Vereadora do PSD anuncia “chumbo” de toda e qualquer deliberação camarária

Folha do Centro - Vereadores do PSD criticam cartaz da FACIT

Autarca da oposição na Câmara de Tábua alega falta de condições para o exercício o cargo.

A vereadora do PSD na Câmara Municipal de Tábua, Maria do Rosário, anunciou que vai, a partir de agora, votar contra todas as decisões do executivo socialista liderado por Mário Loureiro, “independentemente de estar ou não de acordo com as matérias em causa”.

O anúncio de “chumbo” às deliberações camarárias foi declarado na última reunião pública do executivo, e baseia-se, segundo a autarca, nas “restrições ilegais” que têm sido “impostas por parte do senhor presidente da Câmara”, ao longo dos últimos seis meses, aos vereadores da oposição, nomeadamente “a não atribuição de um gabinete” aos eleitos por outras forças políticas e ainda a “recusa de entrega de cópias em papel de documentação das reuniões de Câmara”.

Uma situação que, de acordo com a vereadora social democrata, “apesar de estar consignada na lei”, não está a ser observada pelo executivo em permanência, retirando assim condições de trabalho à oposição para o exercício das funções. “A isto acrescem ainda tentativas de pressão, como aquela que aconteceu na última reunião, em que não me foi permitido intervir no período antes da ordem do dia, ou melhor foi-me permitido com várias interrupções consecutivas alegando que só tinha cinco minutos para falar”, denunciou a vereadora do PSD, lamentando ser “forçada” a “chumbar” todas as propostas da maioria socialista no executivo, como forma de protesto, exceção feita apenas a “situações que possam prejudicar de algum modo os munícipes”.

Uma declaração que veio agudizar ainda mais o clima de hostilidade entre oposição e executivo em permanência, latente nas últimas reuniões de Câmara, nomeadamente quando os vereadores do PSD puseram em causa a “sobreposição” de alguns cargos exercidos pelo presidente da Câmara e pelo vereador do desporto e juventude, Ricardo Cruz. A oposição questionou do ponto de vista da “ética politica”, o facto de Mário Loureiro, enquanto presidente do Município, presidir ao mesmo tempo à direção dos Bombeiros Voluntários de Tábua, quando esta é uma entidade que recebe apoios camarários, mas também as ligações do vereador do desporto a diversas organizações desportivas e juvenis, cuja atividade depende em parte dos apoios financeiros da autarquia que estão sob a sua tutela. Questões que incendiaram o debate numa das últimas reuniões públicas, com o presidente do Município a devolver as acusações à oposição, considerando que estas “faltaram ao respeito” pela sua pessoa, tendo em conta, sobretudo, que foram feitas “na sua ausência”.

Também o vereador Ricardo Cruz lançou um duro contra ataque à oposição laranja, exigindo mesmo um pedido de desculpas público aos vereadores do PSD que o acusaram de acumular o cargo de vereador com o de dirigente associativo, insinuando com isto falta de transparência política da parte do executivo em permanência.

Face à declaração da vereadora Maria do Rosário de tencionar a partir de agora chumbar toda e qualquer proposta do executivo, Mário Loureiro respondeu apenas com um lacónico “faça o que entender”, pois, “as coisas valem o que valem”. Além disso, o edil afirmou não ter dúvidas de que “os tabuenses hão de julgá-la mais tarde”.

 

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