S. Sebastião da Feira “acena” com boicote nas próximas autárquicas

Folha do Centro - S. Sebastião da Feira promete não votar nas próximas autárquicas

População contra agregação a Penalva de Alva.

“O meu voto é que nunca mais lá apanham”, o desabafo é de um popular, morador em S. Sebastião da Feira, uma das cinco freguesias do concelho de Oliveira do Hospital “em vias de extinção”, de acordo com a lei de reorganização das freguesias. Não é o único a pensar assim.
Em pleno domingo de festa na aldeia, com o povo praticamente na rua para a tradicional feira anual dos pinhões, as vozes de protesto contra o “fecho” da freguesia não tardam a fazer-se ouvir. “Aqui ninguém concorda com isto, eu já tenho 70 anos e quando eu nasci a Feira já era freguesia”, recorda o ex emigrante, inconformado com a perda de autonomia da sua “terra”. “Ninguém aceita isto, nós temos aqui tudo, o que é que vamos fazer para Penalva”, refere, visivelmente desiludido com as novas leis e com o retrocesso que, ao fim de décadas, se preparam para assistir.
“Uma vergonha” é como de resto a população de S. Sebastião encara esta lei que acaba com a freguesia e a coloca “dependente” da vizinha Penalva de Alva. Aliás, se soubesse o que sabe hoje, Adelino Coelho, o atual presidente da Junta garante que não se candidataria, pois “ninguém me disse que iam acabar com a freguesia”. Apesar de ser natural de Penalva de Alva – a freguesia agregadora – o autarca da Feira não se conforma com a perda de “autonomia” de S. Sebastião, que é “uma freguesia muito antiga” e até já foi “concelho”, recorda. “Isto é pior que no tempo do Salazar, porque nesse tempo não nos tiraram a freguesia”, acusa o autarca, eleito pelo PSD pelo terceiro mandato, mas contra uma lei que, na sua opinião, só serve para prejudicar as populações, já que “representa umas décimas do Orçamento do Estado”. Adelino Coelho entende, além disso, que se o governo queria fazer uma verdadeira reforma das freguesias, tinha avançado com uma proposta de união não de uma, mas de várias freguesias. O autarca garante que ser era para fundir, então que criassem uma união das freguesias do vale do Alva, com a sede na Ponte das Três Entradas, que “é o sítio mais central”. “Tem algum jeito irmos para a Penalva, quando temos aqui tudo”, observa o autarca, alertando para o facto de “termos aqui uma população muito idosa, que não tem meios próprios para se deslocar para tratar dos seus assuntos”. “Não temos nada contra Penalva, o que está em causa é que isto não resolve os problemas do país”, reafirma o presidente da Junta, acreditando que nas próximas eleições “alguém vai ter que ser responsabilizado”. “Não sei como vai ser, mas a população está muito revoltada”, avisa Adelino Coelho, não pondo de lado o cenário de boicote nas próximas eleições autárquicas. “Não tenho dúvidas que as pessoas vão responder como puderem”, afirma o autarca, rodeado de vozes que juram “a pés juntos” não votar noutra freguesia.

 

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