Oliveira do Hospital “é caso único a nível nacional”

Folha do Centro - Oliveira do Hospital “é caso único a nível nacional”

Projeto Educativo Local diz não haver nenhum outro concelho onde se concentrassem tantas escolas num só mega agrupamento.

O coordenador do Projeto Educativo Local (PEL) voltou a defender a criação não de um, mas de dois mega agrupamentos de escolas no concelho de Oliveira do Hospital, numa clara e inequívoca oposição à proposta apresentada pelo Ministério da Educação.
Em declarações aos jornalistas, à margem de um workshop sobre o papel dos pais no processo educativo, que decorreu na Casa da Cultura César Oliveira, António Rochete, mostrou-se contra o modelo de reorganização da rede escolar sugerido pela tutela, entendendo que Oliveira do Hospital, pela sua morfologia, teria de ficar com pelo menos dois mega agrupamentos, onde incluiria, todavia, a escola secundária e a escola profissional. O coordenador do estudo considera não fazer “qualquer sentido” continuar a deixar de fora desta “rede” a escola profissional e ao mesmo tempo exigir que “tenha gente a ser formada”, assim como diz não entender a agregação de quatro agrupamentos mais a escola secundária, que representam ao todo mais de 30 escolas e três mil alunos.
O professor universitário que vinha coordenando este trabalho em anteriores governos do PS deixa claro que não é contra a fusão de agrupamentos, afirma simplesmente que a reorganização do parque escolar não pode ser feita de igual modo em todo o lado, porque uma coisa é ter “3 mil alunos em escolas que distam pouco umas das outras”, outra realidade é ter 3 mil alunos em escolas que vão de uma ponta à outra do concelho, como está a acontecer em Oliveira do Hospital, em que a realidade da Cordinha em nada tem a ver com o Vale do Alva. “Isto é caso único a nível nacional, unir quatro agrupamentos e escola secundária num mega”, constata o coordenador do PEL, lamentando que a DREC não se tenha articulado com este projeto, cujos objetivos, também faz questão de esclarecer, vão muito para além das “agregações”.
Rochete garante que não havendo outra alternativa, o projeto educativo local vai tentar ser um parceiro na gestão, preparando este território para “uma nova fase” em termos de política educativa e para a diferente visão de educação que deve existir em territórios de baixa densidade, como é o caso de Oliveira. Aliás, em matéria de evolução demográfica, o diagnóstico e as projeções estão feitas: “não sendo dos casos piores, se nada for feito podemos ter aqui um futuro algo sombrio”, afirmou perante algumas dezenas de pais que assistiam à sua intervenção. “Nos últimos dez anos só o setor central da cidade e a freguesia de Nogueira crescem, todas as outras freguesias perdem população”, adiantou o professor, julgando que o maior desafio dos municípios é tentar alterar este trajeto através da educação. É que se assim não for, “nos próximos 20 anos o decréscimo populacional ainda vai ser mais acentuado”, prevendo-se que Oliveira do Hospital possa perder o equivalente ao total da população de Góis, ou seja, mais de três mil pessoas.

 

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