Posto de Apoio aos Peregrinos do Senhor das Almas é já um ponto de paragem obrigatória

Folha do Centro - Posto de Apoio aos Peregrinos do Senhor das Almas é já um ponto de paragem obrigatória

Duas dezenas de voluntários estiveram no local.

É cada vez mais um ponto de paragem obrigatória, sobretudo para os peregrinos que se deslocam da zona da Guarda e Trás-os-Montes a pé para Fátima. Criado em 2004 por um oliveirense de “fé”, o posto de apoio ao peregrino do Senhor das Almas é um local onde a palavra solidariedade e entrega ao próximo conhece o seu expoente máximo.
Cerca de duas centenas de voluntários prestaram todo o tipo de auxílio a quem por ali passou e precisou de ajuda, não apenas para curar as mazelas físicas, mas também as “dores da alma”. “Já são grupos, muitos deles, que passam por aqui todos os anos”, lembra o “mentor” deste projeto, José Agostinho Nunes, que muito antes de existir o centro de apoio, já prestava auxílio aos peregrinos com os seus próprios meios.
“Todos anos via passar aqui as pessoas e dava-me pena irem carregados com as mochilas, muitas vezes pegava nelas e ia levá-las aonde eles iam dormir”, conta o voluntário, lembrando que também a sua casa foi albergue de muitos peregrinos que escolhiam o trajeto pela Estrada da Beira até Fátima. “Eu sei bem, porque já lá fui duas vezes a pé, da dificuldade que é chegar a Fátima, e daí ter pensado que tinha que se fazer alguma coisa para apoiar estas pessoas”, afirma, satisfeito por ver que este projeto foi ganhando dimensão e que hoje “é já uma referência” na região, não só pelas condições “físicas” que oferece, uma vez que se trata de um edifício novo, devidamente preparado para os peregrinos poderem pernoitar ou serem simplesmente reconfortados com um duche ou uma refeição, mas sobretudo pela equipa que, ao longo dos anos, se tem disponibilizado para prestar apoio aos peregrinos.
São sobretudo técnicas de saúde aposentadas, mas este ano há também jovens desempregadas na área da fisioterapia e da reabilitação física que se juntaram ao grupo, disponibilizando-se a prestar apoio a quem chega e precisa de curar as feridas do corpo. “Sinto-me feliz a fazer isto, é o trabalho mais gratificante que fiz na minha vida”, revela uma das voluntarias mais antigas neste Centro de Apoio.
O sentimento de Maria Adélia é aliás partilhado pelas cerca de 20 companheiras que “trabalham” no posto do Senhor das Almas sem promessas de nada em “troca”, já que a única recompensa que têm é “a ajuda ao próximo”. “É um sentimento de dever cumprido”, garante José Agostinho, que este ano já contabilizou o apoio a cerca de 300 voluntários. “Já houve anos em que tivemos mais gente, este ano houve menos, há é cada vez mais jovens” constatam as voluntárias, percebendo facilmente os motivos que, nos dias de hoje, levam os mais novos “agarrar-se à fé e à Nossa Senhora”.
“Basta pensarmos na crise que vai aí, e no desemprego para explicar a vinda de peregrinos cada vez mais jovens”, refere a enfermeira Utília, já aposentada, para quem “esta juventude procura agarrar-se a alguma coisa”, para não ficar sem chão”. “Eles não nos dizem, mas há gente que vem aflita”, contam ainda as voluntárias que prestam apoio aos peregrinos que vêm de todas idades e até de várias nacionalidades, como aconteceu com um grupo de brasileiros, que caminham por, estes dias, em busca de um “milagre”.

 

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