“O Portugal 2020 está a chegar mais cedo que o QREN”

Folha do Centro - “O Portugal 2020 está a chegar mais cedo que o QREN”

Oliveira do Hospital acolheu ontem a primeira reunião descentralizada do Conselho Regional do Centro da CCDRC, que contou com a presença do secretário de Estado da Administração Local.

Oliveira do Hospital esteve ontem no centro das atenções da região, acolhendo aquela que foi a primeira reunião descentralizada do Conselho Regional da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento da Região Centro (CCDRC).

Uma reunião que contou com a presença do secretário de Estado da Administração Local, Leitão Amaro, que assinalou o facto do novo quadro estratégico 2020 estar a chegar às empresas e “agora ao Municípios mais cedo que o QREN”.

Depois dos atrasos conhecidos do anterior quadro comunitário de apoio, o governante e a própria presidente da CCDRC, Ana Abrunhosa garantiram em Oliveira do Hospital que o novo programa operacional está “com toda a força” no terreno, o que é um “grande desafio porque estamos a encerrar um programa e a iniciar outro, tendo, neste momento, 400 milhões de euros em concurso para as empresas”, considerou. Assegurando que a região Centro não irá “devolver um cêntimo” a Bruxelas do QREN, tendo um “plano B” chamado “overbooking” para onde pretende canalizar, até ao final do ano, uma carteira de projetos, aproveitando verbas que não foram executadas, Ana Abrunhosa, adiantou também que o 2020 está a correr a bom ritmo, prevendo-se que a execução dos 400 milhões de euros possa iniciar-se a partir do verão, sendo que a partir dessa altura, estarão igualmente reunidas as condições, para “abrir concursos para os projetos das Comunidades Intermunicipais”, referiu, fazendo notar o facto de, pela primeira vez, as autarquias serem ouvidas numa matéria importante como são os apoios relativamente aos investimentos da administração regional e central.

Uma questão realçada também pelo secretário de Estado, que falou numa “coincidência feliz” a CCDRC ter saído pela primeira vez de Coimbra, para discutir “várias descentralizações” como é a “negociação” tripartida e “concertada” que vai acontecer neste quadro comunitário entre cada setor do Estado, a autoridade de gestão e os Municípios, relativamente aos investimentos públicos a realizar. “O país não pode mais estar a fazer investimentos sejam eles na educação, na saúde, na área social, na cultura, de uma forma indiscriminada e sem critério, gerando muitas vezes duplicações ou casos de equipamentos sem qualquer procura” aludiu o governante, que fala não só de um reforço da contratualização com os municípios que, no anterior quadro comunitário dispuseram de 1,4 milhões de euros e agora contam com 1.800 milhões, como numa participação mais ativa na discussão das reais necessidades do país, através do chamado “mapeamento” do país que, na prática, é não é mais que um levantamento do que existe e apontar onde é que os investimentos são necessários, com o objetivo de “evitar duplicações e fazer apenas investimento onde ele é mesmo necessário”.

Consciente da mudança de “paradigma” do novo quadro Portugal 2020, o anfitrião desta primeira reunião descentralizada da CCDRC, o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, José Carlos Alexandrino, não deixou “cair no esquecimento” aquela que é uma das suas principais lutas como autarca, que é a conclusão das acessibilidades a esta região, nomeadamente a concretização do IC6 e a ligação até à A25. “Percebo a alteração de paradigma e até estou de acordo que a estratégia 2020 esteja virada para o desenvolvimento económico, para a criação de emprego e para a competitividade, mas acho que Bruxelas deve continuar a ver o que é importante para estas regiões e que tenha a ver com essa dinâmica económica”, frisou, chamando uma vez mais à atenção do governo e dos diversos atores da região para a pertinência deste investimento, até pelo volume de “exportações” que o concelho e outros municípios vizinhos representam.

“O que nós reivindicamos é uma estrada digna desse nome e acredito que, eu e a senhora presidente da CCDRC, havemos de conseguir que a Comissão de Mobilidade de Bruxelas aprove este pequeno troço de IC”, afirmou o autarca, entendendo que estas reuniões descentralizadas, que a CCDRC deixou a promessa de continuar a fazer, são um sinal de um novo olhar para o interior e para estes territórios de baixa densidade, que vivem hoje um drama enorme que é a desertificação que é “preciso inverter”, alertou o edil.

 

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