“Para ele [António Lopes] tudo tem um preço mas eu não me vendo por dinheiro”

Folha do Centro - Autarca de Oliveira do Hospital pede auditoria à Câmara

José Carlos Alexandrino responde às suspeições levantadas pelo ex presidente da Assembleia Municipal anunciando, em primeira mão, nesta entrevista que já pediu a realização de uma auditoria à Câmara Municipal.

Folha do Centro – É uma inevitabilidade começarmos pela crise política que está instalada entre o agora destituído presidente da Assembleia Municipal, o senhor António Lopes, e o senhor presidente da Câmara. Até que ponto é que António Lopes o surpreendeu neste processo?

José Carlos Alexandrino – O senhor António Lopes não me surpreendeu porque já o conheço suficientemente para saber que, que quando não lhe fazem a vontade e é contrariado, normalmente arranja conflitos para tentar que as suas teses vinguem. Hoje, isso está mais do que demonstrado tanto pelo seu percurso político como em outras facetas conhecidas da sua vida.
Para ele tudo tem um preço mas eu não me vendo por dinheiro. Bato-me sempre pelas minhas ideias e pelas minhas convicções. Mas, como lhe disse, conheço bem as suas virtudes mas também conheço os seus defeitos.
Mas, na verdade, a postura de António Lopes não me causa estranheza porque o seu ego pessoal é maior que o concelho de Oliveira do Hospital.

Já antes das últimas eleições autárquicas havia rumores de divergências entre os dois, focadas essencialmente nas opções políticas que vinham a ser feitas pelo projeto politico que encabeçava. Conhecendo bem como conhecia o senhor António Lopes porque é que insistiu na sua recandidatura à liderança da Assembleia Municipal?

Hoje reconheço que foi um erro, pois durante a pré-campanha e depois de estarmos comprometidos com o projeto autárquico do PS, tentou afastar-me para fazermos uma lista de independentes com o Dr. Paulo Rocha. Por isso veja a coerência dele…
Mas eu, por ser um homem de uma só palavra, disse sempre que só seria candidato pelo Partido Socialista. Ele sempre invejou a minha popularidade e isso foi sempre um engulho no seu ego.
A convicção de António Lopes é que foi ele e o seu dinheiro que ganharam as eleições, assim como agora afirma que, nestas últimas eleições, teve 8 mil votos. Fico espantado.
Eu pergunto: Então e os outros? E o trabalho dos nossos candidatos nas suas freguesias, não valem nenhuns votos? Com estas insinuações, António Lopes renega e desvaloriza o trabalho de mais de 300 candidatos que concorreram pelas listas do PS. Não é justo!
O que ele também ainda não percebeu é que a votação que teve nas autárquicas não lhe dá automaticamente o lugar de presidente da Assembleia Municipal. Se ele foi eleito para aquele lugar, isso deve-o à votação dos membros da assembleia. Aliás, ele sabe que em 2009, e apesar de ter ganho as eleições, esteve na iminência de não ficar na presidência da assembleia, onde só foi eleito à segunda vez.

 

O António Lopes que agora anda tão preocupado com as contas da Feira do Queijo, por exemplo, é o mesmo António Lopes que passou o anterior mandato todo – e isso é público – a tentar convencer-me de que deveria comprar um carro preto de alta cilindrada para o presidente da câmara

 

Passados menos de três meses das eleições e da vitória estrondosa do PS, o presidente da Assembleia Municipal não se “conteve” e assumiu publicamente algumas criticas/denúncias graves relativamente à sua gestão da Câmara Municipal. O que é que acha que mudou para ele ter tomado a atitude de rutura que tomou?

