Quercus e FNAPF assinalaram Dia Mundial da Árvore em Oliveira do Hospital

Folha do Centro - Quercus e FNAPF assinalaram Dia Mundial da Árvore em Oliveira do Hospital

Ambientalistas e proprietários reclamam reforço do investimento nas áreas florestais.

O presidente da Associação Ambientalista Quercus, João Branco, chamou ontem à atenção para a necessidade de se aumentar o investimento nas áreas florestais, a nível nacional, que continua a ser, segundo este dirigente, “muitíssimo baixo”.

Numa deslocação ao concelho de Oliveira do Hospital onde se juntou a dirigentes e técnicos da Federação Nacional de Associações de Proprietários Florestais, para assinalarem o Dia Mundial das Florestas, João Branco realçava o trabalho efetuado neste território, nomeadamente ao nível da defesa de floresta contra incêndios, considerando ainda assim que este investimento tem que ter continuidade, sob pena de se andar a “deitar dinheiro lixo”. “É preciso fazer as redes de gestão de combustível, mas depois o mato continua a crescer e de x em x anos tem de haver intervenção senão todo o investimento anterior foi desperdiçado”, alerta o dirigente ambientalista, lamentando que a descontinuidade nas políticas de apoio ao setor florestal transforme muito do investimento nesta área em “cinzas”. “Se não continuarem a existir apoios, o mato cresce e o investimento arde”, aludiu, referindo-se ainda a uma das grandes ameaças da floresta portuguesa como é a crescente aposta na monocultura do eucalipto. “Mas até essa floresta industrial pode estar ameaçada, porque não sabemos como vai ser a evolução do preço da pasta de papel para a produção”, advertiu, alertando para a importância da preservação da biodiversidade e da uma floresta autóctone, determinante para a conservação e valorização da paisagem e do ambiente.

Também o presidente da Federação Nacional das Associações de Proprietários Florestais, José Vasco Campos, aproveitou este dia dedicado em todo o mundo às questões da árvore e da floresta, para mostrar um território – a área onde foi criada a primeira Zona de Intervenção Florestal no país no concelho de Oliveira do Hospital – onde o investimento em floresta tem dado frutos e é considerado já um exemplo de boas práticas florestais, numa lógica de gestão conjunta da propriedade.

Com a sua ação voltada para os dois grandes problemas que afetam a floresta portuguesa: a defesa contra incêndios e a luta contra pragas e doenças, o dirigente da FNAPF lembra que a floresta tem ainda importantes “funções sociais e ambientais” que é necessário “valorizar”, nomeadamente através do aproveitamento da floresta autóctone. “Temos aqui espécies raras como o azevinho e o azereiro que têm que ser apoiadas e acompanhadas porque cada vez que desaparece uma espécie desaparece um bocadinho de nós”, considerou Vasco Campos, acreditando que as questões da biodiversidade e do ordenamento, têm de caminhar, cada vez mais, a par com as questões da produção e do rendimento florestal.

 

CAULE quer criar Centro de Informação e Sensibilização Florestal

Com o objetivo de manter todo o ano “vivas” as problemáticas relacionadas com floresta, a CAULE – Associação Florestal da Beira Serra, fez saber ontem que pretende criar no concelho de Oliveira do Hospital, o primeiro centro de informação e sensibilização florestal. Com milhares de hectares intervencionados em seis concelhos da região da Beira Serra e concelhos limítrofes, aquela associação florestal tenciona apostar forte na sensibilização, sobretudo junto dos públicos mais jovens, avançando com um espaço direcionado para o efeito.

O futuro centro deverá ficar localizado na Ponte das Três Entradas, nas instalações da antiga escola primária, que se encontram cedidas à CAULE. O presidente da associação florestal, Vasco Campos, garante que a ideia é reforçar o conhecimento e a informação sobre as questões da floresta, em particular sobre a floresta da região.

 

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