“Se nós não existíssemos isto tinha ficado esquecido”

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Associação de Vitimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal clama vitória na decisão do Governo de reforçar o apoio às empresas afetadas a 15 de outubro.

Seis meses depois do maior incêndio de sempre em Portugal, a Associação de Vítimas, liderada pelo empresário Luís Lagos vê finalmente cumprida uma das suas “grandes lutas”: o aumento para 85% do apoio às empresas lesadas pelo fogo de 15 de outubro, à semelhança do que aconteceu para as empresas atingidas pelo incêndio de Pedrogão.

“Esta foi de facto a nossa grande bandeira, porque não fazia sentido que em duas regiões do país marcadas pela interioridade e pelas mesmas dificuldades, houvesse um apoio diferenciado”, recorda Luís Lagos,  que desde outubro, não tem calado a sua voz, na tentativa de esbater esta “injustiça” para com estes territórios. “Tivemos que provar ao gabinete do senhor Primeiro-Ministro que existiam empresas neste território que precisavam de mais apoio, de um apoio a 85%”, até porque, acrescenta o líder da AVMISP “o pacote de 100 milhões aprovados pelo Governo para fazer face aos prejuízos dos incêndios de outubro era suficiente”.

“Já andávamos a dizer isto há meses, que o dinheiro era suficiente e que não havia necessidade de reforço do pacote orçamental”, alude o empresário, que se congratula com a alteração das regras de financiamento às empresas lesadas em outubro. “Sentimos da parte do gabinete do senhor Primeiro-Ministro, que tínhamos ali um aliado, quando lhe explicámos a importância para a região e para as empresas deste reforço do apoio”, faz notar Luís Lagos que não tem dúvidas que se não fosse a luta encetada desde a primeira hora pela Associação de Vitimas e a forma como esta trouxe o assunto para a praça pública “isto acabava por ser esquecido”.

“Se nós não falássemos, se nós não existíssemos, se não ajudássemos a construir a ideia que este apoio era importantíssimo para recuperar a totalidade da nossa atividade económica, isto tinha ficado esquecido” acredita o líder da Associação de Vitimas, que acusa os partidos políticos de “nenhum ter abraçado esta questão”. “Este debate foi sempre liderado pela Associação”, sublinha, não querendo com isto disputar protagonismos com ninguém, e garante que “o grande contributo que podia dar à minha região está aqui”. “São mais uns milhões que vêm para esta região por um trabalho liderado pela Associação, gostava que a minha terra tivesse orgulho nisto”, refere o empresário, lembrando que o facto de se ter colocado de fora da vida política, não o impede de ter “voz” por aquilo em que acredita.

Satisfeita a grande reivindicação da AVMISP, Luís Lagos garante, todavia, que os objetivos da Associação “não se esgotam” aqui. “Há coisas que estão a correr menos bem, nomeadamente em relação ao aumento dos apoio à agricultura, e que nós nos vamos continuar a bater”, diz, prometendo também continuar a acompanhar e a estar atento aos processos relacionados com os apoios aos feridos e aos familiares das vítimas, assim como da reconstrução das habitações destruídas pelo incêndio de 15 de outubro. “O nosso grande objetivo é colocar o Interior na agenda pública”, conclui, considerando a resolução do Conselho de Ministros que aprovou o aumento do apoio às empresas afetadas pelos incêndios de outubro a primeira grande “vitória” nesse sentido.

 

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