Não mudou absolutamente nada. O problema foi o senhor António Lopes ter percebido que, quando eu afirmei que não me voltaria a recandidatar, nunca o apoiaria para ser o candidato à Câmara Municipal porque, na minha perspetiva, não tem o perfil que eu entendo para ser presidente da câmara. Esse foi o único pecado, entre aspas, que cometi. Foi dizer-lhe isso: que não o apoiaria.
Depois, como eu também já afirmei na Assembleia Municipal, a política tem regras e princípios e limites que não podem ser ultrapassados. O senhor António Lopes não podia querer ser presidente da assembleia, deputado municipal e ao mesmo tempo líder da oposição. Quando percebeu que ninguém estava disposto a aparar-lhe esse jogo, entrou na maledicência, na intriga e, muito mais grave, foi pelo caminho da ameaça e da chantagem.
Outro aspeto relevante é que ele ficou incomodado quando soube que eu iria ser o vice-presidente da Comunidade Intermunicipal da Região de Coimbra.
Como somos pessoas de bom senso e de diálogo, esgotámos toda a diplomacia política que era possível fazer. Como a Margarida Prata sabe houve um conjunto de insinuações graves que foram feitas pelo senhor presidente da Assembleia Municipal que, pouco tempo depois, foram desmentidas por ele mesmo numa conferência de imprensa e numa entrevista que deu à rádio Boa Nova. Aliás, foi o seu próprio jornal a anunciar o fim desta novela política que ele criou com o título do “Perdoa-me”. E de facto houve um perdão político ao senhor Lopes pelos excessos que cometeu.
Portanto, e depois de eu não ceder a um conjunto de situações que entendi serem da esfera política do Presidente da Câmara, o senhor António Lopes retomou a sua postura maledicente mas, digo-lhe isto com toda a franqueza, tanto eu como o PS tentámos sempre que ele saísse com dignidade do cargo. Aliás, essa era a saída que todos desejávamos.
Como comenta as suas denúncias relativamente ao favorecimento de gente com ligações ao PS, de dinheiro a mais gasto em festas, da legalidade de determinados contratos e obras lançadas pelo seu executivo, entre outras que ele não se cansa de enumerar agora…
Sobre as denúncias que tem vindo a efetuar sempre de forma cobarde, o que lhe posso dizer é que foi o mesmo António Lopes que veio para a rádio redimir-se e afirmar, por exemplo, que afinal eram só cinco ou seis pessoas ligadas ao PS que estavam na câmara num universo, segundo ele, de mais de 150 pessoas com ligações ao PSD.
Mas, deixe-me também que lhe diga que o António Lopes que agora anda tão preocupado com as contas da Feira do Queijo, por exemplo, é o mesmo António Lopes que passou o anterior mandato todo – e isso é público – a tentar convencer-me de que deveria comprar um carro preto de alta cilindrada para o presidente da câmara. E como bem sabe, nunca cedi nessa matéria e continuo com o carro que herdei do anterior executivo.
De qualquer modo, e porque não gosto de viver em climas de suspeição, acabo de enviar para o senhor Inspetor Geral das Finanças – está aqui o ofício que pode ler – um pedido de realização de uma auditoria a esta câmara municipal, acompanhado da cópia de um pedido dirigido pelo senhor António Lopes à mesa da Assembleia Municipal a levantar um conjunto de suspeições. Como facilmente se percebe, nada tenho a temer.
Mais: não cedo a chantagens e desempenho o meu cargo de forma honesta, com uma grande dedicação, assim como toda a minha equipa. No meu vocabulário não existe a palavra medo e, por isso, nada tenho a recear. O tempo vai encarregar-se de demonstrar onde está a razão. Tenho muito orgulho nos elementos da minha equipa e na sua persistência. Já passei por desafios semelhantes noutras organizações e sei que saí sempre limpo, como sairei quando cessar as minhas funções no município. Outros há que, olhando para o seu passado, talvez não possam dizer o mesmo.

Entende estas posições do senhor António Lopes, como afirmou ainda na reunião da Assembleia Municipal, num quadro de problemas que este poderá estar a atravessar em termos pessoais e financeiros?

Sobre isso poderia contar muitas coisas… não o faço por uma questão de princípio pois tem a ver com a vida particular do senhor António Lopes e esta apenas lhe diz respeito a ele e não a mim. Mas é público e notório que a sua vida financeira atravessa um período difícil e se não fossem alguns amigos de Oliveira do Hospital muito pior estava.

O senhor António Lopes acusa-o de querer ser o dono da Câmara e de, inclusivamente, ter “tiques” piores do que Mário Alves… Porque é que acha que ele diz isto…porque queria ser ele a mandar?

