O dia a seguir

Daniel Dinis Costa


DANIEL DINIS COSTA 2013

Só com o apoio de todas as entidades será possível voltar a ter de volta o Concelho que todos nós queremos. Esta não é a altura para as politiquices e para os protagonismos.

É quase impossível esquecer o dia 15 de Outubro de 2017. O nosso Concelho teve a maior calamidade de sempre. As maiores perdas foram as vítimas mortais. Oliveirenses que perderam a vida numa luta inglória contra um fogo assassino. Para as famílias das vítimas aqui deixo expresso o meu sincero pesar.

Mas tudo mudou naquele dia. Perderam-se casas, pequenas e grandes explorações agrícolas, empresas. Para muitos perdeu-se o trabalho de uma vida. Perdeu-se o verde e a beleza natural de um Concelho que não merecia isto. Ninguém merecia. Nem os Oliveirenses, nem todos os Portugueses que sofreram com a tragédia dos incêndios.

Mas a vida é assim. E se todos nós tivemos um tempo de desorientação, de revolta, de tristeza, de luto, é agora importante haver outro tempo. Que não nos apaga o que se passou, mas que tem de dar a força e motivação para seguir em frente. Para enfrentar o dia a seguir, e o outro dia a seguir, com a vontade de reerguer o que se perdeu e honrar a memória dos que perderam a vida a lutar contra esta tragédia.

E tem que ser agora e já o tempo de enfrentar a realidade e lutar contra a fatalidade. Cada dia que passa terá que ser mais um dia de esperança no futuro. Há algo que agora é fundamental. A união de todos os Oliveirenses, de todo o País. Para recuperar o que todos perdemos. E nestas alturas é gratificante ver as ondas de solidariedade prontamente criadas. Pessoas anónimas que querem ajudar com o pouco que têm. Mais que não seja com o seu trabalho. Sim essa é a verdadeira solidariedade. Não aquela das fotos no facebook só para dizer que estivemos a ajudar. Isso agora não interessa nada às pessoas que realmente precisam. O que as pessoas agora esperam é apoio concreto e rápido. Foi por isso que a Câmara Municipal, todas as Juntas de Freguesia, as mais variadas Associações, Voluntários, rapidamente foram para o terreno e tentaram apoiar todos aqueles que ficaram sem nada. Fazer chegar às pessoas o que agora é o mais básico e necessário. E isto não é apenas Solidariedade. É o dever cívico e público de quem exerce estes cargos. Não é certamente possível acudir a toda a gente. Não será certamente possível recuperar tudo o que já tivemos. A destruição provocada pelos incêndios teve uma dimensão nunca vista.

Mas há algo que nos deve confortar. Oliveira do Hospital tem gente capaz, habituada a lutar contra as adversidades. Que certamente não baixará os braços. Mas Oliveira do Hospital tem mais. Tem um poder local que está na sempre na linha da frente na luta pela defesa dos Oliveirenses. E que nesta hora não deixará certamente de lutar para reerguer o Concelho. Não serão certamente as Juntas e a Câmara Municipal que têm a capacidade de resolver tudo. Não têm certamente os milhões e milhões necessários para tal. Mas têm a capacidade de reivindicação e luta que já cá trouxe o Presidente da República, o Primeiro-ministro, vários Ministros e todas as entidades do estado que podem ajudar a reerguer o nosso Concelho. E não vale a pena pensar de outra forma. Só com o apoio de todas as entidades será possível voltar a ter de volta o Concelho que todos nós queremos. Esta não é a altura para as politiquices e para os protagonismos. Não é a altura do oportunismo. Só para mostrar quem faz mais ou quem quer fazer mais. Esta é a altura de juntar pessoas, juntar apoios, juntar esforços e meios financeiros para voltarmos a ser felizes.

E se nada do que aconteceu trouxe algo de positivo para as pessoas, há algo que podemos agora fazer. Infelizmente o que aconteceu, deu a oportunidade para repensar e decidir o futuro de forma diferente. Temos a oportunidade de começar do zero e reordenar e reflorestar o Concelho, de forma a evitar que tragédias destas voltem a acontecer. Temos oportunidade de revitalizar a agricultura e dar maior apoio aos agricultores. Temos oportunidade de reabilitar as nossas localidades e dar melhores condições de habitabilidade a muitas pessoas.

O desejável é o óbvio. Que tudo isto fosse apenas um sonho mau. Mas se é esta a realidade que temos, é com esperança que temos de encarar o futuro. Porque a maior lição que podemos tirar é que ninguém pode dizer que está bem. E se assim é, vamos aproveitar para viver cada dia o melhor possível. Para que o dia a seguir seja ainda melhor…

Obrigado pela paciência e boa leitura.

Daniel Dinis Costa

 

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