António Lopes faltou à sessão comemorativa do 25 de abril num prenúncio de despedida

Folha do Centro - Presidente da Assembleia Municipal falta à sessão comemorativa do 25 de abril

Foi a ausência que mais se fez notar na sessão comemorativa do 25 de abril que decorreu no salão nobre da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital. O ainda presidente da Assembleia Municipal, António Lopes, numa jogada de antecipação ao que se iria passar na Assembleia do dia seguinte (26 de abril), optou por não comparecer na sessão solene como seria normal, não fosse a profunda crise política que já estava instalada entre executivo e o líder do mais alto órgão do Município.

Uma ausência que António Lopes justificou com o facto de estar “debaixo de um golpe de Estado”, tendo em conta as alterações ao regimento apresentadas na assembleia municipal de fevereiro. Um documento com a qual Lopes diz não se rever, na medida em que “retira poderes ao órgão a que preside em mais de 40% daquilo que eram as suas competências”, afirmou o ainda presidente da Assembleia. “Foram cortadas alíneas importantes como o controle financeiro da Câmara Municipal, com as quais eu não posso compactuar”, afirmou o ainda presidente da Assembleia, considerando que “estar lá com um regimento” com o qual não concorda e que retira competências diretas ao órgão a que preside “é não estar lá a fazer nada”. “Esgotei até ao limite do prazo a convocatória da assembleia para a eventualidade de ser agendado um ponto na ordem de trabalhos a propor a minha demissão, como isso não aconteceu, e não tendo eu como certo o resultado da votação da proposta de alteração ao regimento, achei que não devia participar no 25 de abril”, justificou ainda António Lopes questionando “o tipo de democracia que existe hoje no concelho” que exclui a possibilidade da Assembleia Municipal poder apresentar, por exemplo, uma moção de censura ao executivo. “Deixei bem claro que com este regimento não ia dirigir os trabalhos do dia 25 de abril, nem hoje, nem no futuro”, afirmou.

Aparentemente pouco preocupado com as consequências práticas de um “chumbo” da moção apresentada pelos partidos de direita, alegando ter a “confiança de mais de 8 mil oliveirenses”, Lopes garantia ainda que só deixaria a cadeira do poder se o PS “correr” com ele, promovendo “como parece que é sua intenção a minha substituição”. “Estou preparado para tudo desde o dia 28 de dezembro”, assegurou o líder da assembleia municipal agora destituído, que desde essa altura que abriu as hostilidades contra o executivo de Alexandrino, ao tornar públicas denúncias relacionadas com a gestão da Câmara Municipal.

Previamente avisados da sua ausência na sessão comemorativa do 25 de abril, os representantes das várias forças partidárias com assento na assembleia municipal oliveirense, consideram esta “falta” do mais alto representante do concelho, um sinal inequívoco de “profundas divergências” com esta Câmara Municipal. À margem da cerimónia solene, Luís Lagos do CDS/PP disse não ter dúvidas de que a ausência de António Lopes é um sinal claro “do estado a que isto chegou”, pelo que espera “perceber os motivos profundos” da sua não comparência.

Também o ex camarada de partido, João Dinis, da CDU, estranhou a ausência do presidente da Assembleia, preferindo, todavia, não entrar em especulações relativamente aos motivos que levaram Lopes a não querer presidir à sessão do 25 de abril, pelo que aguarda para ver esclarecido se há algum problema politico que possa prejudicar o Município.
Também a representante do PSD, Cristina Oliveira, foi prudente nos comentários à ausência do presidente da Assembleia, entendendo, todavia, que é um sinal do “mau estar mais que evidente” e da “desintonia total entre o presidente da Câmara e aquele que foi um dos seus principais apoiantes”.

Sem se referir a António Lopes na sua intervenção, o presidente da Câmara, José Carlos Alexandrino, afirmou, no final, aos jornalistas desconhecer as razões que levaram o presidente da Assembleia a faltar à sessão comemorativa do dia da Liberdade, julgando que “essa foi uma opção que têm de lhe perguntar a ele”.

 

Acerca do Autor:

. Siga nas redes sociais Twitter / Facebook.