A minha liderança é uma liderança ao lado das pessoas e sobretudo ao lado de quem mais precisa. Todos os munícipes percebem que há grandes diferenças entre mim e o anterior presidente da câmara, até porque somos pessoas totalmente diferentes e com opções políticas também diferentes.
Que o senhor António Lopes sempre insistiu em dizer que o professor Mário Alves tinha tiques autoritários, lá isso sempre disse. Agora, no que a mim diz respeita essa carapuça não me serve.
Quanto a tiques, o que lhe posso dizer é que tiques tem aquele que disse que não voltaria e que eu também não devia voltar mais ao Centro e Recreio e Convívio de Alvoco das Várzeas porque não tinha sido recebido com a deferência que o cargo de presidente da Assembleia Municipal merece; outro caso que lhe posso relatar são os pedidos que insistentemente me fazia para boicotar a freguesia de Vila Franca da Beira por causa de desavenças com um seu antigo camarada que, em 2009, ganhou a presidência da junta.
Tiques tem aquele que achava que eu não devia ir a todas as coletividades porque isso era desvalorizar a figura do presidente. Sim, é verdade que sou muito diferente do senhor António Lopes e nunca me referi ao povo de modo depreciativo como ele o fazia, apelidando-o de “povoléu”.
Tiques, tem também quem andou sempre de volta de mim a incentivar-me para cortar a publicidade do município ao Folha do Centro pelo facto de o jornal de que a Margarida Prata é diretora não dar cobertura às suas intervenções na Assembleia Municipal.
É também desta falta de caráter, de coerência e de verticalidade, que me cansei.

 

Porque não gosto de viver em climas de suspeição, acabo de enviar para o senhor Inspetor Geral das Finanças um pedido de realização de uma auditoria a esta câmara municipal

 

Acredita que António Lopes estava a querer controlar a Câmara Municipal para ser candidato nas próximas eleições autárquicas, uma vez que o senhor já anunciou, por diversas vezes, que este seria o seu segundo e último mandato?

Volto-lhe a dizer que o sonho dele, embora de forma encoberta, era ser presidente da câmara e queria o meu apoio que nunca terá, perceba-se. Se ele soubesse que o PS ganhava as eleições em 2009, o senhor Lopes teria querido ser com certeza o candidato. Já em 2013 fez várias tentativas para me descredibilizar, como pode confirmar o Dr. José Francisco Rolo e outros militantes.
Portanto, esta falsa crise política só existe porque ele percebeu que não teria o meu apoio. Foi por isso que por várias vezes instigou pessoas do PSD e do CDS contra mim e contra o meu executivo, para tentar criar um clima de crise política. Tenho de agradecer ao PS por se ter unido à minha volta, não o deixando fazer a baixa política vergonhosa que pretendia. O que ele me queria fazer era um assassinato político com um conjunto de insinuações e de mentiras.

Entretanto António Lopes foi destituído de presidente da Assembleia Municipal, processo que ele afirma também estar ferido de ilegalidade, e por isso mesmo já apresentou uma ação de impugnação junto do Ministério Público. Não acha que a saída dele poderia ter sido feita com outra dignidade, como ele reclama?

Perante as suspeições, as calúnias e as mentiras que ele foi apregoando sobre o presidente da câmara e o seu executivo, de forma sub reptícia, tentando dividir para reinar, tenho que lhe voltar a recordar a atitude que o senhor Lopes teve em fevereiro e que o seu jornal até publicou com o título “Perdoa-me”. Nessa altura, desculpou-se das faltas de lealdade e até assinou um documento onde assumiu um conjunto de compromissos em que reconheceu que houve muitas insinuações que não correspondiam, de facto, à verdade. Acha que isto é de uma pessoa normal?
Depois, mais tarde, aproveitou o Regimento da Assembleia Municipal para criar mais uma pseudo crise, continuando com a sua odisseia de maledicência e intriga. Perante estes factos informei a comissão política do PS que teria que haver uma escolha entre José Carlos Alexandrino ou António Lopes, porque eu não estaria disponível para estar ao lado deste indivíduo, com toda esta falta de caráter. Tenho um problema: não consigo ser hipócrita e o PS decidiu estar ao meu lado. Por isso, quero dizer que perante a traição, a deslealdade e sobretudo pela coerência que pauta a minha vida não poderia continuar a ter relações com este falso profeta.

Acha que ele deveria ter tirado as ilações e apresentado logo a demissão após os resultados da votação da moção de confiança apresentada pelo PSD/CDS?

Sem dúvida que o seu apego à cadeira do poder e ao protagonismo de ser o presidente da Assembleia Municipal enchia-lhe a alma e o ego. Depois de uma larga maioria ter chumbado a moção de confiança apresentada pelo PSD e CDS só havia um caminho: era reconhecer que tinha perdido a confiança daqueles que o elegeram e, num ato de humildade, deveria ter-se demitido e pedido desculpas aos oliveirenses. Podia, por exemplo, ter aprendido com o presidente da Assembleia Municipal do Porto, o Dr. Daniel Bessa, que logo no início do mandato soube sair com dignidade, demitindo-se.
Mas nesta fase, já era um homem sem dignidade e sem princípios. Para ele valia tudo e ficou demonstrado que o amor que tantas vezes apregoou sobre o concelho não passava, e não passa, de uma farsa.

