“Só me fez lembrar o Féher do Benfica quando caiu”

Folha do Centro - “Só me fez lembrar o Féher do Benfica quando caiu”

Colegas e funcionários do Tourizense ainda não querem acreditar na tragédia que vitimou o jogador Alex Marques.

Colegas e funcionários do Grupo Desportivo Tourizense ainda “nem estão em si”. Poucos dias depois da morte súbita de Alex Marques em pleno jogo contra o Carapinheirense, quem lidava de perto com o jogador, natural de Esposende, não tem palavras para descrever o que sente, nem tão pouco para o que aconteceu ao minuto sete da partida entre Tourizense e Carapinheirense, este domingo.

“Parece que nem acredito no que aconteceu”, diz, com a voz ainda meia embargada o cozinheiro da equipa, Agostinho Ferrão. Ele e a esposa, como era habitual, tinham servido o almoço à equipa horas antes da tragédia e o jovem Alex “tinha comido tudo normalmente”, contam. “Era um doce de menino, ainda estou a ver o sorriso dele quando o estava a servir ontem e lhe perguntei se queria repetir a esparguete”, relata a cozinheira, sem conseguir conter as lágrimas. “Estes meninos são a nossa família, estamos aqui todos os dias com eles, e o Alex era mesmo um menino meigo, educado”, conta visivelmente emocionada aquela funcionária do Tourizense, para quem a morte prematura do jogador foi “um choque muito grande para toda a gente”.
“Aqui nunca tinha acontecido uma tragédia destas, a mim só me fez lembrar o Féher do Benfica, a queda foi igual ”, lembra Agostinho Ferrão, que persentiu o pior quando o jogador caiu ao chão aos sete minutos de jogo. “Vi logo que a queda não era boa”, conta, julgando que “nunca mais esquecerá aquela imagem”. “Para além de bom jogador, era um moço espetacular, nunca pedia nada que não dissesse obrigada, que não tivesse um sorriso”,refere ainda o cozinheiro que desde a tragédia “não consegue meter nada à boca”. “Isto não tem explicação, parece que ainda não acredito”, diz, com o coração desfeito, de ter visto perder um bom atleta e acima de tudo uma “boa pessoa”.
“Era um rapazinho impecável, respeitador, bem disposto”, acrescenta ainda o motorista do GDT, José Fernando, para quem não há memória de uma tragédia semelhante no clube. Não menos transtornados com a tragédia que vitimou Alex Marques estavam também os colegas dor” pela perda do companheiro. “Está difícil de administrar as coisas”, confessou o brasileiro Rafael que quando viu Alex caído no chão pensou que tinha sido “uma agressão normal de jogo”. “Só depois nos apercebemos que era algo mais complicado, porque não tinha ninguém perto” relata o jogador, para quem nada fazia prever este desfecho. “Nunca tinha tido queixa nenhuma, estava sempre a 100%, tranquilo, sempre com aquele sorriso”, recorda o jogador.
Também o enfermeiro da equipa, Rui Costa, que juntamente com o médico, prestou os primeiros socorros e fez as primeiras manobras de reanimação ao jogador do Tourizense, considera os acontecimentos de domingo completamente “inesperados”, uma vez que o jogador tinha realizado todos os exames de preparação da temporada e estavam “todos totalmente normais”, não tendo ainda “quaisquer antecedentes quer pessoais, quer familiares, era um jovem totalmente são”, refere. “Eu sendo enfermeiro tenho de estar habituado a lidar com a vitalidade, contudo foi uma situação totalmente inesperada, ele caiu subitamente ao minuto sete”, descreve o técnico de saúde do Tourizense, dando nota de todas as manobras de reanimação que foram realizadas até à chegada da primeira ambulância onde o jogador ainda entra com sinais vitais. “Foram minutos muito vividos”, conta o enfermeiro que, como toda a equipa técnica, jogadores, dirigentes e adeptos ainda tiveramesperança que o coração de Alex Marques não deixasse de bater fora de campo.
“Feliz” com este acordo mostrou-se ainda o presidente da Associação de Basquetebol do distrito de Coimbra, Luis Santarino, para quem este deve ser tomado como um “exemplo” para outras autarquias, outros clubes e outras escolas.

 

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