Salários em atraso e divergências editoriais terão estado na origem de saída de diretora do jornal Correio da Beira Serra

Folha do Centro - Salários em atraso e divergências editoriais terão estado na origem de saída de diretora do jornal Correio da Beira Serra

Liliana Lopes deixou direção do jornal detido pelo ex presidente da Assembleia Municipal, António Lopes, depois de na última reunião deste órgão autárquico ter alegadamente sofrido pressões para escrever notícias favoráveis ao patrão.

A jornalista Liliana Lopes que, até ao final do mês junho, desempenhava funções de diretora do jornal on line Correio da Beira Serra, apresentou a rescisão do contrato de trabalho que mantinha com a empresa proprietária do jornal, detida pelo ex presidente da Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, António Lopes, justificando a saída com vários meses de salários em atraso e interferências graves na linha editorial do jornal.

Liliana Lopes encontrava-se há oito anos a desempenhar as funções de jornalista no Correio da Beira Serra, tendo sido, entretanto, convidada, há quatro anos atrás, a assumir a direção do jornal, já quando este ficou reduzido à edição on line, na sequência da saída do então diretor, Henrique Barreto. À data de apresentação da rescisão do contrato, a jornalista tinha cinco salários em atraso, situação que, segundo apurámos, era “recorrente” na empresa, tendo havido, no passado, situações em que a jornalista chegou a ter igualmente vários salários por receber.

Mas a “gota de água” que terá feito trasbordar o copo terá sido a última reunião da assembleia municipal, mas também a publicação de uma notícia sobre o convite do presidente do Nogueirense a António Lopes para este integrar os órgãos sociais do clube, cuja redação não terá sido do agrado do autarca e administrador do jornal. O nosso jornal sabe que, depois desta reunião, o ex presidente da assembleia municipal, agora sentado na bancada como “independente”, terá “encomendado” algumas noticias com a sua “versão” do que se terá passado na assembleia municipal com as quais a jornalista discordou, recusando-se mesmo a escrever os relatos do ex presidente e seu “patrão”, por supostamente violarem a sua ética profissional.

As divergências quanto à linha editorial do jornal e as pressões que a jornalista terá sofrido nos dias a seguir à reunião da assembleia a somar ao incumprimento por parte da empresa detentora do jornal relativamente ao pagamento dos salários, ditaram a decisão da diretora de apresentar o despedimento por justa causa, uma vez que a situação à data da reunião já era considerada pela jornalista, insustentável, do ponto de vista financeiro. Depois de um breve período sem dar noticias, a administração da empresa detida por António Lopes anunciou no seu site a contratação de um novo jornalista para substituir o lugar então deixado vago por Liliana Lopes.

 

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