Independentemente da decisão judicial relativamente à legalidade ou não da forma como foi votada a proposta de destituição do presidente da AM, há uma coisa que é certa, a proposta para a sua demissão vai continuar em cima da mesa, como o próprio PS já admitiu. A sua sucessão passa pelo deputado Carlos Mendes?

É ao Grupo Municipal de eleitos pelo Partido Socialista que cabe indicar o presidente e por isso não me imiscuirei nessa escolha. O executivo é uma coisa e a assembleia municipal é outra. Felizmente, o PS tem vários deputados eleitos que reúnem perfil para esse cargo.

 

O problema foi o senhor António Lopes ter percebido que, quando eu afirmei que não me voltaria a recandidatar, nunca o apoiaria para ser o candidato à Câmara Municipal

 

Receia que este clima de conflitualidade possa prejudicar o seu mandato?

Não acredito por uma razão extremamente simples. Não tenho medo da crítica nem da luta política. Continuarei fiel ao programa eleitoral que apresentei ao povo do concelho. O que pode prejudicar o meu mandato são aqueles que dizem que estão ao serviço do concelho mas que tentam boicotar, junto do poder central, as justas reivindicações dos oliveirenses. São sobretudo aqueles que falam num grande amor a Oliveira do Hospital, mas quando é preciso lutar pelo concelho, escondem-se, pois a partidarite aguda sobrepõe-se aos interesses do concelho.

Mudando agora um pouco as agulhas…Ultimamente tem focado muito o seu discurso na necessidade de apoio às empresas e ao empreendedorismo como forma de fomentar a empregabilidade no concelho. Que medidas é que o seu executivo tem preparadas para avançar no imediato nesta área?

Estamos a avançar com a atribuição de lotes na zona industrial que ampliámos em 2012, disponibilizando lotes a preços simbólicos. A câmara acabou de aprovar um regulamento de incentivos ao investimento empresarial, que está em discussão pública e vem facilitar a vida aos empresários, como por exemplo ao nível do apoio por posto de trabalho criado, simplificação de procedimentos, apoio na criação de infraestruturas empresariais, isenção de taxas e apoio em projetos de internacionalização das empresas oliveirenses, entre outros.
Outra boa notícia é a conclusão da revisão do Plano Diretor Municipal (PDM) que permitirá resolver situações pendentes e perspetivar novas soluções para o desenvolvimento empresarial.
Estamos também a investir na preparação dos nossos empresários para poderem preparar o acesso atempado ao próximo Quadro Comunitário de Apoio. E, nesta matéria, queremos avançar com novidades que temos em preparação.

Vai deixar cair um pouco a prioridade dada até aqui aos apoios sociais para o canalizar para quem gera riqueza que é o setor privado e as empresas?

A prioridade dada ao desenvolvimento económico e ao apoio empresarial não colide com as políticas sociais. Temos, com inteligência, de saber apoiar o investimento empresarial gerador de emprego e riqueza e garantir que as pessoas mais carenciadas não sejam privadas da sua dignidade. Até podemos conciliar estas duas áreas, promovendo por exemplo o combate ao desemprego com estímulos à empregabilidade nas empresas.

E as festas …com tantas restrições orçamentais vai conseguir manter o calendário e o “nível” de eventos de anos anteriores?

Eu até percebo que há quem queira que estejamos aqui de braços cruzados à espera que a crise passe e, até desejam que não façamos nada, para depois nos acusarem que o concelho está no marasmo. Não vamos por aí. A Camara Municipal vai continuar a fazer e a apoiar grandes eventos-marca para projetar o concelho de Oliveira do Hospital na região e no país. Eventos mobilizadores e atrativos que tragam gente a Oliveira do Hospital, cada vez mais gente, e que por sua vez tenham um impacto na economia local, gerando riqueza.
Alguém duvida por exemplo que a Festa do Queijo Serra da Estrela, como já foi reconhecido pela própria oposição, é uma grande aposta do ponto de vista do marketing mas também do ponto de vista do retorno económico? Alguém quer que acabemos com a EXPOH? Alguém quer que deixemos de apoiar eventos, que hoje são uma referência, como por exemplo a Feira do Porco e do Enchido de Meruge ou a Festa da Castanha de Aldeia das Dez, que já hoje faz parte do calendário de evento da Rede de Aldeias do Xisto? São interrogações que eu deixo…

 

A convicção de António Lopes é que foi ele e o seu dinheiro que ganharam as eleições, assim como agora afirma que, nestas últimas eleições, teve 8 mil votos. Fico espantado

 

Acaba de avançar com o aumento dos preços da água da rede pública no concelho, pensa que isto é suficiente para atenuar o déficite tarifário com este serviço, ou terá de haver mexidas noutros serviços municipais?

