Vereador do PSD acusado de “bipolaridade política”

Folha do Centro - Vereador do PSD acusado de “bipolaridade política”

Última reunião pública do mandato marcada por fortes críticas à postura do único eleito do PSD, João Brito, no executivo.

O único vereador do PSD na Câmara Municipal de Oliveira do Hospital saiu ainda mais “isolado” da última reunião do executivo camarário, por sinal a derradeira do atual mandato autárquico.

Apesar de nos últimos três anos e meio, em que assumiu a liderança da oposição na autarquia, ter votado favoravelmente 95% das propostas apresentadas pelo executivo de maioria socialista, João Brito, optou por votar contra uma proposta de atribuição de subsídios a colectividades do concelho, alegando com a proximidade das eleições autárquicas do próximo dia 1 de outubro e deste ser um assunto da competência da Assembleia Municipal.

Uma posição que lhe valeu um chorrilho de críticas por parte do executivo em permanência que o acusou de se ter “guardado para a última reunião pública para dar um tiro de pólvora seca”, já que, na esmagadora das vezes, Brito “votou favoravelmente”.

O vereador João Ramalhete considerou a propósito que “João Brito está para a Câmara Municipal como o BES está para o sistema financeiro: há o BES bom e BES mau e há o João Brito Bom e o João Brito mau”. “O João Brito bom é aquele que vota a favor dos subsídios, que vota a favor das festas e lá fora há o João Brito mau, que é aquele que critica as festas, critica os subsídios, que critica o executivo. Isto é bipolaridade política”, entende o vereador da maioria, tentando justificar a dualidade de posições assumida permanentemente pelo eleito do PSD, que no seio do executivo está maioritariamente das vezes ao “nosso lado” e, lá fora, “não concorda com nada e vem desdizer até aquilo que disse em 95% dos casos”.

Também o vereador José Francisco Rolo não perdeu oportunidade para criticar a postura do único eleito do PSD no executivo, lamentando que este “se tenha guardado para a última reunião” para dar “um tiro” no executivo, quando a aprovação destes subsídios é da estrita competência da Câmara Municipal. Perante a indefinição do vereador do PSD, José Francisco desafiou mesmo João Brito a dizer o que é que quer, uma vez que “ora vem dar o arzinho de bom, ora dá o arzinho de mau”. “Afinal não é contra os subsídios, nem é contra as associações, mas vota contra porque é má altura, é preciso definir o que é que quer”, advertiu Rolo.

Lembrando que a oposição tem tido uma “atitude positiva” em relação às propostas deste executivo, tendo votado favoravelmente 95% das propostas, o presidente José Carlos Alexandrino não deixou de estranhar que João Brito tenha agora votado contra, na medida em que “há comunidades que estão à espera destes subsídios”, independentemente de haver eleições daqui a duas semanas. O autarca garante que “isto não tem nada a ver com eleitoralismo” e deu mesmo o exemplo da Associação de Compartes do Casal Cimeiro (Vale de Maceira), onde vivem apenas 11 pessoas e para quem o subsídio atribuído pela Câmara Municipal servirá para a recuperar “um património que faz parte da sua história”. “Aquilo que estamos a fazer é uma questão de cumprir com os compromissos que foram assumidos, mesmo sendo poucas pessoas nós não as abandonamos, é dinheiro que achamos devemos gastar para defender esse património”, aludiu o edil oliveirense, aproveitando assim para “desmontar” os argumentos da oposição.

João Brito esclareceu, todavia, que é não é contra os subsídios, mas sim contra o facto destes serem aprovados a menos de três semanas das eleições, considerando que neste período a Câmara Municipal só deveria fazer estas propostas “só mesmo em caso de alguma emergência social”. Quanto ao facto de ter aprovado maioritariamente as propostas do executivo, ao longo do mandato, o vereador do PSD entende que o papel da oposição não é votar contra, mas sim “trazer a voz dos oliveirenses para aqui”, considerando, além disso, que tendo em conta o teor das iniciativas do executivo “não havia nada aqui a votar contra”.

Numa espécie de última lição política, o presidente da Câmara fez notar que o “lapso” da oposição não foi não ter votado contra mais propostas, mas sim “o reduzido número de propostas alternativas que apresentou”.

 

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