Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras extingue atividade

Folha do Centro - Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras extingue atividade

Associação foi fundada em 2006 pelo empresário Fernando Tavares Pereira.

Fundado em 2006 pelo empresário Fernando Tavares Pereira, o Núcleo de Desenvolvimento Empresarial do Interior e Beiras (NDEIB), com sede em Oliveira do Hospital, termina agora a sua atividade. A proposta de extinção do NDEIB foi aprovada numa assembleia geral, realizada no passado dia 3, e tem como principal fundamento “o desinteresse” que tem vindo a ser manifestado não apenas pelos empresários e membros fundadores, como das próprias autarquias e governo em relação aos objetivos para que foi criado. “Houve um abandono de toda a gente, marcavam-se reuniões e não aparecia ninguém”, lamenta o empresário oliveirense e presidente da assembleia geral, Carlos Andrade, para quem, o NDEIB só fazia sentido se “congregasse um certo número de pessoas e instituições”. Ora, como isso só aconteceu no princípio, quando o núcleo foi criado, “chega-se a uma altura que satura”, garante o conhecido industrial das confeções, enaltecendo o trabalho do sócio fundador, Fernando Tavares Pereira, que se manteve à frente do Núcleo até agora, sendo também o seu principal financiador. “Foi ele o grande impulsionador, sustentava materialmente o NDEIB, mas chegou a uma altura em que se sentiu sozinho, e isto não pode ser um projeto de uma só pessoa”.
E se no inicio, o núcleo empresarial funcionou como uma espécie de grupo de pressão para a resolução do problema das acessibilidades, mas também das questões relacionadas com o desemprego, que foram o mote para a realização de alguns debates em Oliveira do Hospital com a presença de membros do governo, o protagonismo depressa se esfumou, com a alteração das politicas a nível nacional, de contração do investimento público.“A questão é que da forma como isto está”, em que se criou “uma barreira quase intransponível para resolver certos problemas, as pessoas não conseguem fazer nada”, entende Carlos Andrade, aproveitando para lembrar que este não é caso único, pois a “nível nacional são conhecidas várias associações, muito mais representativas que o NDEIB, com dificuldades em fazer o seu trabalho”. “O NDEIB fazia sentido se as pessoas se sentissem apoiadas e se vissem que tinham alguma hipótese de resolver os problemas de uma região, como isso não acontece, cai-se na descrença, na desmotivação e é cada um por si”, considera o empresário, não tendo dúvidas que “os poucos quilómetros de IC6” que se fizeram entre a Catraia dos Poços e o limite do concelho de Oliveira do Hospital se ficaram a dever à ação do NDEIB junto do Ministério das Obras Públicas. “Tenho sérias dúvidas que se não fosse a pressão do NDEIB a obra se concretizasse”, acredita o empresário, julgando, nessa medida, que o NDEIB cumpriu parte dos seus objetivos que era contribuir para a criação de novas vias de comunicação nesta região. Apesar de lamentar a dissolução desta associação empresarial da região, o até aqui presidente da assembleia geral está em crer que, com ou sem NDEIB, “pouco podemos fazer”, porque “não nos deixam trabalhar”. “Não nos dão condições para fazer, para produzir, para exportar e o que vai acontecer é um encerramento de empresas em catadupa ”, prognostica o empresário das confeções, para quem a extinção do NDEIB não é mais que o reflexo do desânimo reinante do tecido empresarial.

 

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