Seria uma grande irresponsabilidade não atualizar um tarifário que já não era mexido há vários anos enquanto se acumulava um passivo brutal, porque é preciso percebermos que a câmara distribuía aos seus munícipes, no 1º escalão de consumo, mil litros de água por um preço de 0,53 cêntimos, quando comprava a mesma quantidade ao fornecedor Águas do Zêzere e Coa a 0,70 cêntimos. É aqui que começa o problema do défice tarifário que responsavelmente temos que resolver. A frieza dos números diz-nos que em 2009 a fatura da água custou ao município cerca de 59 mil euros, mas em 2013 a mesma fatura elevou-se para 812 mil euros. Isto representa o espantoso número de 1276 por cento de acréscimo de custos suportados pelo município. A fatura do saneamento, em igual período, aumentou 429 por cento. Portanto, algo teria que ser feito sob pena da rutura financeira do município.
Perante estes dados e com seriedade promoveu-se uma ligeira atualização dos tarifários, salvaguardando sempre as famílias de baixos recursos através da criação de um tarifário social e temos também um tarifário para famílias numerosas, que foi aliás elogiado pela própria Associação de Famílias Numerosas.
Outras medidas estão entretanto a ser tomadas para reduzir as perdas do sistema e as infiltrações das águas pluviais na rede de saneamento. Neste momento, estamos também em negociações com o Ministério do Ambiente, no sentido de ser criada uma tarifa especial para as regiões do interior. Como se percebe, estamos a trabalhar em todas as frentes possíveis.

Como é que vê o futuro da ESTGOH? A escola tem vindo a ser esvaziada… acredita que é possível inverter esta situação?

A ESTGOH é hoje uma aposta assumida desta região e tem a solidariedade de todos os municípios e de várias entidades com peso neste território. A grande luta de Oliveira do Hospital e da região vai no sentido de que haja medidas de proteção do Ministério da Educação e Ciência ao ensino politécnico localizado no interior do país. Aliás esta é uma luta liderada pelo próprio Conselho Coordenador dos Institutos Superiores Politécnicos. E note-se que esta não é uma questão de somenos importância, pois ainda há dias um estudo revelava que o ensino politécnico tem um impacto de 11 por cento no PIB das cidades onde está localizado, para além da mais valia que é a qualificação dos recursos humanos de cada região.
De uma coisa tenho a certeza, se não fosse o empenho do meu executivo e dos aliados que conseguimos para a causa da ESTGOH, hoje provavelmente não teríamos uma verdadeira Escola Superior em Oliveira do Hospital. Mas também sei que se da parte do Município saberemos colocar sempre a ESTGOH no topo das nossas prioridades politicas, esta também estará em grande medida dependente da vontade política e das medidas do Ministério da Educação e da Ciência e do próprio Instituto Politécnico de Coimbra. Da nossa parte contribuiremos, em todos os momentos, para melhorar ou adaptar a oferta formativa da escola e para a defender sempre que for necessário. Acredito no futuro da ESTGOH, no trabalho que tem vindo a ser desenvolvido, e acrescento que todas as lutas que temos travado em sua defesa têm valido o esforço.

 

A postura de António Lopes não me causa estranheza porque o seu ego pessoal é maior que o concelho de Oliveira do Hospital

 

Ultimamente têm vindo a público casos gritantes ocorridos nas escolas do concelho, de aumento de algumas problemáticas sociais, depois da supermega agregação de escolas decidida pela DREC. Como é que tem acompanhado estas situações?

Acompanho com redobrada atenção e preocupação o que se passa nessa mega absurda decisão política do governo que foi a de criar um único agrupamento de escolas com cerca de 3 mil alunos. Não é este modelo que pretendo para o concelho de Oliveira do Hospital, mas também há de chegar o momento de se fazer uma cuidadosa avaliação deste processo e as suas implicações na perda de qualidade educativa, no multiplicar dos problemas nas várias escolas, nas dificuldades criadas às famílias e aos docentes, nos riscos de desemprego para professores e pessoal não docente etc, etc. Afinal o que se ganhou com a criação do Mega Agrupamento? Da parte do município, sendo notório que os problemas aumentarão, a estratégia passa por estreitar relações e a cooperação com a Direção do Agrupamento e, obviamente, disponibilizar-lhes instrumentos para lidar com as novas situações de risco, de que a criação de uma Equipa Multidisciplinar de Intervenção Escolar é um exemplo emblemático, afinal são sete profissionais especializados que a Câmara colocou nas escolas para apoiar alunos, famílias e professores. Quanto ao futuro, o território educativo de Oliveira do Hospital terá que ser repensado e reorganizado em outros moldes.

