Des(virus)ar

Daniel Dinis Costa


DANIEL DINIS COSTA 2013

Se tivermos que fechar escolas, fechemos. Se tivermos que fechar serviços públicos, fechemos. Se tivermos que ficar em isolamento, fiquemos. Tudo o que fizermos para conter a epidemia nesta fase é, apenas e só, salvaguardar a Nossa e a Saúde de todos, para o Nosso futuro.

O termo é esquisito mas é mesmo o que todos nós precisamos neste momento. Tirar o vírus das nossas vidas. Melhor. Ajudarmos todos a tirar o vírus das nossas vidas. Esta coisa de pensarmos que só acontece aos outros já não é assim. Isto de pensarmos que os outros é que têm que resolver, já não é assim. O Coronavirus veio apenas demonstrar que somos todos muito pequeninos, em relação à dimensão dos problemas que cada vez mais nos atingem.

Há certamente alarmismo exagerado em tudo isto. Sabemos por exemplo que este vírus é menos letal que a maioria dos vírus da Gripe, que têm aparecido ao longo dos tempos. Sabemos que se for tratado a tempo tem cura e não deixa sequelas. Sabemos hoje que temos alguns meios de comunicação social que, se se puderem infectar a eles próprios para experienciarem a sensação, até são capazes de o fazer só para ter audiências. Sabemos hoje que as notícias globais são mais rápidas que o próprio vírus e conseguem criar pânico e medo em qualquer pessoa. Sabemos hoje que há muita gente que vai ganhar muito dinheiro à custa do Coronavirus. Mas isso não nos resolve o problema.

Com a saúde não se brinca. E não vale a pena queremos encontrar argumentos para desvalorizarmos o que está a acontecer. Este é o tempo de todos nós tomarmos consciência e agirmos em conjunto, para impedirmos uma ainda maior propagação do Coronavirus, em especial no nosso país, mas também a nível mundial.

Se tivermos que fechar escolas, fechemos. Se tivermos que fechar serviços públicos, fechemos. Se tivermos que ficar em isolamento, fiquemos. Tudo o que fizermos para conter a epidemia nesta fase é, apenas e só, salvaguardar a Nossa e a Saúde de todos, para o Nosso futuro.

Não vale a pena colocarmos uma máscara e fingir que está tudo bem. Basta olhar para Espanha e Itália e perceber que se tivermos em Portugal a dimensão de infectados que existe nestes países, a nossa capacidade de resposta pura e simplesmente não existirá.

E também não é tempo de encontrarmos culpados no Governo, nas Câmaras, nos Hospitais, nos Centros de Saúde, nas Escolas ou nas Empresas. Cada vez fico mais indignado com as reportagens sensacionalistas onde só se critica, só se apontam falhas, só querem sangue. Basta um exercício simples. Todos os programas de TV que incentivam a grandes aglomerados de pessoas, deviam pura e simplesmente ser cancelados… mas até agora nada. Por um lado alarmamos as pessoas e do outro lado fazemos programas para juntar pessoas…

Por isso, este é o tempo de o poder dos media e da responsabilidade social que lhes é reconhecida, serem utilizados na divulgação de mensagens positivas, mensagens de apoio e mobilização de todos os Portugueses para ultrapassarem esta situação. Isso sim é um serviço de utilidade pública.

Depois de passada a tormenta, aí sim, será tempo de reflectirmos e mudarmos a nossa forma de encarar a realidade que temos. Fica claro que todo o investimento que se fizer em áreas essenciais como a Saúde, é sempre pouco. A União Europeia, os Governos, o Nosso Governo, terá que olhar para este flagelo e de uma vez por todas investir a sério na Saúde. Hoje é um vírus, certamente que outros problemas virão. E ninguém entenderá que sejam os défices ou as contas públicas, a impedir o investimento no bem mais essencial que temos. A nossa  Saúde. Mas é também legítimo olhar para a Economia e encontrar formas de compensar todos os prejuízos causados em empresas, comércios e serviços, que certamente estão a sofrer com a paragem forçada do mundo.

Para além das lamentáveis perdas humanas que o Coronavirus já trouxe e infelizmente ainda irá trazer, há aqui uma questão fundamental. Este não é o nosso único problema global. O mundo está a mudar. Os vírus, os incêndios, as cheias, as tempestades, as alterações climáticas, são uma realidade. Não podemos continuar como se isto não estivesse a acontecer. E não podemos esperar que sejam os outros a resolver. Depende de todos nós. Mudar hábitos de vida. Mudar comportamentos. É este o desafio que temos para o presente.

Por agora a luta tem que ser esta. Desvirusar o Mundo o mais rápido possível.

Obrigado pela paciência e Saúde para todos.

Daniel Dinis Costa

 

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