Presidente da Assembleia Municipal assume rutura com Alexandrino

Folha do Centro - Presidente da Assembleia Municipal assume rutura com Alexandrino

António Lopes anunciou saída do PS alegando não compactuar com a política de favorecimento e de culto da “personalidade” do executivo camarário.

Três meses depois da vitória mais expressiva da história do PS em Oliveira do Hospital, eis que o inesperado acontece. O presidente da Assembleia Municipal, António dos Santos Lopes, assumiu, ontem, naquela que foi a primeira reunião ordinária deste órgão autárquico, a rutura com o executivo camarário liderado por José Carlos Alexandrino, nomeadamente com aquilo que classificou de politica de favorecimento daqueles que estão próximos do poder e ainda de cultos de “personalidade” que nada têm a ver com o discurso e com as prioridades “anunciadas” em campanha eleitoral pela atual equipa que governa o município.

“É público que neste momento temos um discurso em que dizemos que em primeiro lugar estão as pessoas, e estranhamente quando se chega aqui, com o conforto da cadeira, às vezes parece que nos esquecemos de determinadas coisas”, afirmou o líder da Assembleia Municipal, lembrando que já no passado abandonou outros projetos políticos pelos quais foi eleito – referindo-se à CDU – precisamente pela “prática” dos seus eleitos não condizer com a sua “consciência”. “Não sou pessoa de enganar ninguém, a minha postura foi sempre a de pôr a bandeira do concelho à frente de qualquer bandeira partidária”, sustentou, lamentando que “ultimamente venha a assistir a questões que não estão de acordo com aquilo que sempre defendeu”.

“Naturalmente que ninguém estava à espera que eu agora tivesse uma atitude diferente”, observou, justificando a sua tomada de posição pública com o facto de estar contra determinado tipo de favorecimentos, nomeadamente em matéria de admissão de pessoas para empregosna Câmara Municipal ou em organismos ligados à autarquia. “Ter um emprego não é um favor é um direito, mas tem de ser um direito para os mais de 20 mil oliveirenses e não primordialmente para aqueles que estão próximos do poder”, denunciou, sem hesitar, fazendo notar que “se no passado se opôs a este tipo de politica, outra não podia ser a minha postura atualmente”.

Divergências que não se prendem apenas com os “jobs for the boys”, mas que estão também relacionadas, segundo referiu, com mais recente jornal publicado pelo Município em substituição do boletim municipal. “Já lhe chamei a «Caras» Municipal porque aquilonada tem a ver com um boletim municipal”, afirmou Lopes, para quem “o tempo é de austeridade e não de propaganda e de cultos da personalidade”. “Não me revendo nestas situações tentei que elas fossem corrigidas, mas como não obtive êxito, não me restava outra atitude”, justificou-se ainda o mais alto representante do concelho, deixando ao critério da assembleia a sua manutenção ou não na “cadeira mais alta” do poder. “Cá estarei naquela cadeira ou deste lado, já aqui estive sozinho pela CDU, se agora voltar a estar como independente mas genuíno para pugnar por este concelho, fica ao critério dos senhores deputados. Não estou agarrado ao poder”, deixou claro, numa intervenção em que assume estar em rota de colisão com as mais recentes opções políticas do executivo camarário.

PS exige contenção a António Lopes e acusa-o de infidelidade ao presidente da Câmara

Do lado do PS as reações não se fizeram esperar com o deputado e recém eleito presidente da Concelhia socialista, Carlos Maia, a “estranhar” a posição agora tornada pública pelo presidente da Assembleia Municipal, quando “ouviu como muitos dos presentes ouviram tantos elogios ao desempenho deste executivo municipal”. “Estranho a sua atitude e o que terá mudado em três meses” afirmou o eleito do PS, aconselhando António Lopes a retirar as “devidas ilações” da posição que tomou.

Também o secretário da mesa da Assembleia Municipal, Rodrigues Gonçalves criticou a discussão na praça pública de questões que “deviam ficar dentro das paredes do PS”e advertiu Lopes para “não entrar em vinganças” e “refletir sobre as consequências” da atitude que tomou, caso contrário, “o melhor é sair com elevação”. “Veja bem em que direção quer ir”, avisou o eleito à mesa da Assembleia, sugerindo que o presidente procure uma solução dentro de “quatro paredes”, “se acha que está destruída a relação pessoal e politica entre si o presidente da Câmara”.

Num duro contra ataque às acusações de Lopes, Rodrigues Gonçalves exortou o presidente da Assembleia a “não atacar para além do que deve”, até porque “o presidente da Câmara não lhe merece esta infidelidade”. A polémica que envolve os dois mais altos representantes do concelho, suscitou ainda uma “curta” declaração de Alexandrino que fez saber que quer continuar a ver António Lopes como presidente da Assembleia, sendo que da sua parte “não deixará que outros que foram eleitos desempenhem o seu cargo”.

 

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