A BLC3 tem sido outro projeto bastante criticado, sobretudo por estar há vários anos a ser financiado pela Câmara Municipal sem que se vejam resultados práticos. Acredita nos seus frutos?

É preciso perceber que a BLC 3 é uma estrutura recente, trabalha num setor exigente e altamente competitivo – a investigação e a inovação –, um setor que não dá frutos logo no imediato. A BLC 3 está a fazer o seu percurso e hoje é talvez a única entidade do sistema científico-tecnológico nacional com sede no interior do país. Temos que ter essa noção, esta instituição é algo de novo e que faz um trabalho diferente. Por exemplo, hoje, a BLC3 é um dos grandes aliados da ESTGOH em termos de cooperação em projetos e no apoio aos seus cursos. Na prática, convém relembrar que se é verdade que a Câmara investe na BLC 3, também é verdade que a BLC 3 tem sabido captar financiamentos para o concelho. Aliás, a Plataforma BLC 3 arrancou com um apoio de 500.000 euros do Fundo Florestal Permanente, e tem conseguido aprovar projetos no PRODER, nos Sistemas de Inovação do QREN, na própria CCDR-C que lhes permitem desenvolver a sua atividade, fixar alguns quadros altamente qualificados no concelho, que por sua vez desenvolvem novos projetos e iniciativas…Na antiga ACIBEIRA espero ver nascer um novo centro de investigação aplicada e de incubação de empresas. A sua estrutura hoje tem condições para apoiar no desenvolvimento de novos negócios e apoiar na realização de candidaturas a fundos e programas.
Agora, ninguém está imune a criticas ou a desconfianças mas, ainda assim, a BLC 3 naturalmente está dentro do seu tempo para se afirmar, e conta com uma rede de parceiros nacionais e internacionais de excelência. Saibamos, pois, dar tempo ao tempo…

 

É público e notório que a sua [António Lopes] vida financeira atravessa um período difícil e se não fossem alguns amigos de Oliveira do Hospital muito pior estava

 

Embora seja um assunto da vida privada do senhor António Lopes, não deixa de se confundir com a sua esfera pública…e nesse sentido como comenta a penhora dos salários do presidente da AM?

Nada tenho a ver com a vida pessoal e financeira do senhor António Lopes. Agora o que eu percebi é que uma situação destas não é nada abonatória para quem ocupa um cargo político de grande dimensão e que faz as proclamações que toda a gente lhe conhece.

Para terminar, como é que comenta os resultados das eleições europeias?

Bem, a votação foi clara, o PS venceu as eleições no concelho sem dúvidas. O PS teve mais 129 votos que a coligação PSD-CDS. E numa análise mais cuidada, qualquer pessoa verifica, que o PS aumentou o número de votos em relação às Europeias de 2009 que, aí sim, perdeu para o PSD. E a coligação PSD-CDS, agora, perderam juntos em comparação com as últimas europeias 1.438 votos.
É preocupante o volume da abstenção, cerca de 67%, que por exemplo não acontece nas eleições autárquicas. Mas o que mais me surpreendeu foi localmente, num jogo de habilidades, o PSD querer transformar uma derrota eleitoral que de facto teve, numa espécie de vitória que não teve. Ficam mal esses “ilusionismos”.
Outra nota relevante é que Marinho Pinto, através do MPT, que não tem qualquer atividade no concelho, teve vais votos que a CDU…
Agora, o que acho absurdo é alguém, querer comparar resultados eleitorais de eleições europeias com eleições autárquicas, só se pode comparar o que é comparável, a menos que se queira iludir os oliveirenses ou agir de má-fé. E claro, o povo que sabe o que quer, e sabe escolher, percebe que o estão a querer enganar. O povo quando vota nas autárquicas vota informado, esclarecido e motivado, e sabe o que quer para o seu município. Aliás, isso tem ficado bem demonstrado. Nestas eleições a Câmara Municipal não foi a votos.

 

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