. Não me cabe a mim dar-lhe essa resposta.

Aliás, em diversas intervenções suas e do presidente da Concelhia, foi reconhecida alguma dificuldade no processo de recrutamento de candidatos. Admite que não foi fácil fazer as listas?

A mim nunca me ouviu dizer isso! Foi um processo absolutamente normal. Não deixa, no entanto, de ser importante refletir sobre o que têm feito os políticos para dar uma melhor imagem e fazer da política uma atividade nobre e, sobretudo, um ato de cidadania. É assim que a vejo. Os modelos que as pessoas têm à sua volta desmotivam-nas da participação política porque veem interesses ocultos, manobras menos claras, desigualdade no tratamento. Embora os nossos 30 anos de democracia nos tenham dado alguma maturidade, ainda estamos longe do ideal. Os nossos cidadãos só se irão interessar pela política quando ela servir o interesse comum. Temos ainda um longo caminho a percorrer.

Tem acusado o PS de ter comprado vários candidatos, inclusive autarcas eleitos pelo PSD. Não sente que a sua candidatura também é responsável por não ter conseguido aglutinar essas pessoas?

Eu tenho um projeto, quem está comigo é porque se revê na minha forma de ser e de estar, assim como nas minhas ideias. Não prometi nada a ninguém, não precisei disso para ter as pessoas comigo!

Acha que o facto de ter liderado, enquanto Diretora Regional de Educação, o processo de fusão de agrupamentos de escolas no concelho e deste não ter sido pacífico, lhe tem causado algumas dificuldades como candidata?

O processo não foi pacífico porque o Sr. Presidente não quis e preferiu assumir uma atitude de confronto e inflexibilidade, recusando-se a negociar quando foi chamado à mesa. É preciso esclarecer que o processo de fusão de unidades de gestão foi um compromisso assumido pelo governo do PS com a TROIKA. Esse processo iniciou-se em 2010 em vários concelhos vizinhos, por imposição, sem lugar sequer à discussão. Eu procurei o consenso mas, infelizmente, não tive um interlocutor interessado em propor soluções. Eu propus dois agrupamentos em tempo oportuno, mas não foram aceites. E devo dizer que noutros concelhos, foi possível chegar a acordo. Costumo citar o exemplo da cidade da Guarda, onde se fizeram dois agrupamentos, sob proposta de uma comissão do conselho municipal de educação que estudou o assunto e, de forma muito séria, sem necessitar de contratar estudos externos, apresentou a solução, que eu subscrevi. Este assunto tem sido usado pelo Sr. Presidente como uma arma de arremesso político, com acusações muito sérias e que faltam à verdade. Dificuldades como candidata? Nenhuma! Nunca fui abordada sobre este assunto na rua por ninguém, até porque está tudo a funcionar normalmente e não se concretizou a profecia da hecatombe! Se fosse assim tão mau, tão difícil, ninguém teria assumido ficar na sua gestão e os ex-diretores ficaram todos. Não sou uma irresponsável. Tenho quase 20 anos de carreira docente, em muitas escolas deste país, o meu marido é Diretor de um Agrupamento e sei bem o que é a vida de uma escola. A questão foi tratada como um assunto meramente político, e mal.

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